Ao deixar de lado o aspecto religioso e desmistificar a figura de Maria de Nazaré, mãe de Jesus, o espetáculo “ Em Nome da Mãe ” aborda a jornada íntima de uma jovem, pobre, não casada – e grávida – que sofreu todos os preconceitos de uma sociedade conservadora, patriarcal e machista. Em formato de monólogo, apresenta o personagem antes de se tornar santo, como todos a conhecerem na história milenar, escrita por homens, na Bíblia. Ela ganha voz própria e coloca em evidência sua dimensão, não apenas humana, mas também feminina, relatando sua coragem e incertezas, as perseguições, os constrangimentos diante de intrigas e acusações, seus medos e sonhos.
A peça foi idealizada pela atriz e protagonista, Suzana Nascimento, que construiu uma dramaturgia inédita, aprofundando o olhar para o feminino e para a atualidade, tendo como base a obra homônima do premiado autor italiano Erri de Luca. A direção é de Miwa Yanagizawa .
“Em Nome da Mãe” estreou no Rio, em 2024, no Teatro Adolpho Bloch, e agora volta à casa para uma curta temporada , de 10 de abril a 04 de maio. O espetáculo teve sessões lotadas no ano passado, e também recebeu cinco horários no prestigioso Festival Internacional do Teatro de Angra (FITA), conquistando dois prêmios: Melhor atriz e Categoria especial. Na versão audiovisual, em 2022, a A montagem foi premiada no 16º Prêmio APTR, em quatro categorias: espetáculo, atriz, direção e música .
“A peça não tem cunho religioso e traz Maria antes da santa, por um viés íntimo e feminino, que ainda transcende os limites do Cristianismo, ao trazer a ancestralidade feminina de diversas culturas do mundo inteiro”, destaca Suzana.
Durante a nova temporada da peça, o público poderá conferir também a exposição “ No princípio era a mulher ”, no foyer do teatro, na qual Suzana apresenta seus poéticos bordados em folhas de árvore, recolhadas pela atriz em diferentes cidades, e outros materiais que ganham novo significado ao dialogar com a temática do espetáculo. São cerca de 12 obras (grande parte inéditas), criadas especialmente para mostrar. As obras que mesclam arte, poesia visual, afeto, memória, ancestralidade e natureza, fazem parte do projeto Botica de Histórias (@ boticadehistorias ), outra fachada da multiartista.
A Concepção
Em 2015, Suzana Nascimento teve contato pela primeira vez com a obra de Erri de Luca. O livro “Em Nome da Mãe” conta, em primeira pessoa, a história da gestação de Maria de Nazaré, desde o anúncio de sua gravidez imaculada pelo anjo Gabriel até o nascimento de Jesus. Arrebatada pelo livro, a atriz construiu uma dramaturgia para ser encenada, aprofundando o olhar para o feminino e para a atualidade. Na peça, uma jovem mulher ganha voz própria e coloca em evidência sua dimensão não apenas humana, mas também feminina: ela relata sua coragem e incertezas, as perseguições, os constrangimentos diante de intrigas e acusações, seus medos e sonhos.
A montagem fez sua estreia em audiovisual em agosto de 2021, dentro do projeto “Arte em Cena – Temporadas”, em que o Sesc RJ transmitiu espetáculos artísticos em suas plataformas digitais. Em 2022, a peça foi premiada no 16º Prêmio APTR, em quatro categorias : espetáculo, atriz (Suzana Nascimento), direção (Miwa Yanagizawa) e música (Federico Puppi). Contemplado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, o espetáculo foi apresentado em oito unidades do Sesc no estado do Rio de Janeiro, entre abril e maio de 2024.
A obra traz Suzana Nascimento explorando os arquétipos da alma feminina , passando pela virgem, mulher, mãe, feiticeira e anciã, e também os entrelaçamentos dessa narrativa milenar com a sociedade atual, a partir de apontamentos da própria atriz em cena. Com generosas camadas de humor, a apresentação intercala a jornada de Miriam (como Maria é chamada em hebraico) com memórias afetivas da atriz e do coletivo, além de questões da atualidade em relação às mulheres.
