Abraça propõe experiência sensorial para a primeira infância em estreia gratuita na Tijuca

por Redação
Abraça - Foto: @rodrigo menezes

O espetáculo Abraça, novo trabalho da artista e pesquisadora Paty Lopes, propõe uma experiência cênica sensorial e poética voltada para crianças de zero a seis anos. A obra estreia no domingo, 18 de janeiro, às 16h, no Teatro Guignol da Tijuca, com entrada gratuita.

A obra nasce de um processo de pesquisa artística, que reuniu formações, trocas e vivências dedicadas à cena para a primeira infância — território onde o cuidado, o tempo e a escuta são parte essencial da criação.

Para Paty Lopes, o encontro entre artistas, somado ao apoio institucional, é o que permite uma criação ética, responsável e sensível — sobretudo quando o público é formado por crianças em seus primeiros anos de vida.

Ao seu lado está Bellas Silveira, atriz e diretora de movimento, que assina a construção corporal da obra. Juntas, as artistas criam cenas que dialogam diretamente com a corporeidade da primeira infância, apostando em ritmos mais lentos, gestos amplificados e estímulos sensoriais que respeitam o tempo e a percepção dos pequenos espectadores. Bellas retorna recentemente da Europa, onde participou de um festival de dança, trazendo novas investigações sobre movimento, presença e proxêmica, que enriquecem a dimensão performática e afetiva do espetáculo.

A visualidade de Abraça é assinada por Francisco Leite, responsável por cenário, figurinos e adereços. Inspirada nos bordados e nas delicadezas do interior nordestino, a estética do espetáculo evoca memórias afetivas e gestos de cuidado. “Quando penso em Abraça, é como se eu estivesse decorando o quarto do meu filho, costurando cada detalhe com amor”, revela o artista. O resultado é um ambiente íntimo e acolhedor, que convida as crianças a explorarem cores, formas e texturas com curiosidade e segurança.

Um dos grandes destaques da encenação é Ciça, uma cobra de pano com quase oito metros de comprimento, personagem central da narrativa. A supervisão da animação fica a cargo da manipuladora Marise Nogueira, garantindo precisão, fluidez e segurança para que a cobra ganhe vida aos olhos do público infantil, tornando-se presença lúdica e afetuosa em cena.

O espetáculo

Voltado à primeira infância, Abraça investiga temas psicomotores e sensoriais, explorando estímulos táteis, sonoros e afetivos. A criação passou por dois laboratórios distintos, com a participação direta de crianças de uma escola pública e de uma creche privada, que interagiram com Ciça e ajudaram a moldar o tempo, o comportamento e os estímulos da personagem. Esses encontros foram fundamentais para compreender como as crianças lidam com o desconhecido, o medo e o encantamento.

Com linguagem lúdica e acessível, o espetáculo aborda o medo do diferente e a possibilidade de transformá-lo em vínculo, confiança e afeto. Aquilo que inicialmente assusta, aos poucos se revela terno, curioso e acolhedor, criando uma ponte entre imaginação e realidade.

A encenação incorpora texto autodescritivo e sinais de Libras de forma orgânica à narrativa. Durante o processo criativo, um episódio marcou profundamente a autora: sua sobrinha, ainda pequena, passou espontaneamente a reproduzir um sinal em Libras. “Foi quando entendi que as crianças se adaptam naturalmente a novas formas de comunicação”, conta Paty. A acessibilidade do espetáculo conta com a contribuição de Analu Faria e Christofer Moreira, garantindo uma experiência inclusiva e respeitosa para todas as crianças e famílias.

A trilha sonora original é assinada por Karina Cavalcanti, que criou uma musicalidade suave, contínua e acolhedora, pensada especialmente para respeitar o ritmo interno das crianças, incluindo aquelas neurodivergentes, que respondem melhor a estímulos sonoros não abruptos.

Sinopse

Uma menina passa o dia em uma cabana em meio à natureza. Com curiosidade e delicadeza, ela apresenta às crianças pequenos insetos, objetos encantados, texturas e sons do ambiente. De repente, um ruído vindo da mata desperta o medo: seria uma cobra? Entre o susto e a curiosidade, a menina decide se aproximar. Aos poucos, descobre que aquilo que parecia assustador pode ser terno, divertido e cheio de possibilidades. Daí nasce uma amizade improvável, que convida o público a explorar sons, ritmos, texturas e afetos que fazem parte da infância — e da vida. Abraça é um convite a sentir, tocar, ouvir e olhar com atenção, transformando o medo em afeto.

Leve sua canga e prepare-se para sentar bem pertinho dessa aventura.

Serviço

Teatro Guignol da Tijuca

Praça Comandante Xavier Brito

Domingo – 18/11/2026

Horário: 16h

Classificação: Livre

Entrada: GRATUITA

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