Quando a doença de Alzheimer afeta uma pessoa, a dinâmica da sua família também passa por transformações, seja pela carga emocional e psicológica de cuidar de alguém doente, ou pelas mudanças financeiras e sociais que acompanham a situação. Tendo como ponto de partida uma experiência pessoal, quando a condição da avó mudou as relações da sua família, o dramaturgo e diretor Thiago Marinho escreveu a comédia dramática “O Formigueiro”, que volta em cartaz de 12 de janeiro a 04 de fevereiro de 2026, no Teatro Firjan SESI Centro, após temporada esgotada no Teatro Gláucio Gill. Dirigida pelo próprio Marinho e com supervisão artística de João Fonseca, a montagem tem produção geral de Lucas Drummond, que também integra o elenco.
A trama de “O Formigueiro” transcorre num único dia, durante o reencontro de três irmãos para os preparativos do almoço de aniversário da mãe, Gilda, que está nos estágios finais da doença de Alzheimer. Em cena, Lucas Drummond, Roberta Brisson e Rodrigo Fagundes interpretam os irmãos Victor, Joana e Luiz. Em determinado momento do dia, eles recebem a visita inesperada do cunhado Cláudio Márcio, marido da irmã, vivido pelo ator Diego Abreu. Envolvido em um escândalo de corrupção e procurado pela polícia, ele insere mais uma camada de tensão ao que poderia ser somente um aniversário protocolar. O reencontro familiar traz à tona traumas, disputas e um segredo, escondido sob as mentiras guardadas há décadas pela família.
O título da peça surge de um paralelo feito pelo autor entre a doença e a natureza. No formigueiro, há uma certa ordem de status e posições. Mas quando a rainha, genitora de seus súditos, deixa de cumprir sua função de liderança, o caos se instaura e as formigas perdem seu rumo até que uma nova liderança surja. E em uma família não é diferente.
Elenco O formigueiro em cena – Foto Roberto Carneiro
A vontade de abordar o tema vem desde 2017, quando a avó do autor faleceu depois de viver dez anos com Alzheimer. “Eu fiquei pensando em como eu ia abordar o tema. A peça não é sobre a minha avó ou sobre alguém doente, mas sobre como os cuidadores mudam e os papéis dentro da família também vão mudando”, conta Marinho, que não deixou o humor de fora. “A peça se passa em uma cena única em que as situações vão degringolando. Não é pesado o tempo todo, existe muito humor na dor e no desespero. É mais engraçado do que triste”, diz Marinho.
“O Formigueiro” renova a parceria de longa data do ator e produtor Lucas Drummond com Thiago Marinho. Juntos, eles idealizaram e produziram “Tudo o que há flora”; e escreveram, produziram e protagonizaram a peça infantojuvenil “O Pescador e a Estrela”. “Esse é o tipo de peça que faz brilhar os olhos de qualquer ator. Personagens bem escritos, profundos e humanos; uma dramaturgia surpreendente que transita entre o humor e o drama; e na temática, a união das relações familiares, uma questão universal, com o Alzheimer, a doença da contemporaneidade e que merece o olhar atento e delicado que a peça propõe. Ficamos muito felizes com a recepção do público na temporada de estreia e estamos animados com esse retorno. Poder manter um espetáculo em cartaz, no mundo de hoje, é um grande privilégio”, conta Drummond.
O espetáculo ficará em cartaz no Teatro Firjan SESI Centro, de 12 de janeiro a 04 de fevereiro de 2026, às segundas, terças e quartas-feiras, às 19h.
SERVIÇO
Espetáculo: “O Formigueiro”
- Local: Teatro Firjan SESI Centro (Av. Graça Aranha, 1 – Centro)
- Temporada: de 12 de janeiro a 04 de fevereiro de 2026
- Dias e horários: segundas, terças e quartas-feiras, às 19h
- Classificação indicativa: 14 anos
- Duração: 80 min.
- Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
- Vendas online: https://bileto.sympla.com.br/
event/114135/d/353816 - Instagram: oformigueiroteatro
Ficha técnica
- Texto e direção: Thiago Marinho
- Supervisão de direção: João Fonseca
- Elenco: Diego de Abreu (Cláudio Márcio), Lucas Drummond (Victor), Roberta Brisson (Joana) e Rodrigo Fagundes (Luiz)
- Figurino: Luísa Galvão
- Cenário: Victor Aragão
- Iluminação: Felipe Medeiros
- Trilha sonora: Ifátókí Maíra Freitas
- Direção de movimento: Victoria Ariante
- Programação visual: Marcelo Alvim
- Produção geral: Lucas Drummond
- Coordenação de produção: Nathalia Gouvêa
- Produção executiva: Ana Paula Marinho
- Assistente de direção: Mel Carvalho
- Assistente de cenografia: Clarah Borges
- Execução de cenografia: Tessitura Produções Artísticas e Victor Aragão
- Operação de luz: Yasmim Lira
- Operação de som: Thiago Silva
- Contrarregragem: Feliphe Afonso
- Fotografia e vídeo: Costa Blanca Films
- Realização: Ministério da Cultura e Gaulia Teatro.