‘Tá na Rua’ realiza os tradicionais cortejos de Yemanjá e Zé Pilintra

Começando o ano em parceria com o Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, a instituição garante a realização de suas apresentações de rua e oficinas ao longo de 2026

por Redação
‘Tá na Rua’ realiza os tradicionais cortejos de Yemanjá e Zé Pilintra

Com quase meio século de muito teatro e manifestações culturais, o Grupo Tá na Rua começa o ano de 2026 com suas celebrações garantidas através do projeto Tá na Rua 45 Anos – Reciclando as Estruturas, contemplado pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas. Como eventos que são parte integrante deste pacote, abre o mês no dia 02 de fevereiro às 15h o Cortejo de Yemanjá, tendo na sequência o Bloco do Seu Zé no dia 07 de fevereiro a partir das 19h. Em paralelo estarão acontecendo as Oficinas de Carnavalização do Teatro (gratuitas, às terças e quintas-feiras até o dia 10 de fevereiro na sede do Tá na Rua, na Lapa).

A 16ª edição do Cortejo de Yemanjá parte da sede do grupo, nos Arcos da Lapa, e segue até a Praia do Flamengo, onde será entregue um balaio com oferendas à rainha do mar. Durante todo o trajeto o público presente participa ao som de músicas da MPB que se referem diretamente à orixá ou que remetem a uma temática marítima. Poucos dias depois é a vez do Bloco do Seu Zé circular pela Lapa, saindo da Casa do Tá na Rua em direção à Escadaria do Selarón. No trajeto, saúda o Santuário de Zé Pilintra e segue pela Rua Joaquim Silva ao som de músicas próprias, compostas por atores compositores do grupo. Da Escadaria retorna para a sede cantando marchinhas de Carnaval, finalizando na porta de casa com intensa participação popular do início ao fim. Esta será a 18ª edição do Bloco.

O projeto Tá na Rua 45 Anos – Reciclando as Estruturas, que compõe a rede de ações artísticas brasileiras fomentada pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, é executado pela Fundação Nacional de Artes, entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo do Brasil. A instituição fundada por Amir Haddad conseguiu o aporte para realizar sua manutenção e financiar suas ações culturais populares, abarcando as apresentações de rua relacionadas ao calendário cultural, as oficinas para a comunidade externa, os processos de formação e capacitação nos campos artístico, técnico e administrativo para a equipe de trabalho, a salvaguarda do acervo documental e a manutenção do espaço físico, contribuindo para uma maior acessibilidade do local da sede.

“Com o aporte da Funarte todas as nossas ações serão potencializadas. O objetivo maior é o fortalecimento do grupo, que impacta diretamente ao que proporcionamos ao público. Será possível manter maior presença nas ruas, circular melhor pela cidade sempre que possível e necessário, de forma mais qualificada”, resume Luciana Pedroso, artista do Grupo Tá na Rua. A parceria colabora ainda para que o grupo volte seus olhares pra dentro, contribuindo para que os atores tenham um maior tempo de qualidade para desenvolver o seu trabalho com a linguagem, com a comunidade ao redor e com o mundo.

Com o incentivo, os festejos populares do Tá na Rua estão garantidos – todos em comunhão com datas religiosas, como as celebrações de São Jorge, São Cosme e São Damião e o tradicional Auto de Natal. Para quem estranhar a recorrente junção do profano com o sagrado praticada pelo Grupo, cabe a explicação. A linguagem de carnavalização do Tá Na Rua foi desenvolvida sobre três pilares essenciais: o futebol, que se refere ao jogo teatral improvisado, vivo e coletivo; o carnaval e a cultura religiosa.

“A ‘cultura religiosa’ é algo muito prevalente na vida brasileira e suas manifestações são de uma diversidade e riqueza cultural enormes, tendo sido inspiração para o Tá Na Rua enquanto buscávamos criar uma linguagem teatral popular. O Reisado, o Maracatu, a Congada e até mesmo as procissões católicas são liturgias em forma de cortejos. Baseado nisso, o Tá na rua cunha o termo LITURGIAS CARNAVALIZADAS, onde o sagrado e o profano se encontram numa manifestação teatral. Assim são nossos cortejos”, resume Luciana.

Ainda de acordo com a fala de quem participa há anos do Grupo, a carnavalização é um recurso que permite, através da quebra da seriedade e do riso, a relativização de todo e qualquer discurso autoritário, possibilitando uma abordagem distanciada e a livre manifestação. “O que foi muito importante para se criar um teatro capaz de driblar a censura e o autoritarismo, como também a desenvolver uma linguagem que tem como base uma visão de mundo diferenciada, transformadora, procurando mostrar que ‘as coisas são assim, mas elas podem ser diferentes’”, encerra Luciana Pedroso.

SERVIÇO

Cortejo de Yemanjá

  • Quando: 02 de fevereiro
  • Horário: 15h
  • Local: Saindo da Casa do Tá na Rua em direção à Praia do Flamengo
  • Endereço: Av. Mem de Sá, 35 – Lapa

Bloco do Seu Zé

  • Quando: 07 de fevereiro
  • Horário: 19h
  • Local: Saindo da Casa do Tá na Rua em direção à Escadaria Selarón
  • Endereço: Av. Mem de Sá, 35 – Lapa

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