Em 1940, quando o maestro José Siqueira fundou a Orquestra Sinfônica Brasileira, talvez não imaginasse que estava escrevendo as primeiras notas de uma jornada musical grandiosa que se mesclaria e reverberaria na própria história do país. E para celebrar esses 85 anos de música, nada mais adequado que uma Temporada 2025 festiva que se firma como uma verdadeira ponte entre tempos: ao mesmo tempo que reverencia seu precioso legado, projeta novos horizontes para a música sinfônica. Abrindo o ciclo, a OSB se apresenta no dia 12 de março, no Teatro Carlos Gomes, com um programa dedicado à presença feminina na música. Sob a regência da maestra Jhoanna Sierralta, o programa é composto por “Viagem ao vento”, obra de Marisa Rezende estreada pela OSB em 2008 no âmbito das comemorações dos 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil; “Concerto para violoncelo nº1”, de Grazyna Bacewics, com a violoncelista da OSB Emília Valova como solista, e “Sinfonia Gaélica”, de Amy Beach.
Raridade à época, a OSB já nasceu com mulheres ocupando suas estantes. E hoje o cenário não é diferente. A presença feminina na música segue sendo um compromisso da instituição e não será percebida apenas no concerto de abertura da temporada. Em 2025, o tema alcança uma dimensão histórica com um número recorde de obras assinadas por mulheres em sua programação. O repertório, criteriosamente selecionado, celebra a genialidade sinfônica de compositoras que atravessam diferentes épocas – de pioneiras do século XIX como Louise Farrenc e Emilie Mayer, passando por Amy Beach, Florence Price, Grace Williams e Grazyna Bacewicz, até criadoras contemporâneas como Joan Tower, Marisa Rezende, Ethel Smith, Clarice Assad e Salina Fisher. Esta celebração do protagonismo feminino se estende para além do repertório: ao longo do ano, o conjunto receberá artistas convidadas de expressão internacional, como as maestras Jhoanna Sierralta (Venezuela), Zoe Zeniodi (Grécia) e a pianista brasileira Erika Ribeiro, além de destacar o talento de suas próprias instrumentistas em performances como solistas.
Ao longo de mais de oito décadas de atividades, a OSB atravessou momentos cruciais e testemunhou transformações profundas na sociedade, consolidando-se como uma instituição indispensável na formação cultural do Brasil. Sua impressionante trajetória foi construída sobre pilares que definem sua identidade até hoje: como orquestra profissional, estabeleceu padrões de excelência que a levaram a colaborar com alguns dos maiores nomes da música mundial e a se apresentar nas mais prestigiosas salas de concerto no Brasil e no exterior; como instituição democrática, revolucionou o acesso à música clássica através de iniciativas pioneiras como o Projeto Aquarius, que transformou espaços públicos em salas de concerto a céu aberto, e os Concertos para a Juventude, que desde 1943 aproximam novos públicos da música sinfônica; como centro de formação musical, tem sido incansável em sua missão educativa, preparando gerações de músicos e desenvolvendo projetos que leva a formação musical a milhares de jovens em diversos estados.
Ao completar 85 anos, a OSB entende que sua história não é apenas um relato do passado, mas um projeto em permanente construção. Cada concerto, cada nova obra apresentada, cada iniciativa artística e educacional representa um passo adiante na missão de fazer da música um instrumento de transformação social. A temporada 2025 celebra essa trajetória não apenas reafirmando o compromisso da orquestra com a excelência artística, mas sobretudo reconhecendo que o futuro da música se constrói hoje, tanto na sala de concerto quanto na sala de aula, no encontro entre gerações e no diálogo constante com a sociedade. É assim que a OSB segue escrevendo sua história: como uma instituição cujos olhos se voltam simultaneamente para o passado e para o amanhã. “Mais do que comemorar o aniversário de uma orquestra, queremos falar sobre o valor desta instituição como um componente da formação da história do país. Certos de que com esse reconhecimento, vem a responsabilidade sobre a construção do futuro, o que para nós, hoje, começa pela sala de aula. Acreditamos que a música tem que estar na escola e que toda transformação depende da educação de seu povo”, diz Ana Flávia Cabral Souza Leite, vice-presidente executiva da Fundação OSB.
