Alerj propõe criação do Diploma Hipólita Jacinta para homenagear mulheres defensoras da democracia

Divulgação

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) poderá instituir uma nova e significativa homenagem às mulheres que se destacam na defesa da democracia e da participação feminina nos espaços de poder. Trata-se do “Diploma Hipólita Jacinta Teixeira de Mello”, proposto pela deputada estadual Tia Ju (Republicanos) por meio do Projeto de Resolução nº 1352/2025.

A iniciativa dialoga diretamente com a simbologia da própria sede do Legislativo fluminense, o Palácio Tiradentes — palco de grandes momentos da história democrática brasileira e que carrega no nome a memória do mártir da Inconfidência Mineira. A Alerj já concede a Medalha Tiradentes, considerada a mais alta honraria do Estado. Agora, com a proposta do diploma, busca também reconhecer o protagonismo de mulheres na construção da democracia.

“Se temos a Medalha Tiradentes como a principal comenda do Estado e o Palácio Tiradentes como sede do Parlamento e símbolo da resistência e da luta por liberdade, é preciso também dar visibilidade às mulheres que, como Hipólita Jacinta, desafiaram o sistema vigente e ajudaram a forjar os ideais democráticos do Brasil”, afirmou Tia Ju.

Hipólita Jacinta Teixeira de Mello foi uma das poucas mulheres envolvidas diretamente na Inconfidência Mineira.

Proprietária rural, estrategista e politicamente engajada, abrigou reuniões conspiratórias em sua casa, financiou o movimento e tentou alertar os inconfidentes mesmo diante da repressão. Como punição, teve seu patrimônio confiscado. Durante décadas, permaneceu esquecida pela história oficial, até ser reconhecida como heroína nacional e ter seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

O diploma proposto será concedido anualmente, em sessão solene a ser realizada no mês de abril, preferencialmente próxima ao dia 27 — data do falecimento de Hipólita, em 1828. A condecoração será destinada a mulheres que se destacam em diversas frentes, como política, justiça, cultura, movimentos sociais, educação e participação comunitária, sempre com foco na promoção dos direitos civis, da equidade de gênero e da democracia.

Para a autora do projeto, a homenagem vai além do mérito individual: “É um gesto de justiça simbólica, reparação histórica e estímulo à ação cidadã contemporânea. Reconhecer Hipólita Jacinta é reconhecer que as mulheres sempre estiveram na linha de frente das transformações sociais do Brasil”, completou Tia Ju.

O projeto já foi publicado no Diário Oficial da Alerj e segue em tramitação nas comissões permanentes da Casa.

Related posts

Clube do Ser realiza mais uma edição no Rio de Janeiro

Escritas Subversivas – Substantivo Feminino estreia festival que transforma a Praça dos Direitos Humanos em um polo de celebração da literatura produzida por mulheres periféricas

Com presença de Carol Barcellos, embaixadora, Luta Pela Paz celebra 25 anos em festa no Museu de Arte do Rio