De 6 de fevereiro a 29 de março de 2026, o Futuros – Arte e Tecnologia recebe a performance transmídia “A Cuca”, que invoca a personagem icônica da cultura brasileira em uma obra sensorial que reflexiona sobre que mundo deixaremos para as próximas gerações. A concepção do novo espetáculo teatral de Renato Rocha, um artista multilinguagem de carreira internacional, parte de uma pergunta provocante: “Papai, quando eu crescer, o mundo ainda vai existir?”. O que acontece quando uma filha pergunta isso a um pai? O que um artista faz quando percebe que o futuro deixou de ser uma abstração e passou a ter nome, rosto e voz? Que o futuro na verdade é o agora. A Cuca, como performance transmídia, marca o retorno de Renato Rocha à cena como performer após 14 anos afastado dos palcos. Neste solo performático, a Cuca que Renato se torna não assusta. Ela chama. Ela guarda. Ela pergunta. E nos obriga a escutar.
A pergunta foi feita por Julieta, então com três anos de idade, durante a pandemia, enquanto seu pai, o artista Renato Rocha, conduzia o projeto Casa Comum, reunindo artistas indígenas de diferentes regiões da Amazônia em encontros virtuais para refletir sobre o planeta como território e lar compartilhado entre todos os seres viventes. No meio de uma dessas reuniões, a pergunta atravessou a sala, a tela e o corpo do artista — e nada mais foi o mesmo. É desse abalo íntimo que nasce A Cuca, projeto multilinguagem que transforma angústia em rito, e rito em obra. Um trabalho que cruza performance, teatro, carnaval, ancestralidade, artes visuais, literatura, vídeo e música para imaginar — com urgência poética — quais mundos ainda podem ser deixados para as próximas gerações.
A Cuca que emerge da obra de Renato Rocha não é a bruxa aterrorizante das cantigas de ninar. Não é a Cuca do Sítio do Pica Pau Amarelo. Não é um dos mitos mais temidos da cultura popular brasileira. É guardiã. É um VISAGE — entidade ancestral presente em diversas culturas indígenas, invocada em rituais de transmissão de saber e memória. Guardiã da floresta, jacaroa, figura feminina demonizada pela cultura ocidental, a Cuca é ressignificada como elo entre tempos, gerações, mundos, corpos e linhagens. Convoca o passado para imaginar futuros possíveis e modificar o agora.
“Nesta obra, a Cuca se torna um espírito do carnaval mangueirense, minha escola de coração. Ao vesti-la, encarno a Cuca, me torno um visage, um ancestral, e invoco minha avó Osmida, pernambucana, costureira e bordadeira que migra para o Rio de Janeiro em busca de sobrevivência. Assim, o traje torna-se pele–habitat–parangolé, costurando passado, presente e futuro numa mesma presença simbólica.” – Renato Rocha
A criação atravessa o retorno de Renato ao Brasil em 2016, em meio às turbulências políticas do país, o nascimento de Julieta em 2018 e sua longa história no carnaval carioca, marcando uma virada em sua trajetória: uma arte cada vez mais comprometida e engajada com as questões da contemporaneidade. A pergunta da filha transforma-se em motor ético e estético da obra: existirá um mundo habitável daqui a 30 anos ou estamos nos aproximando do fim? Mais do que um personagem, a Cuca é um organismo artístico em expansão. Já realizou duas aparições públicas no carnaval do Rio de Janeiro, incluindo uma intervenção no entorno do Sambódromo, passagem pela Sapucaí, desfiles no Boi Tolo, Boitatá e no Bloco Tecnomacumba. As imagens dessas aparições — entre rito, cortejo e insurgência poética — integram o material audiovisual do projeto.
Reconhecido internacionalmente por sua trajetória em grupos como a Intrépida Trupe e o Nós do Morro, e por trabalhos desenvolvidos em mais de 14 países com instituições como a Royal Shakespeare Company, Circolombia, LIFT Festival, BAM e Roundhouse, Renato Rocha constrói, em A Cuca, uma síntese radical de sua pesquisa artística: uma obra que nasce do afeto, atravessa o mito e desemboca na urgência política do nosso tempo.