Temporada 2025 terá 44 concertos distribuídos em cinco séries temáticas
Os 85 anos da OSB contarão com 44 festas. 44 concertos, divididos em cinco séries que, no Rio de Janeiro, ocuparão o Teatro Carlos Gomes, Theatro Municipal, Sala Cecília Meireles e Cidade das Artes. Já em São Paulo, a orquestra estará de volta ao Teatro Cultura Artística. Para conduzir a orquestra nessas apresentações, maestros convidados conhecidos de longa data e também primeiros encontros. Claudio Cruz, Stefan Geiger, Marcelo Lehninger, Enrique Diemecke, Roberto Tibiriçá, Carlos Vieu, José Soares, Miguel Campos Neto, Javier Logioia e Guilherme Mannis são mais alguns nomes que estarão à frente da OSB em 2025.
Se é através do talento e da dedicação de seus músicos que uma orquestra encontra sua verdadeira voz, nada mais justo do que, em um ano tão especial, homenagear os artistas por trás dos instrumentos. A Série OSB 85 anos celebra a excelência de seu conjunto ao revisitar obras monumentais de sua trajetória. O programa inclui algumas das páginas mais ambiciosas do repertório sinfônico: as Sinfonias nº5 e nº7 de Gustav Mahler – esta última considerada uma de suas criações mais enigmáticas -, a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz, O Pássaro de Fogo de Igor Stravinsky, além de composições de Béla Bartók e Dmitri Shostakovich. São composições que desafiam os músicos não apenas tecnicamente, mas sobretudo em seu aspecto interpretativo, demandando uma profunda compreensão musical de cada instrumentista. A celebração se estende através da já consagrada Série Músicos da OSB, que evidencia a versatilidade do conjunto em apresentações camerísticas, este ano com obras de Brahms, Poulenc, Schoenberg, entre outros. Cinco músicos da OSB atuarão como solistas ao longo da temporada: as violinistas Gabriela Queiroz e Priscila Rato, a violoncelista Emília Valova, o trombonista Eduardo Machado e o timpanista Rodrigo Foti.
E o mergulho em diferentes culturas proposto pela Série Mundo está de volta em 2025. Desta vez, oito países terão suas riquezas musicais celebradas: Estados Unidos, Áustria, Alemanha, Inglaterra, Argentina, Dinamarca, França e Brasil.
2025 traz ainda duas novidades especiais: o retorno da OSB ao Teatro Cultura Artística, em São Paulo, e uma renovação dos históricos Concertos para a Juventude. O reencontro com o palco paulista marca a retomada de uma parceria que teve início em 1952 e que, ao longo de quatro décadas, produziu mais de sessenta espetáculos memoráveis. Para celebrar esse retorno, a Série OSB Cultura Artística terá início com o mesmo repertório de sua estreia no teatro. Já os Concertos para a Juventude, que desde 1943 promovem a popularização da música sinfônica através de espetáculos descontraídos a preços populares, ganham em 2025 uma nova proposta, com obras pensadas especificamente para introduzir o público à magia dos instrumentos, tais como Pedro e o Lobo de Sergei Prokofiev, O Guia da Orquestra para os Jovens, de Benjamin Britten, e Brincando de Orquestra, de Tim Rescala.
Uma festa da Orquestra Sinfônica Brasileira não poderia estar completa sem a presença expressiva da música nacional. O compromisso com os criadores do país, que sempre esteve no centro das atividades do conjunto – seja através de encomendas, estreias ou apresentações do repertório consagrado – segue em foco ao longo de 2025. A programação traz obras de Clóvis Pereira, Francisco Braga, Alberto Nepomuceno, Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Tim Rescala, Ney Rosauro, das já citadas Marisa Rezende e Clarice Assad, e José Siqueira. Como pontos altos das comemorações, a OSB apresentará ainda a primeira audição de uma obra de Sérgio Assad especialmente encomendada para a celebração dos 85 anos, e “Raízes”, de Clarice Assad, da qual a OSB participou do consórcio da encomenda.
Também está na agenda de 2025 uma comemoração coletiva: as celebrações dos 85 anos da OSB e dos 100 anos do Jornal O Globo prometem para o Rio de Janeiro uma edição histórica do Projeto Aquarius. Ao longo do ano, o público também poderá conferir o resultado de uma parceria com a artista visual Ana Coutinho. As obras, que ora serão pintadas ao vivo nos concertos e ora aparecerão como cenografia das apresentações, irão explorar novas formas de registrar a passagem do tempo.
