O 3I/ATLAS, um mensageiro oriundo de regiões remotas da Via Láctea, atingiu seu ponto de maior proximidade com a Terra em 19 de dezembro de 2025. O evento proporcionou à comunidade científica uma oportunidade singular para dissecar a composição de um corpo celeste formado além das fronteiras do nosso sistema solar. Identificado originalmente em julho pelo sistema ATLAS no Chile, o objeto cruzou o espaço a uma velocidade assombrosa de 58 quilômetros por segundo, estabelecendo um novo recorde de celeridade para visitantes interestelares.
A mecânica de jatos persistentes observada pelo Hubble
Dados recentes coletados pelo Telescópio Espacial Hubble indicam uma atividade de jatos que subverte as expectativas da física cometária convencional. Em registros obtidos durante o mês de dezembro, observou-se a erupção de colunas duplas de material partindo do núcleo do astro. Diferente do comportamento errático e difuso comum em cometas locais, o 3I/ATLAS demonstrou uma organização rotacional rigorosa e uma coesão estrutural prolongada em suas emissões.
Este fenômeno sugere que o núcleo do 3I/ATLAS possui uma estabilidade mecânica incomum. Enquanto a desgaseificação em objetos do nosso sistema costuma se dissipar rapidamente, a persistência dessas estruturas colimadas indica uma arquitetura interna que ainda não foi plenamente mapeada pelos modelos teóricos atuais, sugerindo uma formação sob condições astrofísicas distintas das que deram origem aos nossos planetas.

Ausência de tecnossinaturas e a natureza biogênica da água
Em uma tentativa de investigar hipóteses sobre tecnologia extraterrestre, o projeto Breakthrough Listen mobilizou o Telescópio de Green Bank para realizar uma varredura de rádio exaustiva no dia 18 de dezembro. Apesar da alta sensibilidade dos instrumentos — capazes de detectar sinais mais fracos que o emitido por um aparelho celular —, nenhuma evidência de comunicação artificial foi encontrada. O processamento eliminou quase meio milhão de candidatos a sinal, classificando-os todos como interferência de origem terrestre.
Paralelamente, o monitoramento realizado pelo Observatório Solar e Heliosférico (SOHO) quantificou uma produção massiva de água. No auge de sua atividade, o cometa expelia volume suficiente para preencher uma piscina olímpica em questão de segundos. Tal comportamento, aliado a uma composição rica em dióxido de carbono, reforça o caráter natural do objeto. Estima-se que o 3I/ATLAS tenha entre 7 e 13 bilhões de anos, sendo um remanescente do núcleo galáctico que precede o próprio Sol.
Destaques
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O 3I/ATLAS é o objeto interestelar mais veloz já catalogado, atingindo 58 km/s.
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A busca por rádio descartou sinais artificiais com precisão de 0,1 watts.
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O objeto pode ser mais antigo que o sistema solar, vindo do centro da Via Láctea.
Perguntas frequentes
O cometa 3I/ATLAS ainda pode ser visto? Sim, ele permanecerá observável com equipamentos astronômicos até janeiro de 2026, movendo-se pela constelação de Câncer.
O objeto representa algum risco para a Terra? Não. Sua passagem mais próxima ocorreu a uma distância segura de 270 milhões de quilômetros.
Por que os jatos do cometa são considerados estranhos? Porque mantêm uma forma organizada e coerente por muito tempo, ao contrário dos jatos de cometas comuns que se espalham rapidamente.
Raio-X (Lista técnica)
Entidades: NASA, Hubble, Breakthrough Listen, SOHO, Projeto ATLAS.
Métricas: Velocidade de 58 km/s; distância mínima de 270 milhões de km; idade entre 7 e 13 bilhões de anos.
Datas: Descoberta em 01/07/2025; Aproximação máxima em 19/12/2025; Observável até 01/2026.