Ficha Técnica
- Criação Cuca, dramaturgia, direção e performance: Renato Rocha
- Interlocução artística: Valéria Martins e Márcio Vito
- Trilha sonora de Renato Rocha, a partir de músicas de Daniel Castanheira e Felipe Habibi
- Iluminação: Paulo Denizot
- Videografismo: Plínio Hit
- Colaboração videografismo: Breno Buswell
- Assistência de videografismo: Crísia
- Participação em vídeo: Xauãna Pataxó
- Operação multimídia: Arthur Souza
- Captação de imagens e edição de vídeo: Breno Buswell e Pedro Guaraná
- Registro em vídeo: Breno Buswell
- Colaboração trajes e indumentárias: Tarsila Takahashi
- Adereços luminosos: O aramista
- Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela
- Produção: Galharufa Produções Artísticas
- Assistência de Produção: Karina Campos
- Fotos e teasers: Bruna Zaccaro
- Design Gráfico, Mídias sociais, marketing digital e parceria institucional: Lead Performance
- Assessoria de imprensa: Ney Motta
- Coordenação geral do projeto: Renato Rocha
- Realização: RR Produções Artísticas
- Co-realização: Futuros – Arte e Tecnologia
Serviço
A Cuca
- Futuros – Arte e Tecnologia
- Rua Dois de dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro (próximo ao Metrô Largo do Machado)
- Informações: (21) 3131-3060
- Temporada: 06 de fevereiro até 29 de março de 2026, quinta à domingo às 19h
- Ingressos: R$60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia entrada)
- 16 anos
- 55 minutos
“Pedrinhas Miudinhas”, adaptação teatral inspirada na obra do historiador Luiz Antônio Simas, inicia nova temporada no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto

Pedrinhas miudinhas – Foto: Foto de Gabriel Garcia
Mais nova criação da Cia Teatro Esplendor, o solo inédito “Pedrinhas Miudinhas” é interpretado pelo ator Ricardo Lopes, com direção de Bruce Gomlevsky e dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho. O espetáculo tem como ponto de partida o livro “Pedrinhas Miudinhas – Ensaios Sobre Ruas, Aldeias e Terreiros”, coletânea de 43 ensaios do escritor e historiador Luiz Antônio Simas, além de apresentar outros textos de obras recentes do autor, propondo assim um mergulho nas raízes da cultura popular brasileira. Essa é a primeira vez que uma obra de Simas é adaptada para os palcos, com estreia no dia 23 de janeiro, na Sala Preta do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto.
A obra percorre temas como religiosidade, samba, forró e futebol, além de homenagear figuras emblemáticas como Garrincha, Noel Rosa e Jackson do Pandeiro. Em “Pedrinhas Miudinhas”, lançado em 2021, Simas reflete sobre festas populares, afetos urbanos e os saberes cotidianos característicos da sua prosa poética, e faz parte do novo repertório dos 15 anos da Cia Teatro Esplendor.
“Simas é um grande escritor. E encontramos no Ricardo Lopes um diálogo com essa ancestralidade afro-brasileira, que caiu como uma luva. São temas muito caros a ele, que precisam ser debatidos, como a questão da perseguição religiosa. Ele vai funcionar como um contador de histórias. A peça revela uma escrita que valoriza as manifestações culturais do cotidiano, uma vez que Simas destaca em sua obra a importância das tradições populares e dos saberes populares que moldam a identidade nacional”, explica o diretor, Bruce Gomlevsky.
Os músicos Elias Rosa e Lytho Santana acompanham Ricardo em cena neste projeto que foi contemplado pelo edital Pró-Carioca, programa de fomento à cultura carioca, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura.
FICHA TÉCNICA
- Interpretação: Ricardo Lopes
- Da obra de Luiz Antônio Simas
- Dramaturgia: Daniela Pereira de Carvalho
- Direção: Bruce Gomlevsky
- Músicos: Elias Rosa e Lytho Santana
- Iluminação: Elisa Tandeta
- Cenário e Figurino: Lorena Sender
- Assessoria de Comunicação: Dobbs Scarpa
- Direção de produção: Gabriel Garcia
SERVIÇO
- Temporada: até 08 de fevereiro de 2026
- Dias: sex, sáb, às 19h. Dom, às 18h.
- Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto – Sala Preta (Rua Humaitá 163, Humaitá Rio de Janeiro / RJ)
- Duração: 60 minutos.