Confira aqui a programação completa do primeiro semestre
Compromisso educacional da OSB permanece vigoroso em 2025
Aos 85 anos, a OSB reafirma seu compromisso social e educacional, ultrapassando as barreiras de sua vocação artística, através de importantes iniciativas. O Conexões Musicais, que desde 2017 já passou por 38 municípios em 11 estados do país, seguirá expandindo seu alcance este ano, promovendo o acesso à cultura e à informação por meio da educação musical e reafirmando seu papel na democratização da música de concerto. Entre as atividades oferecidas estão aulas de instrumentos com músicos da OSB, classes de canto coral em escolas públicas e concertos didáticos.
O programa, que já conta com polos fixos em municípios da Baixada Fluminense e na cidade de São Paulo terá também atuação contínua em Barra do Piraí (interior do RJ), no interior de Minas Gerais (Juiz de Fora e Betim) e no interior de São Paulo (Mauá, Bragança e Vargem). No formato itinerante, o Conexões Musicais estará presente em Manaus (AM), Penedo (AL) e na cidade do Rio de Janeiro. A parceria com o programa Vale Música avança por mais um ano, levando os músicos da OSB para ministrar aulas em Belém (PA), Corumbá (MS) e Serra (ES) e trazendo estudantes desses músicos para o Rio em dois formatos: Imersão Artística, na qual os jovens de cada polo passam uma semana no Rio recebendo aulas, assistindo a ensaios e até tocando em concertos; e Residência Vale Música, na qual três jovens selecionados passam seis meses junto com a OSB participando intensamente de toda a rotina da orquestra: Aulas, ensaios, concertos e programações especiais.
A Incubadora Conexões Musicais também já está com sua edição 2025 garantida. Voltada a pequenos projetos socioculturais dos municípios de Japeri, Paracambi, Nova Iguaçu, Queimados, Duque de Caxias e adjacências, no estado do Rio de Janeiro, a iniciativa tem como objetivo potencializar a atuação dos mesmos. Os empreendedores selecionados têm a oportunidade de melhorar suas práticas, aprender técnicas de elaboração de orçamento, captação de recursos em editais e leis de incentivo à cultura, entre outras atividades que os permitam se aperfeiçoar e aumentar seu impacto nos territórios em que atuam.
OSB Jovem terá 10 concertos em 2025
Complementando esse cenário de formação, a OSB Jovem continuará firme em sua proposta de renovar o cenário musical brasileiro. A iniciativa histórica, retomada em 2023, oferece aos músicos em início de carreira a estrutura necessária para uma experiência completa de formação, combinando aperfeiçoamento técnico, ampliação de repertório e mentoria com músicos experientes. Além da vivência no ambiente orquestral, o projeto incentiva o desenvolvimento de cidadãos sensíveis à preservação da cultura musical brasileira, à consciência ambiental e ao combate às diferentes formas de desigualdade.
Este ano, a temporada da orquestra jovem conta com uma novidade: Programas baseados em temas como espiritualidade, ancestralidade, respeito, afetividade, solidariedade, memória, superação, amizade e futuro. O repertório promove uma jornada musical pelos séculos, abraça diferentes estilos e culturas e equilibra tradição e inovação, destacando compositoras como Ethel Smyth, Emilie Mayer e Alice Mary Smith, ao lado de ícones como Mozart, Beethoven e Tchaikovsky, enquanto a música brasileira também marca presença com compositores como Villa-Lobos e Nepomuceno, reafirmando a missão da OSB Jovem de unir o clássico ao contemporâneo, fortalecendo o cenário da música de concerto no país.
Saiba mais em
Concerto de abertura da Temporada 2025:
Mulheres na Música
- Jhoanna Sierralta, regência
- Emília Valova, violoncelo
PROGRAMA:
MARISA REZENDE – Viagem ao vento
GRAZYNA BACEWICZ – Concerto para violoncelo nº1
- Allegro non troppo
- Andante tranquillo
- Finale: Allegro giocoso
– INTERVALO –
AMY BEACH – Sinfonia Gaélica
- Allegro con fuoco
- Alla siciliana – Allegro vivace
- Lento con molto espressione
- Allegro di molto
SERVIÇO:
- Abertura da Temporada 2025 | Concerto Mulheres na Música
- Dia 12 de março (quarta-feira), às 19h
- Local: Praça Tiradentes s/nº – Centro – Rio de Janeiro
- Ingressos: R$60,00 (R$30,00 meia)