Anthropic removerá código oculto do Claude Code após descoberta de identificação silenciosa de usuários na China

Empresa confirma funcionalidade embutida no Claude Code que sinalizava conexões associadas à China e promete remover o recurso após repercussão entre desenvolvedores

por Redação
Claude Code

A Anthropic anunciou que removerá uma lógica interna do Claude Code depois que desenvolvedores identificaram um mecanismo que sinalizava silenciosamente usuários conectados da China. A funcionalidade, presente desde abril de 2026, foi confirmada por um engenheiro da empresa após análises técnicas e discussões em fóruns especializados ganharem repercussão no fim de semana.

O episódio levanta questionamentos sobre privacidade, transparência e confiança em ferramentas de inteligência artificial que possuem acesso ao terminal, arquivos locais e repositórios de código dos usuários.

Leia em 30 segundos

Pesquisadores descobriram que versões recentes do Claude Code alteravam discretamente caracteres Unicode e formatos de data para transmitir informações sobre conexões associadas à China. A Anthropic confirmou a existência do recurso e afirmou que ele será removido na próxima atualização. A empresa ainda não explicou oficialmente sua finalidade.

Destaques

  • A funcionalidade existia nas versões do Claude Code a partir da 2.1.91.
  • O mecanismo utilizava técnicas de esteganografia para sinalizar determinadas conexões.
  • A Anthropic reconheceu a existência do código e prometeu removê-lo.
  • O caso reacende o debate sobre transparência em agentes de IA com acesso privilegiado aos computadores dos usuários.
O que foi descoberto Detalhes
Software afetado Claude Code
Versão inicial 2.1.91
Método utilizado Alterações discretas em datas e caracteres Unicode
Quando era ativado Uso de proxy de API não padrão
Critério analisado Fusos horários chineses e domínios/proxies associados à China
Situação Remoção prometida pela Anthropic

Como funcionava o mecanismo oculto

Segundo análises publicadas por pesquisadores de segurança e confirmadas por meio de engenharia reversa do binário do Claude Code, o mecanismo era acionado quando o usuário utilizava um proxy de API não padrão.

Nessas situações, o programa verificava se o sistema estava configurado para os fusos horários Asia/Shanghai ou Asia/Urumqi. Em seguida, avaliava se o endereço do proxy utilizava um domínio chinês ou estava associado a laboratórios chineses de inteligência artificial.

Em vez de enviar essas informações de forma explícita, o Claude Code incorporava pequenos sinais invisíveis no prompt de sistema encaminhado aos servidores da Anthropic.

Entre as alterações identificadas estavam:

  • substituição do formato de data “2026-06-30” por “2026/06/30”;
  • uso de diferentes caracteres Unicode visualmente semelhantes ao apóstrofo;
  • combinação dessas alterações para indicar diferentes categorias de conexão.

Segundo os pesquisadores, os usuários comuns dificilmente perceberiam essas modificações durante o uso do software.

Anthropic confirma o recurso e promete removê-lo

Após a repercussão em comunidades de desenvolvedores e no Reddit, um integrante da equipe técnica da Anthropic, identificado como @trq212, confirmou a existência da funcionalidade.

O engenheiro afirmou que o código será removido na próxima atualização do Claude Code, prevista para ser disponibilizada em curto prazo.

Até a publicação desta reportagem, entretanto, a empresa não havia divulgado uma explicação oficial detalhando por que o recurso foi implementado nem quais políticas internas autorizavam esse tipo de identificação silenciosa.

Segurança contra extração de modelos pode explicar a decisão

Parte da comunidade de desenvolvedores acredita que o mecanismo fazia parte de uma estratégia para combater ataques de model extraction, técnica utilizada para coletar grandes quantidades de respostas de um modelo de IA a fim de reproduzir seu comportamento em sistemas concorrentes.

Essa hipótese coincide com declarações feitas pela Anthropic em junho de 2026, quando a empresa afirmou ter identificado uma campanha massiva de extração atribuída a afiliadas de um laboratório chinês de inteligência artificial.

Segundo a companhia, a operação teria gerado mais de 28,8 milhões de interações com o Claude utilizando cerca de 25 mil contas fraudulentas entre abril e junho de 2026.

A empresa também já havia restringido, em setembro de 2025, o acesso de empresas controladas por grupos chineses aos seus serviços.

Transparência passa a ser uma exigência para agentes de IA

Independentemente da motivação, especialistas defendem que agentes de programação com acesso a arquivos locais, repositórios Git e comandos de terminal precisam operar com elevado grau de transparência.

Para críticos da prática, inserir metadados ocultos nos prompts enviados aos servidores, ainda que com objetivo de segurança, compromete a confiança dos usuários quando esse comportamento não é claramente documentado.

O episódio evidencia o desafio enfrentado pelas empresas de IA: proteger seus modelos contra abusos sem criar mecanismos que possam ser interpretados como formas de fingerprinting ou monitoramento silencioso.

Caso coincide com mudança nas restrições dos EUA

A controvérsia surgiu no mesmo dia em que a Anthropic informou que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos retirou os controles de exportação impostos aos modelos Claude Fable 5 e Mythos 5.

As restrições haviam sido determinadas em 12 de junho de 2026 por razões ligadas à segurança nacional e permaneceram em vigor por algumas semanas.

Embora os dois acontecimentos não tenham relação direta confirmada, ambos refletem o ambiente de crescente tensão geopolítica em torno do desenvolvimento e da proteção de modelos avançados de inteligência artificial.

FAQ

O que foi descoberto no Claude Code?

Pesquisadores identificaram que versões recentes do Claude Code inseriam discretamente sinais em prompts enviados aos servidores da Anthropic para indicar quando determinadas condições relacionadas a conexões chinesas eram detectadas. A empresa confirmou a existência da funcionalidade e informou que ela será removida.

A Anthropic coletava dados pessoais dos usuários?

As análises divulgadas indicam que o mecanismo sinalizava características da conexão, como fuso horário e tipo de proxy utilizado. A empresa não informou oficialmente se esses sinais eram armazenados nem explicou detalhadamente sua finalidade.

Por que a Anthropic teria criado esse mecanismo?

A hipótese predominante entre pesquisadores é que o recurso servia para identificar tentativas de extração de modelos de IA por meio de proxies associados à China. A Anthropic não confirmou oficialmente essa interpretação.

O recurso continuará existindo?

Não. Segundo um engenheiro da Anthropic, o mecanismo será removido na próxima versão do Claude Code.

Você também pode gostar

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Compartilhe
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x
Send this to a friend