- Capacidade: 30 lugares Classificação etária: 12
- Ingressos: R$ 60 (inteira) R$ 30 (meia)
“As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência” em cartaz no TUSP

As Armas Milagrosas – Fotos de Marcelle Cerutti
Segue em cartaz até 08 de fevereiro, no TUSP da Maria Antônia, o espetáculo “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência”, uma adaptação dramatúrgica que articula o metateatro de Luigi Pirandello e a poética anticolonial de Aimé Césaire para criar uma metaficção e discutir o racismo estrutural e suas formas de representação no Brasil contemporâneo.
Durante o ensaio de uma comédia de Pirandello, um grupo de funcionários negros do teatro interrompe a cena e reivindica o direito de narrar a própria história. A partir desse gesto, o espetáculo transforma o palco em campo simbólico de disputa entre personagens/personas brancos e negros, visibilidade e apagamento, representação e existência.
Idealizado e dirigido por Anderson Negreiro e pela diretora colombiana Daniela Manrique, o projeto reúne autores de contextos distintos, mas atravessados por uma mesma questão: o direito à existência e à autoria. A ideia surgiu em 2021, quando o diretor trabalhou com o texto “E os cães se calavam”, tragédia de Aimé Césaire presente na coletânea de poemas “As Armas Milagrosas”. O contato com a obra do autor martinicano, um dos fundadores do movimento da negritude, foi revisitado posteriormente, a partir da releitura do clássico “Seis Personagens à Procura de um Autor”, de Luigi Pirandello.
“Percebi que aquelas personagens que entram pela coxia em busca de um autor, reivindicando a continuidade da própria existência, poderiam ser corpos reais — personagens da branquitude que, mais do que personagens ficcionais, lutam por existir e afirmar sua autoria no mundo”, afirmam os diretores.
Na nova dramaturgia, o diretor substitui as seis personagens originais do texto de Pirandello por personagens presentes na obra de Césaire — o Rebelde, a Mãe e o Coro — representadas como funcionários de um teatro. Essas figuras deixam de ser personagens ficcionais e passam a ser corpos reais, racializados, que reivindicam o direito de existir e de se expressar por meio da arte.
“Pensando nisso, me veio a ideia de trabalhar com conceitos presentes no livro da Lilia Schwarcz, “Imagens da Branquitude – Presença e ausência”, em que ela analisa como as pessoas negras aparecem nas pinturas ao longo das décadas, sempre à margem, no fundo, em perspectiva e quase desaparecendo, enquanto as figuras brancas estão no centro e com muita luz. A partir disso, percebi que a própria luz poderia ser o dispositivo da encenação”, afirma Anderson Negreiro.
A partir das contribuições de Lilia, “Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência” estrutura-se inteiramente a partir da luz. O desenho de luz, criado por Matheus Brant, organiza o espaço em torno de um cubo central iluminado que separa o centro da margem.
“A luz é a dramaturgia que revela a separação dos corpos. É por meio dela que a gente torna visível uma estrutura que normalmente não se vê — o racismo que organiza quem está no centro e quem fica à margem”, afirma Anderson Negreiro.
No interior do cubo estão o Primeiro Ator e a Primeira Atriz, representações alegóricas da branquitude. À margem, permanecem os funcionários negros do teatro — inspirados nas personagens de Césaire — que operam o espaço e tentam atravessar a fronteira luminosa.
Sem cenário fixo, a montagem utiliza um carpete e adereços pontuais, de modo que a iluminação se torna o principal elemento visual e narrativo. A peça se constrói como um ensaio interrompido, em que as figuras negras reivindicam sua presença e impõem novas vozes à cena. O resultado é um teatro de conflito e exposição que desloca as hierarquias entre quem é visto e quem é invisibilizado.
