Sergey Brin diz que Google contrata “muitos” profissionais sem diploma universitário

O cofundador do Google Sergey Brin afirmou que a empresa tem contratado “muitos” profissionais sem diploma de graduação, descrevendo um perfil que aprende de forma autônoma e resolve problemas fora dos caminhos tradicionais. A declaração foi feita em uma conversa com estudantes de engenharia da Universidade Stanford, durante um evento ligado ao centenário da Escola de Engenharia, e se conecta a uma mudança mais ampla no setor de tecnologia: a redução de exigências formais de diploma e a adoção de processos de recrutamento baseados em competências demonstráveis, em um momento em que a inteligência artificial (IA) reposiciona o valor relativo de credenciais, portfólios e desempenho prático.

Entre 2017 e 2022, a fatia de vagas do Google que exigiam diploma caiu de 93% para 77%. Ao mesmo tempo, pesquisas citam 81% dos empregadores usando contratação por habilidades (56% em 2022), e 94% dizendo que esses contratados superam seleções baseadas apenas em diplomas.

Stanford, autodidatismo e a mudança no “sinal” de talento

Ao relatar a prática de contratar pessoas sem graduação, Brin descreveu que parte desses profissionais “simplesmente descobre as coisas por conta própria em algum canto inusitado”, sugerindo que a empresa passou a reconhecer trajetórias menos lineares como fonte de talento técnico. A fala não elimina o valor da formação acadêmica — o próprio Brin conheceu Larry Page durante os estudos de pós-graduação em Stanford, em 1994 —, mas reposiciona o diploma como um entre vários indicadores, e não como requisito universal.

Na mesma conversa, Brin também alertou contra decisões educacionais orientadas por medo de automação. Ele afirmou que não mudaria de área apenas por acreditar que a IA vai substituir programadores e, ao usar literatura comparada como exemplo, concluiu que a IA “provavelmente é ainda melhor” nesse campo do que em programação. A mensagem, na prática, desloca o debate de “qual curso é mais protegido” para “como desenvolver capacidade de aprender e produzir”, independentemente do rótulo formal.

O que os números indicam sobre a exigência de diploma no Google

Dados do Burning Glass Institute apontam um recuo mensurável na exigência de diploma nas vagas do Google entre 2017 e 2022. O movimento sugere uma revisão do que conta como filtro inicial em processos seletivos e reforça a ideia de que, ao menos em parte das posições, habilidades podem ser aferidas por outros meios — testes, projetos, experiência prática ou histórico de entregas.

Indicador (Google) 2017 2022
Vagas que exigiam diploma universitário 93% 77%

O mesmo recorte de mudanças foi associado, no texto-base, a uma tendência mais ampla: Microsoft, Apple e Cisco também teriam reduzido exigências de diploma nos últimos anos, reforçando um deslocamento setorial de credenciais formais para critérios de capacidade demonstrada.

Contratação por habilidades ganha escala — e chega a outros setores

Além dos números sobre vagas, o material menciona uma aceleração de práticas de contratação por habilidades no mercado como um todo. A referência apresentada é que 81% dos empregadores utilizam abordagens baseadas em competências, acima de 56% em 2022. Também é citado que 94% dos respondentes afirmam que profissionais selecionados por habilidades têm desempenho superior aos escolhidos apenas com base em diplomas.

Esse conjunto de dados sugere duas mudanças simultâneas:

  1. O recrutamento tende a se apoiar mais em evidências de performance (portfólios, projetos, testes práticos, experiências acumuladas).

  2. A “porta de entrada” pode se tornar menos dependente de um credencialismo padronizado, especialmente em áreas em que o trabalho pode ser demonstrado, mensurado e comparado.

No texto-base, Michael Bush, CEO da Great Place to Work, atribui esse deslocamento a um custo de oportunidade: ao exigir diploma como regra, empresas estariam “perdendo grandes talentos” — e, segundo ele, esse movimento “só está crescendo”.

Executivos endossam: diploma não garante eficácia no trabalho

A fala de Brin aparece acompanhada de declarações semelhantes de líderes de empresas fora do Google. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, disse em 2024 que frequentar uma universidade da Ivy League não garante eficácia no ambiente de trabalho e chamou atenção para um descompasso entre currículos e capacidades reais: pessoas podem ser altamente qualificadas em algo que não fica evidente no papel.

No setor de software e defesa de dados, Alex Karp, CEO da Palantir, foi descrito como ainda mais direto em uma teleconferência de resultados: diplomas de instituições como Harvard, Princeton ou Yale perderiam relevância após a entrada na empresa. A formulação aponta para um princípio recorrente em organizações de alta exigência: o que sustenta a permanência e a progressão é o desempenho cotidiano, não a reputação acadêmica anterior.

Por que a IA muda a discussão sobre credenciais — especialmente no início da carreira

O material apresentado liga a reorientação de critérios ao impacto da IA sobre o trabalho, com ênfase no nível inicial. Se ferramentas automatizam partes de tarefas rotineiras e ampliam a produtividade, o valor passa a estar mais ligado à capacidade de formular problemas, iterar soluções e aprender rapidamente — atributos que podem surgir tanto em ambientes universitários quanto em trajetórias autodidatas e técnicas.

Nesse contexto, o diploma deixa de funcionar como filtro absoluto e passa a competir com outros “sinais”: repertório de projetos, capacidade de execução, histórico em comunidades técnicas, experiência prática, e evidências de aprendizado contínuo. A fala de Brin ao dizer que a empresa contratou “toneladas” de pessoas sem graduação — mesmo após “muitas estrelas acadêmicas” — reforça que os dois perfis coexistem, com peso crescente para avaliação do que o candidato efetivamente faz.

O recado ao ensino superior: repensar o papel da universidade

Brin ampliou o alcance do tema ao afirmar que “repensaria o que significa ter uma universidade”. A frase não detalha um modelo alternativo, mas funciona como questionamento direto ao papel histórico das instituições como guardiãs do acesso a oportunidades profissionais.

A implicação, dentro do que foi exposto, é clara: se empresas conseguem identificar e validar talento por meios adicionais — e se parte relevante do mercado passa a premiar competências demonstráveis —, universidades enfrentam pressão para explicitar seu valor além do diploma. Isso pode incluir qualidade de formação, capacidade de pesquisa, ambientes de prática, redes profissionais, e o tipo de experiência que só um ecossistema universitário oferece. O material, porém, não aponta medidas específicas, apenas sinaliza a necessidade de revisão de significado.

Perguntas e respostas

O Google ainda exige diploma universitário para a maioria das vagas?
Entre 2017 e 2022, a proporção de vagas do Google que exigiam diploma caiu de 93% para 77%, segundo dados citados do Burning Glass Institute.

O que Sergey Brin disse sobre contratar pessoas sem graduação?
Ele afirmou que o Google contratou “muitos” profissionais sem diploma e descreveu que alguns “descobrem as coisas por conta própria” em contextos pouco convencionais.

Quais empresas foram citadas como tendo reduzido exigências de diploma?
O material menciona Microsoft, Apple e Cisco como companhias que também reduziram exigências de diploma nos últimos anos.

Como a IA entra nessa discussão, segundo a fala de Brin?
Brin alertou para não tomar decisões educacionais motivadas por medo de automação e sugeriu que a IA pode ser forte tanto em programação quanto em áreas de humanidades, como literatura comparada.

O que os dados citados dizem sobre contratação por habilidades?
O texto afirma que 81% dos empregadores usam abordagens baseadas em habilidades (56% em 2022) e que 94% dizem que esses contratados superam seleções baseadas apenas em diplomas.

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