Alívio no Japão: Profecia viral de terremoto falha e expõe custos da desinformação

Uma onda de alívio varreu o Japão no último sábado, quando uma previsão apocalíptica que circulou massivamente nas redes sociais não se concretizou. A profecia, originada do mangá “O Futuro que Eu Vi” da artista Ryo Tatsuki, previa um terremoto devastador para 5 de julho, gerando semanas de ansiedade e perdas bilionárias para o setor de turismo do país.

A predição detalhava um tremor de proporções catastróficas que romperia o leito oceânico entre o Japão e as Filipinas, provocando tsunamis três vezes maiores que os do desastre de 2011. Contudo, às 4h18, horário previsto para o cataclismo, o país permaneceu em absoluta calma. Mais de 250.000 espectadores que acompanhavam transmissões ao vivo online, aguardando o desenrolar da profecia, testemunharam apenas um nascer do sol rotineiro.

Fim da Profecia, Persistência dos Prejuízos

O fracasso da previsão encerrou um período de intensa apreensão que se estendeu por todo o Leste Asiático, com impacto notável em Hong Kong, Taiwan, China e Coreia do Sul, impulsionado pela viralização em mídias sociais. Uma pesquisa de junho da Sky Perfect JSAT revelou que quase metade da população japonesa tinha conhecimento da profecia, com a notoriedade chegando a 61,4% entre as adolescentes.

“Não podemos permitir que boatos anticientíficos afetem nossa economia”, declarou o governador de Miyagi, Yoshihiro Murai, em um apelo à calma feito pelas autoridades durante a crise. A Agência Meteorológica do Japão classificou a previsão repetidamente como “farsa” e “desinformação”, reforçando que a ciência atual não permite prever terremotos com data e hora marcadas.

Turismo Sofre Impacto Econômico Severo

Os danos econômicos causados pela profecia do mangá foram substanciais. O Instituto de Pesquisa Nomura projetou perdas de até ¥560 bilhões (US$ 3,9 bilhões) devido ao cancelamento de voos e reservas de hotéis. A companhia aérea Greater Bay Airlines, de Hong Kong, chegou a suspender indefinidamente seus voos para Tokushima, no Japão, em resposta à queda abrupta na demanda.

“Eu estava genuinamente preocupada antes”, admitiu Serena Peng, uma turista de Seattle que, influenciada por especulações nas redes sociais, tentou persuadir o marido a cancelar a viagem para Tóquio.

Histórico da Artista Alimentou a Crendice Popular

A credibilidade de Tatsuki, apelidada de “Baba Vanga do Japão”, foi amplificada por seu mangá de 1999, que pareceu antecipar o terremoto e tsunami de Tohoku em 2011, um desastre que resultou em quase 20.000 mortes. A capa da obra continha a frase “grande desastre em março de 2011”, o que levou muitos a considerá-la profética.

Apesar da comoção, especialistas mantiveram a postura cética. Robert Geller, professor de sismologia da Universidade de Tóquio com mais de cinco décadas de estudo na área, frisou a impossibilidade da previsão de terremotos, mesmo com base científica. A ansiedade pública foi intensificada por uma coincidência: mais de 1.000 tremores de baixa magnitude ocorreram perto das Ilhas Tokara, no Japão, nas semanas que antecederam a data da suposta catástrofe, embora sismólogos tenham descartado qualquer relação com a profecia.

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