FICHA TÉCNICA
Direção Geral, Idealização e Concepção: Anderson Negreiro | Dramaturgia: Anderson Negreiro | Tradução “As armas milagrosas” e “Os Cães se calavam”: Daniela Manrique | Direção da peça: Daniela Manrique (COLÔMBIA) e Anderson Negreiro (BRASIL) | Elenco: Barroso, Cainã Naira, Caio Silviano, Ciça Barros, Heitor Goldflus, Josy.Anne, Leandro Vieira, Rita Pisano, Angela Ribeiro, Anderson Negreiro | Desenho de Luz: Matheus Brant | Assistência de Iluminação: Filipe Batista | Operação de Luz: Filipe Batista e Matheus Brant | Trilha Sonora: Dani Nega | Musicista Criadora: Josy.Anne | Músicos Criadores: Barroso, Caio Silviano e Gabriel Moreira | Preparação Vocal e Arranjo de Voz: Renato Spinosa | Operação de Som e Vídeo: Tomé de Souza | Microfonistas: Camila Cruz e Adnes Souza | Videografia: Vic Von Poser | Figurino: Éder Lopes | Costureira: Nininha Lopes | Cenografia: Éder Lopes e Anderson Negreiro | Adereços de luz: Renato Banti | Máscaras: Rafael Érnica | Cenotécnico: Rodrigo Cordeiro | Assistência cenotecnia: Samuca | Aula aberta: Judson Forlan G Cabral | Fotografia: Marcelle Cerutti | Designer Gráfico: Jacob Alves | Marketing Digital: Elã Comunicação | Assessoria de Imprensa: Rafael Ferro e Pedro Madeira | Produção Executiva: Éder Lopes | Produção: Corpo Rastreado – Letícia Alves
Serviço
“Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência”
- Temporada de 21 de Janeiro à 08 de Fevereiro de 2026.
- Quarta-feira à Sábado, às 20h | Domingos e Feriados, às 18h.
- Sessões Extras: 30 e 31/01, às 16h | 01/02 às 15h, 06/02, às 16h e 08/02 às 15h
- Ingressos Gratuitos com retirada 01 (uma) hora antes de cada sessão.
- 14 anos | 120 minutos.
Pandora faz uma década com muitos eventos

Com intensa atividade desde 2004 no bairro do Perus, extremo noroeste da cidade de São Paulo, o Grupo Pandora de Teatro é um um dos mais consagrados da cidade. E, para celebrar os 10 anos de funcionamento da sua sede, o coletivo realiza a 11ª edição do Ato Artístico Coletivo Perus. O festival é gratuito e acontece entre os dias 19 de fevereiro e 1º de março.
Passam pelo palco da Ocupação Artística Canhoba (Rua Canhoba, 299 – Perus) grupos tradicionais de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. “Para esse momento tão especial, fizemos uma curadoria com muitos artistas e coletividades parceiras. Comemorar 10 anos da Ocupação é celebrar a força do teatro nas periferias.”, conta a atriz e gestora cultural Thalita Duarte.
Os espetáculos são voltados para os mais diversos públicos. “Tem peças adultas, infanto-juvenis e até um trabalho dedicado aos bebês. Com a Ocupação queremos aproximar a arte do cotidiano das pessoas”, comenta Duarte.
O festival ainda conta com exibição de documentário, oficina de interpretação teatral, um show, um cortejo e uma festança com direito a brinquedões, brincadeiras e até um bolo, sempre valorizando o afeto, o encontro.
Primeira semana – 19 a 22 de fevereiro
O festival tem início com a apresentação de Cícera, do Teatro Contadores de Mentira, no dia 19 de fevereiro, quinta-feira, às 19h. A trama conta a história de uma alagoana que vai a São Paulo em busca de uma vida melhor. Atravessada por cantos de trabalho, relatos e memórias, a obra apresenta uma mulher nordestina em ponto de ebulição, que dança e saúda sua caminhada.
Entre os dias 20 e 22, é a vez de artistas e estudantes interessados em interpretação teatral aproveitarem a oficina Atuação, Presença e Rito com a atriz Tânia Farias, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (RS). Na sexta, a atividade vai das 18h às 22h, e, no sábado e no domingo, das 10h às 13h. Para se inscrever, basta acessar este link aqui: https://forms.gle/meZJMysxKYKLpnQT9. No dia 20 de fevereiro às 14h, apresenta-se também o grupo Zumb.boys, com o espetáculo Dança por Correio.
Sábado, dia 21 de fevereiro, é marcado por duas atrações. Às 16h, o Grupo Unity Warriors apresenta o espetáculo lúdico de dança Dentro, Fora e Cruza, que ressignifica alguns jogos e brincadeiras populares atrelados ao imaginário social. Às 19h, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza a performance de teatro-dança Manifesto de uma Mulher de Teatro, cuja proposta é vociferar contra a engrenagem das violências às quais mulheres são continuamente submetidas.
