Carnaval no Sambódromo da Marquês de Sapucaí começa hoje, no Rio

O carnaval no Sambódromo da Marquês de Sapucaí começa hoje (9) com a série A das escolas de samba do Rio. Serão dois dias de apresentações de 13 agremiações na luta pelo título que permitirá a ascensão ao Grupo Especial. Nesta sexta desfilarão a Unidos de Bangu, Império da Tijuca, Acadêmicos do Sossego, Unidos do Porto da Pedra, Renascer de Jacarepaguá e fechando o primeiro dia a Estácio de Sá. No sábado entram na disputa pelo campeonato Alegria da Zona Sul, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos do Viradouro, Acadêmicos da Rodinha, Acadêmicos do Cubango, Inocentes de Belford Roxo e encerrando as apresentações do grupo, a Unidos de Padre Miguel.

A maioria delas já esteve na elite do carnaval carioca. Apenas a Sossego e a Alegria não tiveram ainda esta experiência. Para duas delas o gosto do Grupo Especial tem sabor diferente. Em 1992, a Estácio de Sá foi campeã com o enredo Pauliceia Desvairada – 70 anos de Modernismo, dos carnavalescos Mário Monteiro e Chico Spinoza. Em 1997 foi a vez da Viradouro conquistar o título com Trevas!Luz! A explosão do Universo, com enredo de Joãosinho Trinta. 

Em 2018, a Estácio completa 90 anos e vai levar para a avenida o enredo No pregão da folia, sou comerciante da alegria e com a Estácio boto banca na Avenida, proposto na escola pelo intérprete do samba Serginho do Porto e desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, que está há seis anos na Estácio. 

As dificuldades financeiras este ano bateram forte na escola, mas os problemas foram contornados em grande parte com o apoio da comunidade. “A gente está com a comunidade muito motivada, com um trabalho incrível de voluntariado dentro do barracão. A comunidade foi incrível está acreditando muito nesse campeonato. É o momento da escola, um momento em que a Estácio precisa desse título. São 90 anos de uma escola de muita tradição. O enredo é muito bacana e fala do comércio popular carioca. A gente está esperando muito o título. Claro, que a gente respeita as coirmãs, mas a gente está entrando com humildade para fazer o nosso carnaval e acreditando”, apontou Zanon, de 31 anos, que faz aniversário justamente nesta sexta. 

Para o carnavalesco a participação da comunidade que foi definitiva para realizar o carnaval deste ano. “A gente conseguiu motivar nossa equipe do início ao fim e isso fez toda a diferença para conseguir construir este carnaval. Não existe crise quando você tem uma equipe e uma comunidade motivada”. 

Zanon contou ainda que o trabalho no barracão utilizou muito a reciclagem de fantasias antigas e de alegorias. “Fizemos um carnaval de reciclagem e de qualidade, com muita fantasia antiga. A gente tratou da melhor maneira possível o que tinha dentro do barracão do carnaval passado”.

O carnavalesco revelou que além disso surgiu a colaboração de escolas do Grupo Especial, que cederam materiais. “Tivemos ajuda da Mocidade [Independente], da Grande Rio, da [Unidos] Tijuca e de parceiros, amigos de carnaval que nos ajudaram, com material e uma série de apoio até profissional”, contou, acrescentando que por tudo isso a escola entrará na Marquês de Sapucaí na briga pelo campeonato. “Sem dúvida a gente está se sentindo forte. Tem que respeitar essa tradição. É o berço do samba e a gente fez um carnaval digno para disputar”.

Viradouro

Edson Pereira já passou pela Viradouro em outros anos e essa é a segunda vez que trabalha lá como carnavalesco. Para ele, o enredo Vira a cabeça, pira o coração! Loucos gênios da criação! , define bem o momento de transição da escola em que os componentes demonstram mais fortemente o amor louco por ela. “É muito claro ver a emoção no rosto do componente, o quanto eles são loucos e apaixonados pela escola”.

Depois de avançar nas pequisas, com Clark Mangabeira e Victor Marques, os outros autores do enredo, o trio decidiu falar das loucuras e das criações de grandes gênios da história que conseguiram deixar grandes legados como a energia e a aviação. “A brincadeira que a gente faz a todo momento é trocar a razão pela emoção e sair do lugar-comum, provar que as duas caminham juntas”, disse.

Nos últimos anos a escola bateu na trave. Mesmo tendo terminado os desfiles com uma boa avaliação, deixou de conquistar o título por pouca diferença de pontos. Na visão do carnavalesco, essa situação causa uma pressão, mas precisa ficar restrita à avenida. “Hoje o nosso maior problema é deixar os componentes e a direção conscientes de que o melhor momento é o da avenida. Não o da prévia. O carnaval se ganha na avenida, então, a gente está trabalhando psicologicamente com todos os componentes para que o melhor momento seja o do desfile”, afirmou.

Embora as agremiações enfrentem dificuldades financeiras, Edson destacou que isso não é uma novidade para a Série A, que diferente do Grupo Especial não tem nem uma Cidade do Samba com barracões organizados. “Essa crise no grupo de acesso existe como sempre existiu. Um pouco mais, um pouco menos. Umas têm área coberta, outras fazem carnaval na chuva. A crise sempre existiu principalmente no grupo de acesso. Sempre recebemos menos recursos que o grupo especial, mas o tamanho do espetáculo é o mesmo. Então, há que se ver não para este momento. Para o carnaval do Rio e para a cultura do Rio é preciso que se observe com outros olhos, não só o grupo de acesso e a cultura do Rio, mas a cultura do nosso país”.

Trunfo

Desde 2010, quando a Unidos da Tijuca, apresentou no grupo especial, a comissão de frente com a coreografia chamada Segredo, em que os integrantes trocavam de roupas e apareciam como novos personagens, o quesito passou a chamar muita atenção. Em 2018 este será um dos trunfos que a Viradouro vai levar para a avenida.

O coreógrafo da comissão de frente da escola é Márcio Moura, que, agora, completa 18 anos de passarela. O batismo na estreia foi com Joãosinho Trinta carnavalesco da vermelho e branco de Niterói. Naquela época, Márcio era bailarino, com a evolução do trabalho começou a trabalhar como coreógrafo e este ano em dose dupla, porque é responsável também pela comissão de frente da União da Ilha do Governador, no grupo especial. “Terça, quinta e sábado trabalho na Viradouro, segunda, quarta e sexta na União da Ilha. Como começo com antecedência, quando as coisas começam a estressar que é no momento de provas de figurino, ensaio com tripé, aí posso exigir um pouco mais dos bailarinos, porque já comecei lá atrás e a parte coreográfica já está pronta. Não chega a ser pesado não. É um prazer”, afirmou, completando que também ” é possível trabalhar nas duas escolas porque elas não competem em um mesmo grupo”.

Márcio adiantou que a Comissão da Viradouro terá 26 componentes. Como o limite dado pelo regulamento dos desfiles é 15, a coreografia vai contará com uma estrutura em que os componentes  se revezarão, de forma que apenas o limite fique aparente aos olhos do público e dos julgadores. “O povo vai entender no desfile”.

Marcelo Calil Petrus Filho, o Marcelinho Calil, disse que quando assumiu a presidência da Viradouro deixou claro para todos na escola que seria preciso ter organização com planejamento nos trabalhos, sempre com base no orçamento disponível. “Acho que vai ficar claro que o projeto que a gente está apresentando mostra que a escola teve um ano conturbado, como em todas as outras agremiações, mas que dentro do possível, a gente conseguiu ser extremamente organizado e se se planejar para botar um carnaval, da forma mais bonita possível, na avenida”, concluiu.

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