Após uma série de personagens densos entre o drama e o suspense, Lucas Tors, nascido em Santana do Livramento, fronteira entre o Brasil e o Uruguai, decidiu encarar um novo desafio. Conhecido por sua participação em Garota do Momento (Globo) e recentemente pelo filme Metástase, o ator retornou ao Sul do país para dois projetos, incluindo sua primeira comédia na série infantojuvenil 2C, produção da Druzina Content, a mesma responsável pelo longa Cinco Tipos de Medo, estrelado por Bella Campos e premiado no Festival de Cinema de Gramado.
Gravar novamente no Sul também tem um valor simbólico. “Quando eu dizia que queria ser ator, muita gente duvidava. Tinha quem achasse que não era uma profissão de verdade”, lembra. Hoje, o retorno acontece em outro contexto. “Voltar com reconhecimento é muito bonito. Sinto que estou em outra fase.”
Entre risos e desafios em 2C
Na série, rodada em Porto Alegre, Lucas vive Maikão, um adulto deslocado em meio a adolescentes, que surge de forma completamente aleatória no ambiente escolar. “Ele não é aluno. Já tem uns 22 ou 23 anos e aparece ali sem ter relação nenhuma com ninguém”, conta o ator.
O papel marca uma virada no currículo. Até aqui, o drama sempre foi território seguro. “Sempre disseram que eu tinha mais talento para drama, e eu também achava drama mais fácil. A comédia sempre me deu insegurança”, admite. Ainda assim, o desafio falou mais alto. “Quando eu vi que era comédia, pensei: vou me desafiar.”
Inspirado em referências como iCarly, Lucas resolveu editar o próprio vídeo de audição, com cortes rápidos, zooms e até risadas de fundo. “Eu pensei: isso pode dar muito errado. Tem produtor de elenco que odeia esse tipo de coisa. Mas arrisquei.” Deu certo. “Ela respondeu na hora dizendo que tinha amado e que eu era muito criativo. Falou que, de primeira, o Maikão era meu.”
Antes da comédia, Lucas Tors construiu sua presença em projetos marcados por densidade emocional. Ele esteve em produções da TV Globo e da Record, protagonizou o longa De Volta Pra Casa e também idealizou e estrelou Metástase, filme autoral que mergulha em temas como relações abusivas, trauma e colapso psicológico.
No cinema independente, o ator vem se aproximando cada vez mais de narrativas autorais e de bastidores, acumulando experiências como protagonista e produtor, um movimento que ajuda a explicar por que a comédia surge agora como um desvio calculado, e não como acaso.
Suspense, inglês e cinema independente
Enquanto experimenta o humor na TV, Lucas segue investindo em projetos autorais no cinema. Um deles é The House on Second Street, curta-metragem independente roteirizado, dirigido, editado e produzido por Thiago Dornelles, além de protagonizado e também produzido por Tors, com roteiro 100% em inglês.
Rodado em Santana do Livramento, sua cidade natal, o filme aposta no suspense psicológico. Lucas interpreta Dean, um homem emocionalmente instável que, após o carro quebrar numa noite chuvosa, bate à porta de uma casa isolada e descobre que os moradores sabem mais sobre ele do que deveriam. “É um suspense que fala sobre decisões irreversíveis. Coisas que não têm volta”, resume.
O projeto levou cerca de três anos para ficar pronto e chegou a ser refeito quase do zero. “Foi um processo de muita resiliência. Ninguém desistiu. Todo mundo acreditou”, diz. Segundo ele, o retorno às gravações aconteceu em outro momento pessoal e profissional. “Na primeira vez, eu era mais imaturo. Quando voltei, já tinha passado pela Globo, pela Record, por outros filmes. Me entreguei muito mais.”
Lucas Tors nas redes:
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