No domingo, dia 22 de fevereiro, às 17h, o grupo Carroça Teatral (MG) apresenta A Rua, a Lama e a Santa, uma reflexão sobre a tragédia/crime dos rompimentos das barragens de rejeito de minério de ferro nas cidades mineiras de Mariana e Brumadinho. Mais tarde, às 19h, acontece o show da multiartista Aryani Marciano, homenageando a Música Preta Brasileira.
Segunda semana – 26 de fevereiro a 1° de março
A segunda e última semana começa com um espetáculo para bebês. No dia 26 de fevereiro, quinta-feira, às 10h e às 14h, o Grupo Sobrevento encena A casa que espera. A montagem aborda a importância dos laços afetivos e tem como mote a saudade da infância, de sermos filhos e do cuidado recebido dos pais quando pequenos.
Depois, às 19h, tem a exibição do documentário Morro Doce, do Espaço Cultural Morro Doce, seguida por um bate-papo. Por meio de relatos históricos e memórias dos seus moradores, o filme resgata a trajetória desse bairro de São Paulo, que nasceu da ocupação coletiva e da resistência social.
Sexta-feira, dia 27 de fevereiro, tem sessão dupla, às 10h e às 14h, do espetáculo cênico-musical interativo VEM FESTÁ! – Um espetáculo de brincar, do Teatro Girandolá. É uma grande celebração à cultura popular brasileira, com direito a muitas histórias, músicas e brinquedos icônicos.
O último sábado do festival está lotado de atividades, começando às 11h com a Trilogia Sorrir, do grupo Ciclistas Bonequeiros, um teatro lambe-lambe dedicado à valorização do cuidado com a saúde bucal.
Mais tarde, às 14h, é hora de ocupar as ruas com um cortejo conduzido pelo Congo do Embondeiro Queixada. Com tambores, cantos e danças ancestrais, o coletivo retoma as tradições do Congo e da Congada. A iniciativa também conta com a presença do Bloco dos Bonecões de Paulo Farah, e dos pernaltas Eduardo Guimarães, Elidy Moreira, Gleice Kelle, Jennifer Nascimento, Lstorm, Thalita Duarte e Valmir Santanna.
Mas o sábado só acaba com a encenação de Banco do Sonhos, da Velha Companhia, às 19h. A trama revela o universo onírico de uma transtornada atriz à beira da morte.
Por fim, no domingo, dia 1º de março, acontece uma grande festa na Ocupação Artística Canhoba. A partir das 12h, o público pode se divertir com brinquedões, brincadeiras e doces, e com a participação especial dos artistas-brincantes Tatiane Damasceno e Mestre Cesinha, conduzindo brincadeiras tradicionais, de rodas e fileiras, das 13h às 15h. O parabéns e a partilha do bolo encerram as comemorações, às 16h.
Programação completa:
19 DE FEVEREIRO, QUINTA-FEIRA
19h: espetáculo “Cícera” com Teatro Contadores de Mentira
Sinopse: Na mala a alagoana Cícera traz um punhado de farinha, 4 filhas e o sonho de uma vida melhor. Em São Paulo encontra dureza, concreto, fome e saudade. “Cícera” é a história de uma mulher, mas é o retrato da vida de centenas de mulheres retirantes que deixam suas raízes na busca de igualdade social. A anciã, a jovem, a desbravadora, a mãe, a trabalhadora, a que luta por seus direitos. Todas são Cíceras. Atravessada por cantos de trabalho, relatos e memórias a obra apresenta uma mulher nordestina em ponto de ebulição, que dança e saúda sua caminhada. Duração: 75 minutos. Indicação: 12 anos
20 A 22 DE FEVEREIRO, DE SEXTA-FEIRA A DOMINGO
Horário: sexta-feira, das 18h às 21h,e no sábado e no domingo, das 10h às 13h
Atividade: “Oficina Atuação, Presença e Rito” com Tânia Farias (Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz)
Sinopse: Oficina coordenada pela atuadora Tânia Farias, que desenvolve sua pesquisa no Ói Nóis há 30 anos. Sua investigação está relacionada com o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas para que a atriz adquira presença cênica, além da criação de personagens através da codificação de gestos não-cotidianos. Nesta vivência serão investigados o movimento e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço teatral. A ênfase é colocada na corporalidade (em como perceber o próprio corpo) e na concentração (para perceber a outra).. Carga Horária: 9 horas. Indicação: 16 anos. Necessário inscrição através do link: https://forms.gle/meZJMysxKYKLpnQT9
Horário: 20 de fevereiro às 14h
Atividade: “Dança por Correio” com Grupo Zumb.boys
