Após o sucesso da primeira temporada, espetáculo Debandada circula por quatro municípios do Rio de Janeiro

DEBANDADA
DEBANDADA - Foto: Amanda Baroni

Depois de uma temporada de sucesso pelas ruas e espaços populares da cidade do Rio de Janeiro, em 2023, o Coletivo DeBonde retorna aos palcos em circulação por Duque de Caxias, Paraty, São Gonçalo e na capital fluminense, com novas apresentações do espetáculo Debandada

Contemplado no Edital do SECEC, Lei Paulo Gustavo de Incentivo à Cultura, o espetáculo de dança prevê a interação entre público, artistas e espaço urbano, dialogando sobre a exclusão social permeada em locais públicos de grande circulação de pessoas. O projeto busca a pausa como uma brecha de contraposição a pressa, para exaltar a importância da relação com a rua para além do lugar de travessia, mas sobretudo de atravessamentos, encontros, esbarrões, afetos, permanências, movimento e vida.

“O processo é permeado pela troca entre os artistas e os corpos e objetos passantes, que habitam e/ou trabalham nos arredores dos espaços escolhidos para as apresentações. A proposta atuará nas frentes: Performática, Pedagógica e Colaborativa”, explica Dandara Patroclo, uma das diretoras do espetáculo. 

Produzido pela eLabore.kom, o Debandada não é só um espetáculo de dança, mas também uma forma de levar conhecimento através de oficinas formativas, rodas de conversas e articulação local para cada um dos municípios que haverá apresentações. Além disso, o espetáculo objetiva fortalecer o diálogo da arte em movimento com a rua e suas composições em tempo real e evidenciar as danças, músicas, estéticas e culturas populares, marginais e faveladas como arte contemporânea. 

Debandada é um projeto que coloca os espaços públicos e urbanos em foco. A proposta pauta como esses locais ainda carregam dogmas e vestígios de uma sociedade patriarcal eurocêntrica e escravista, que teve em sua estruturação imposições como a ‘Lei de Vadiagem’, que impedia que pessoas pretas circulassem e manifestassem sua arte livremente pela cidade”, analisa Kirce Lima, diretora de produção da montagem.

Diversidade e Inclusão

A maioria de crimes violentos são cometidos contra pessoas negras, periféricas e da comunidade LGBTQIAP+, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Anualmente, uma média de 70% dos assassinatos são cometidos contra pessoas pretas ou pardas, principalmente homens negros. O Brasil também é o país que mais mata pessoas da comunidade LGBTQIAP+, com 273 assassinatos no ano de 2023, conforme dados do Grupo Gay Bahia (GGB), a mais antiga Organização Não Governamental (ONG) LGBT da América Latina.

“Esse histórico mostra que é necessário a permeabilidade de pessoas pretas e LGBTQIAP+ e suas expressões nos espaços urbanos. Elas precisam ser colocadas em questão, assim como a arquitetura desses espaços que foram fundados por esses corpos, como este projeto se propõe a fazer. E somando o fato que o elenco que compõe este projeto faz parte desses grupos, fica explícita a motivação para a construção deste trabalho”, defende Dandara.

O projeto Debandada, por origem, é formado por pessoas periféricas e, visto isso, é impossível perpassar pelo projeto sem que as culturas populares estejam presentes em sua estrutura. O acervo passa pelo carnaval de rua, samba, danças urbanas, o passinho, do funk, jongo, capoeira e o coco. Todas essas linguagens salientam a grande participação da população negra na construção das manifestações culturais do país. 

Para Fábio França, coordenador de produção do espetáculo, Debandada não apenas rompe as barreiras físicas dos teatros, mas democratiza o acesso à arte, oferecendo-a gratuitamente a todos aqueles que, por inúmeras razões, não frequentam as tradicionais salas de espetáculo. 

“A proximidade com o público, a interação espontânea que ocorre em cada performance, ressalta o poder transformador da arte, que aqui, literalmente, toca as pessoas. O projeto Debandada é uma celebração vibrante do potencial humano e da beleza que pode florescer nos espaços mais inesperados”, analisa o coordenador.

Também pensando na inclusão de pessoas com deficiência, o Debandada promove capacitação dos artistas à linguagem de sinais, com aulas para integrar a performance artística, disponibiliza intérprete de Libras integrada nas apresentações e um vídeo de uma apresentação com áudio descrição. 

Oficinas

Além das performances urbanas, o Debandada também conta com a residência artística “Olha o bonde passando”, que compartilha a metodologia de criação do coletivo e convida os participantes da residência a integrarem uma das apresentações no Rio de Janeiro. Ao todo, são 30 vagas abertas a estudantes de movimentos, arte e cultura, sendo 10 delas com bolsa no valor de R$360. 

Outra iniciativa do projeto é o “Volta pra Base”, onde será feita uma ação exclusiva com alunos surdos de uma escola pública no Rio de Janeiro, juntamente com uma apresentação. “A inclusão de pessoas com deficiência é uma das nossas principais contrapartidas no espetáculo porque eles são a parcela da sociedade menos exposta à cultura pelas suas particularidades e levar entretenimento e conhecimento a eles nos dá uma satisfação enorme”, pontua Kirce. 

FICHA TÉCNICA: 

  • Direção e Criação artística: Amanda Gouveia, Dandara Patroclo, Luana Bezerra, Salasar Junior, Tais Almeida e Wagner Cria
  • Produção: eLabore.Kom
  • Direção Musical: Gian Saru e Pablo Carvalho
  • Gravadora: Reurbana
  • Preparação Corporal: Wagner Cria
  • Concepção de Figurino: Sanguessuga
  • Figurino: Debonde
  • Costureira – Artesã: Dayse Almeida
  • Direção de Produção: Kirce Lima 
  • Coordenador de Produção: Fábio França
  • Produtor Executivo: Ruan Peixoto
  • Assistente Administrativo: Jacqueline da Silva
  • Assessoria de imprensa: Alessandra Costa
  • Videomaker e Storymaker: Karineli
  • Fotografias de Divulgação: Amanda Baroni, Gabriel Inácio, Felipe Leitão e Arthur Viana
  • Coordenação de Id Visual: Salasar Junior
  • Identidade Visual: Fefo 
  • Designer gráfico: Fefo e Lagartixa
  • Gestão de Comunicação: Dandara Patroclo e Salasar Junior
  • Libras: Thamires Alves Ferreira
  • Articuladores Culturais: Zulu Gregório, Karla Oliveira e Luara Vieira.
  • Espaços de ensaio e apoio: Calouste, Biblioteca Parque e Centro Cultural Carioca
  • Mídias Sociais: Dandara Patroclo e Wagner Cria. 

SERVIÇOS:

Espetáculo Debandada

10 de maio – São Gonçalo
Praça Doutor Luiz Palmier – Centro

11 de maio – Duque de Caxias
Estátua  Zumbi

Calçadão de Caxias – Av Nilo Peçanha S/N 

14 de maio – Paraty
em frente a Igreja do Rosário 

Largo do Rosário s/n – Centro Histórico

Residência Artística “Olha o Bonde Passando”

Dias 9, 10, 11, 12, 13 e 14  de junho

Centro do Rio de Janeiro

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