“Só existem seis falas atribuídas a Maria em toda a Bíblia. Pouco se escreveu sobre ela. A peça é uma investigação sobre sua jornada íntima, trazendo uma Maria profundamente humana, em plena metamorfose, se apoderando de sua própria história”, conta Suzana.
Exposição “No princípio era a mulher”
O público poderá conferir a exposição “No princípio era a mulher” no foyer do teatro, com obras bordadas em folhas de árvore que fazem parte do projeto Botica de Histórias (@ boticadehistorias ), outra fachada da multiartista Suzana Nascimento.
Mineira, radicada no Rio desde 2000, Suzana vem de uma família de costureiras e bordadeiras que marcaram sua trajetória artística, como apresenta a exposição. São cerca de 12 obras (grande parte inéditas), criadas especialmente para mostrar. Mesclando arte, poesia visual, afeto, memória, ancestralidade e natureza, as obras dialogam com o universo feminino e ancestral do espetáculo.
“Eu as chamo de ‘folhas-filhas’ que caem da ‘mãe’ árvore. A folha cumpriu o ciclo dela. Ela se desprende da mãe árvore e retorna à terra para criar novas coisas. Com essa interferência artística, a folha ganha um novo significado, trazendo a bagagem que tinha antes. Enxergo também como uma metáfora das mães e das filhas”, explica o artista.
Teatro Adolpho Bloch
Localizado no histórico Edifício Manchete, na Glória, Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, o Teatro Adolpho Bloch é palco de momentos célebres de nossa cultura. Desde maio de 2019, o Instituto Evoé é responsável por devolver ao Rio de Janeiro esse espaço icônico, porém ainda mais moderno, transformado num complexo cultural. Graças à genialidade de Niemeyer, que criou um palco reversível, tornou-se possível, em um período desafiador, como a pandemia, promover espetáculos e eventos tanto na área externa, ao ar livre, quanto na interna. Ou nas duas ao mesmo tempo, em formato arena, proporcionando aos artistas, produtores, além dos cariocas e turistas, múltiplas formas de se criar e consumir arte e entretenimento. A construção é um ícone carioca – na arquitetura e na história que carrega.
Único teatro na cidade do Rio de Janeiro que possui um palco reversível, permitindo que o público se acomode na área externa da casa de espetáculos, o Teatro Adolpho Bloch ganhou, em 2021, o formato arena, com capacidade para 359 lugares internos e 120 externos e um palco de 140m², equipado com a melhor estrutura. O espaço abriga ainda bistrô Bettina Café & Arte.
Ficha técnica
- Direção: Miwa Yanagizawa
- Concepção, dramaturgia e atuação: Suzana Nascimento, a partir da obra de Erri de Luca
- Tradução: Federico Puppi
- Figurino: Desirée Bastos
- Cenografia: Desiré Bastos e Jovanna Souza
- Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni e Hugo Mercier
- Direção de movimento: Denise Stutz
- Trilha sonora original: Federico Puppi
- Participações especiais (trilha) Cantoras: Rita Beneditto, Kacau Gomes, Mari Blue, Fernanda Santanna e Alexia Evellyn
- Percussão: Marco Lobo
- Voz da mãe (a própria): Irene Pereira do Nascimento
- Direção de palco: Sabrina Savino
- Operação de som e projetor: Roberto Lucaro
- Design gráfico: Raquel Alvarenga
- Fotografias: Nil Caniné, Elisa Mendes e Júlio Ricardo
- Vídeos: Elisa Mendes e André Hawk
- Edição de vídeos para o palco: Almir Chiaratti – OKOTO Produções
- Gerência de Mídias Sociais: Top na Mídia
- Assessoria de Imprensa: MNiemeyer Assessoria de Comunicação
- Direção de produção: Alessandra Reis e Cristina Leite
- Coordenação geral: SP Nascimento Produções
- Produtoras associadas: AR 27 Produções Artísticas Ltda e SP Nascimento Produções
Serviço:
Em Nome da Mãe
- Teatro Adolpho Bloch – Rua do Russel, 804, Glória, Rio de Janeiro.
- De 10 de abril a 04 de maio de 202
- Quintas, sextas e sábados, às 20h
- Domingo, às 17h
- Vendas