Sinopse: Dança por Correio é uma intervenção artística que carrega a imagem da “entrega” como metáfora em sua criação e desenvolvimento. Com a intenção de atravessar os fluxos cotidianos, as pessoas são convidadas a escolher uma carta e, a partir de seu conteúdo, cria-se o encontro em arte. A abertura do olhar e uma escuta sensível ao outro e ao território orientam os “carteiros”, que saem às ruas movidos pelo desejo de entrega e jogo, permitindo-se saborear esses contextos e entregar-se a pessoas que talvez nunca tenham visto e talvez jamais voltem a encontrar. “Dança por Correio” deseja comunicar-se com os transeuntes, viajantes de sua própria cidade e “turistas” de uma vida que, muitas vezes, permanece não vivida diante do interminável trabalho e da busca pelo conforto. Duração: 40 minutos. Indicação: Livre
21 DE FEVEREIRO, SÁBADO
16h: espetáculo “Dentro, Fora e Cruza” com Grupo Unity Warriors
Sinopse: Um espetáculo de dança que propõe ressignificar alguns jogos e brincadeiras populares que contribuem com a formação do imaginário social. O prazer do brincar está presente em cada cena. Enquanto brincam revivemos memórias e jogos que marcaram as suas infâncias, e o público é convidado a mergulhar nesse mundo dançante, para fazer parte dessa jornada lúdica, educacional e afetiva. Afinal “brincar é coisa séria”. Duração: 40 minutos. Indicação: Livre
19h: espetáculo “Manifesto de uma Mulher de Teatro” com Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.
Sinopse: A performance traz ao centro da arena a vociferação contra a engrenagem de violências às quais mulheres são continuamente submetidas. Trazer mulheres na boca, evocá-las, dizer seus nomes, contar suas histórias é a motivação central dessa ação. As mulheres que cruzam o caminho da atriz estarão compondo o texto manifesto que abraça a performance de Tânia Farias que, como sempre, carrega consigo toda a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Vozes como a de Violeta Parra, Gioconda Belli e da própria atriz, que ousa contar detalhadamente sua história pessoal de violência sofrida e intercruzar com outra real, a de Magó, bailarina, e amiga, barbaramente violentada e assassinada em 2020, ao qual a atriz presta homenagem. Um ato político contra a violência de gênero, intermediado pelas provocações do sensível, capacidades próprias de uma mulher de teatro. Mais uma etapa de construção da reflexão dessa mulher de Teatro num momento tão trágico, de autorização de todo tipo de barbárie contra mulheres, negros, lgbtqia+ e tudo o que o conservadorismo dessa elite atrasada considera uma ameaça ao seu projeto de morte, de não corpo e de não felicidade. Duração: 45 minutos. Indicação: 16 anos
22 DE FEVEREIRO, DOMINGO
17h: espetáculo “A rua, a lama e a Santa” com o grupo Carroça Teatral (MG)
Sinopse: “Minas não tem mar, mas fizeram um mar de lama em Minas. Cadê minha casa que estava aqui?”. Baseado no cancioneiro popular, o espetáculo “A Rua a Lama e a Santa” é uma reflexão sobre a tragédia/crime dos rompimentos das barragens de rejeito de minério de ferro nas cidades de Mariana e Brumadinho – MG. A trama conta a história de um casal apaixonado que, ao superar o coronelismo do pai da moça, é surpreendido pelo rompimento de uma barragem e encontra forças através das tradições afromineiras, em meio aos escombros deixados pela lama. Duração: 40 minutos. Indicação: Livre
19h: show de Aryani Marciano
Sinopse: Um repertório que homenageia a Música Preta Brasileira (MPB), Aryani Marciano traz pela primeira vez, um show de covers que se misturam com suas canções autorais. Cantando de Gilberto Gil a Stella do Patrocínio, a artista compartilha com o público suas principais referências musicais. Duração: 45 minutos. Indicação: Livre
26 DE FEVEREIRO, QUINTA-FEIRA
10h e 14h: espetáculo “A casa que espera” com o Grupo Sobrevento
Sinopse: 4º espetáculo do Grupo Sobrevento voltado à Primeira Infância, a montagem aborda a importância dos laços afetivos em nossas vidas e tem como mote a saudade da infância, de sermos filhos e do cuidado recebido dos pais quando pequenos. A encenação nasce da imagem poética da casa que deixamos para trás ao crescer, mas que continuamos carregando no imaginário — mesmo quando já construímos nossa própria casa e também precisamos, como nossos pais, aceitar a partida dos filhos.
