Arte pública ocupa escolas do Rio e de Niterói com oficinas culturais

Fórum de Arte Pública - Foto: Clarissa Ribeiro

Nos corredores e pátios do Colégio Pedro II, em Niterói, e do Colégio Estadual Clóvis Monteiro, em Manguinhos, a rotina escolar vai ganhar um novo ritmo — marcado pelos versos de cordel, pelos passos do carimbó e pela energia do palhaço. O projeto Arte Pública nas Escolas, promovido pelo Fórum Carioca de Arte Pública, leva para dentro das unidades educacionais sete oficinas gratuitas com linguagens artísticas que ganham vida nas ruas.

A programação vai transformar o contraturno em território de cultura cidadã. Reúne a oficina de dramaturgia do palhaço brasileiro, com a Escola Livre de Palhaço; o Teatro em Cordel, com Edmilson Santini; o trabalho de criação coletiva “Zona de Criação – Teatro, Tambor e Poesia”, com a Zona Comum de Arte Pública; o projeto “Teatro também se planta”, da Companhia Brasileira de Mysterios e Novidades; a vivência em Teatro de Bonecos, com Fernanda Machado; as Vivências Teatrais, com o Grupo Tá na Rua; e o Carimbó para tod@s, da Kianda Cia Multicultural.

As oficinas serão ministradas de 8 de setembro a 31 de outubro e têm por objetivo aproximar a arte pública da educação básica — além de conscientizar sobre o direito à arte pública, garantido na capital fluminense pela lei municipal 5.429/2012. As inscrições são gratuitas, abertas a toda a comunidade escolar, e podem ser realizadas diretamente na secretaria de cada unidade.

Para Amir Haddad, diretor do projeto e fundador do Instituto Tá na Rua, a iniciativa dialoga diretamente com a essência do teatro:

“Eu não conheço teatro que não seja político. O teatro é uma atividade que só existe em relação à cidade, à polis. Quando ele se fecha em salas e plateias especializadas, vira uma arte morta. O teatro que chega às pessoas é vivo, popular, de todo mundo”, afirma.

A mobilização nas escolas começou antes das aulas: cortejos já percorreram os pátios, como forma de incentivar os estudantes a participar das atividades. Em novembro, os trabalhos produzidos ao longo das oficinas serão apresentados em praça pública. Informativos serão distribuídos para conscientizar a comunidade escolar e o entorno sobre o direito ao exercício da arte pública.

“As políticas públicas para artes de rua ainda são frágeis. Mas quando a escola abre espaço para esse diálogo, ela assume também um papel de resistência e de futuro”, conclui Haddad.

Serviço

Inscrições: todas as oficinas são gratuitas e abertas a toda a comunidade escolar — estudantes, docentes e funcionários das unidades escolares. As inscrições devem ser feitas diretamente nas secretarias das unidades onde acontecem as atividades.

Período de realização das oficinas: de 8 de setembro a 31 de outubro.

Colégio Pedro II – Campus Niterói
Rua Assis Vasconcelos, s/nº – Barreto, Niterói – RJ – CEP: 24110-250
Telefone: (21) 2624-3255 / 3263

Colégio Estadual Clóvis Monteiro
Rua César Marquês, 10 – Higienópolis, Rio de Janeiro – RJ – CEP: 21050-410
Telefone: (21) 2334-7538

Sobre as Oficinas no CPII de Niterói

  • A dramaturgia do palhaço brasileiro (Escola Livre de Palhaço) – segundas, 10h às 12h, início em 08/09.

  • Teatro em Cordel (Edmilson Santini) – sextas, 13h às 15h, de 10/10 a 31/10.

  • Teatro também se planta (Companhia Brasileira de Mysterios e Novidades) – sextas, 10h às 12h, início em 12/09.

  • Carimbó para tod@s – dança e percussão (Kianda Cia Multicultural) – segundas, 13h às 15h, início em 08/09.

Oficinas no C.E. Clóvis Monteiro

  • Teatro em Cordel (Edmilson Santini) – quintas, 10h às 12h, de 11/09 a 02/10.

  • Zona de Criação – Teatro, Tambor e Poesia (Zona Comum de Arte Pública) – terças, 13h15 às 15h15, início em 09/09.

  • Teatro de Bonecos (Fernanda Machado) – quintas, 13h15 às 15h15, início em 11/09.

  • Vivências Teatrais (Grupo Tá na Rua) – quartas, 13h15 às 15h15, início em 10/09.

Fórum de Arte Pública

O Fórum de Arte Pública surgiu em 2012, quando artistas de rua foram impedidos de se apresentar nos espaços públicos do Rio de Janeiro durante o projeto “Choque de Ordem”. A mobilização resultou na criação de um espaço permanente de debate e articulação em defesa do direito ao exercício da arte pública, conquistando a Lei 5.429/2012, que protege o artista de rua.

Desde então, o Fórum realiza encontros semanais, seminários e festivais, reunindo centenas de artistas que atuam em praças da cidade. Juntos, têm oportunidade de discutir o reconhecimento da arte pública como parte essencial da vida cultural e da saúde urbana.

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