Valendo-se da linguagem do Teatro de Objetos, da qual o Grupo Sobrevento é referência, A Casa que Espera utiliza objetos simples — como bules, xícaras, pratos e um pezinho de hortelã — para revisitar memórias de cuidado, gestos cotidianos e vínculos afetivos que nos formam como pessoas. Duração: 35 minutos. Indicação: 0 a 6 anos
19h: documentário “Morro Doce” com Espaço Cultural Morro Doce
Sinopse: O documentário “Sobre o Morro Doce” resgata, através de relatos históricos e memórias de seus moradores, a trajetória de um bairro de São Paulo que nasceu da ocupação coletiva e da resistência social, com os primeiros registros datando de 1921 e a chegada das primeiras famílias na década de 1950. A sinopse destaca a luta da comunidade por direitos básicos, como a conquista de escolas e postos de saúde, e momentos emblemáticos como o “sequestro do ônibus”, que marcou a reivindicação por transporte público digno. Mais do que um registro histórico, o filme é um exercício de pertencimento e valorização da memória coletiva, propondo uma nova forma de enxergar o Morro Doce: não apenas como um espaço geográfico, mas como um território vivo, construído pelas mãos e histórias de seus moradores. O projeto foi produzido a partir de uma oficina de audiovisual com a própria comunidade, reforçando a importância de reconhecer e defender a história local. Duração: 75 minutos. Indicação: Livre
27 DE FEVEREIRO, SEXTA-FEIRA
10h e 14h: espetáculo “VEM FESTÁ! – Um espetáculo de brincar” com Teatro Girandolá
Sinopse: Vai acontecer uma grande e tradicional festa, uma festa onde cabe todo mundo, gente, bicho, planta, seres encantados, e nós, do Teatro Girandolá recebemos a missão de levar os convidados. A cada convite feito uma nova oportunidade de brincar se apresenta. Histórias, músicas, brinquedos, danças e a cultura popular brasileira sendo celebrada. Simbora, vem festá!!! Duração: 45 minutos. Indicação: Livre
28 DE FEVEREIRO, SÁBADO
11h: espetáculo“Trilogia Sorrir” com Ciclistas Bonequeiros
Sinopse: Uma trilogia de teatro lambe-lambe que aborda de forma criativa e educativa o tema da bucalidade. Esta trilogia leva o público a refletir sobre a importância do cuidado com a saúde bucal, utilizando o formato intimista e encantador do teatro lambe-lambe para transmitir mensagens de prevenção, autocuidado e bem-estar. Duração: 80 minutos. Indicação: Livre
14h: cortejo com Congo do Embondeiro Queixada, Bloco dos Bonecões de Paulo Farah e Pernaltas.
Sinopse: O cortejo será uma vivência rítmica guiada pelas tradições do Congo e da Congada. Com tambores, cantos e danças ancestrais, o grupo Congo do Embondeiro Queixada — formado por moradores de Perus e Anhanguera — transforma a rua em território sagrado e coletivo, reafirmando a força da cultura negra como instrumento de resistência, celebração e transformação social. Acompanhado pelo Bloco dos Bonecões gigantes criados por Paulo Farah, nascidos do encontro entre a cultura popular e a arte contemporânea, que ocupam o espaço público com força visual e presença cênica, despertando encantamento imediato. O cortejo também contará com a performance dos pernaltas Eduardo Guimarães, Elidy Moreira, Gleice Kelle, Jennifer Nascimento, Lstorm, Thalita Duarte e Valmir Santanna. Mais do que um desfile, o cortejo é uma vivência cultural viva e democrática, que valoriza a cultura popular e transforma o ambiente em um território de imaginação, afeto e convivência. Duração: 80 minutos. Indicação: Livre
19h: espetáculo “Banco dos Sonhos” com A Velha Companhia
Sinopse: Banco dos Sonhos revela o universo onírico de uma transtornada atriz à beira da morte.
Em uma rua insone da cidade de São Paulo, a partir da visita de uma inesperada credora, suas memórias e projeções vêm à tona. Quanto custa sonhar? Duração: 80 minutos. Indicação: 14 anos
1º DE MARÇO, DOMINGO
Das 12h às 16h: Festa de Aniversário de 10 anos da Ocupação Artística Canhoba
Sinopse: Brinquedos, brincadeiras e doces. O tradicional “parabéns” para as crianças, famílias e moradores da região. Duração: 240 minutos. Indicação: Livre
Das 13h às 15h: brincadeiras de roda e fileiras com Tati Damasceno e Mestre Cesinha.
Sinopse: Brincadeiras de roda e fileiras, jogos populares que envolvem cantar, dançar e fazer gestos em círculo (roda) ou em linhas (fileiras), através da inspiração nos Festejos Populares brasileiros como Congada, Ciranda, Samba de Coco, Cacuriá, Carimbó. Desenvolvendo musicalidade, coordenação, socialização. Danças de roda Jongo, Ciranda e Fandangos e as de fileira Batuque de Umbigada, Congadas e Moçambique. Duração: 120 minutos. Indicação: Livre
Theatro Municipal apresenta Nação Zumbi em concerto sinfônico celebrando 30 anos do disco Afrociberdelia
Em fevereiro, o Theatro Municipal de São Paulo segue com sua programação dedicada a encontros inéditos entre diferentes linguagens musicais. Nos dias 2 e 3, às 20h, a Sala de Espetáculos recebe Nação Zumbi Sinfônico – Afrociberdelia 30 Anos, concerto especial que celebra três décadas de “Afrociberdelia” (1996), segundo disco da Nação Zumbi da formação com Chico Science e produzido pelo paulistano Eduardo Bidlovski (BID), um álbum histórico e marco do movimento manguebeat. Os ingressos variam de R$30 a R$140 (inteira), classificação livre para todos os públicos, duração de 75 minutos.
Uma das bandas mais celebradas da música brasileira, a Nação Zumbi surgiu no início dos anos 1990, no Recife, então sob o nome Chico Science & Nação Zumbi, e inaugurou a cena Mangue com uma sonoridade que mescla funk, rock, maracatu, embolada, e psicodelia, sendo reconhecida como uma das contribuições mais importantes para a modernização da música brasileira, ao lado da Bossa Nova e do Tropicalismo.
O projeto promove um encontro inédito entre a banda e a Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Wagner Polistchuk, com orquestrações assinadas pelo pernambucano Mateus Alves, em uma criação concebida especialmente para o palco do Municipal.
No palco, Jorge Du Peixe (vocal) lidera a Nação Zumbi ao lado de Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra).
No repertório, a banda toca o disco na íntegra e apresenta versões orquestrais de faixas como Mateus Enter, Etnia, Manguetown, Maracatu Atômico e outras. No Carnaval 2026, a Nação Zumbi será homenageada pela Acadêmicos da Grande Rio no desfile da escola na Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com o enredo “A Nação do Mangue”, dedicado ao movimento Manguebeat.
SERVIÇO
Nação Zumbi Sinfônico – Afrociberdelia 30 anos
- Sala de Espetáculos
- Data e horário
- 02/02 e 03/02, às 20h
Elenco
Nação Zumbi
Jorge Du Peixe, vocal
Dengue, baixo
Toca Ogan, percussão
Marcos Matias e Da Lua, tambores
Tom Rocha, bateria
Neilton Carvalho, guitarra
Mateus Alves, orquestração
Orquestra Experimental de Repertório
Wagner Polistchuk, regência
Ingressos de R$ 30,00 a R$ 140,00 (inteira)
Duração de 75 minutos
Classificação: livre para todos os públicos — sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária
Sou formada em jornalismo pela Universidade Gama Filho, apaixonada por
eventos culturais, em especial o teatro, que nos faz viajar, pensar, sonhar,
sorrir, chorar e amar.