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CCBB RJ inaugura nova exposição sobre a história do dinheiro neste sábado

COM LINGUAGEM CONTEMPORÂNEA E RECURSOS VISUAIS, ‘DO SAL AO DIGITAL: O DINHEIRO NA COLEÇÃO BANCO DO BRASIL’ EXIBE ACERVO DE CÉDULAS E MOEDAS DA INSTITUIÇÃO

por Redação
Nova exposição numismática do CCBB RJ ‘Do sal ao digital: o dinheiro na coleção Banco do Brasil

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) inaugura em 19 de novembro de 2022 sua nova mostra de longa duração sobre a história do dinheiro no Brasil e no mundo. Instalada no quarto andar do prédio histórico, Do sal ao digital: o dinheiro na coleção Banco do Brasil vai abordar as diversas relações de troca ao longo dos séculos e o seu impacto na sociedade a partir da vasta e riquíssima coleção numismática do Banco do Brasil. A narrativa e o acervo exposto irão explorar a origem do dinheiro como mediador de trocas e trazer uma abordagem especial sobre o tema, com foco na história do Brasil dentro da complexa rede comercial global. Por meio de notas, moedas e importantes documentos históricos do Brasil e do mundo, os visitantes poderão acompanhar a evolução dessa história desde centenas de séculos atrás até os tempos atuais, com a ampliação das transações digitais.

Entendendo a importância de seu acervo e o papel dos museus em acompanhar as inovações e tendências da sociedade contemporânea, o Banco do Brasil investe na criação de uma nova exposição que, por meio de notas e moedas, apresenta não apenas um olhar sobre a memória das instituições financeiras, mas também um relato acerca do desenvolvimento sociocultural e econômico da humanidade através dos séculos.

“A relação das pessoas com a tecnologia atravessa a história da humanidade e a criação de mecanismos de troca está no cerne do desenvolvimento das sociedades. A Galeria de Valores, inaugurada no CCBB Rio de Janeiro em 2008, com a curadoria minuciosa de Denise Mattar, foi a primeira grande mostra com acervo nacional e internacional de numismática do Banco do Brasil, um dos mais importantes do país. Esta exposição foi responsável não só por organizar essas peças e dar a elas uma disposição narrativa consistente, mas pelo mérito de ser reconhecida pelo público por seu caráter didático, que atendeu ao longo dos anos muitos grupos escolares acompanhados pelo Programa CCBB Educativo”, conta Sueli Voltarelli, Gerente Geral do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. E complementa: “Agora, Do sal ao digital mantém essa característica de aproximação com os mais diferentes públicos e tem a responsabilidade de atualizar seu conteúdo, traçando os caminhos do dinheiro até a era digital, que revolucionou os meios de trocas comerciais, mantendo-se atenta aos objetivos de promover o conhecimento, preservar e dar acesso ao patrimônio histórico e cultural e abordar temas como educação financeira de forma leve, divertida e descomplicada”.

Repleta de marcos e curiosidades, a exposição Do sal ao digital: o dinheiro na coleção Banco do Brasil visa mostrar aos visitantes as complexas relações sociais, políticas e econômicas que envolvem a mediação das trocas entre as pessoas, povos e territórios ao longo do tempo. Para imergir o público nesta rica narrativa, a mostra vai apresentar mapas, atividades interativas, iconografia histórica, obras de arte contemporânea exclusivas, além de mais de 800 moedas e cédulas, com uma expografia dedicada a aproximar a relação do público com o tema.

Dentre alguns itens de destaque, estão: a histórica cédula de 500 cruzeiros, que comemorou os 150 anos da Independência do Brasil; a peça da Coroação de D. Pedro I, que nunca foi posta em circulação e é uma das mais raras da numismática brasileira; e a moeda nacional conhecida como dobrão de 20 mil réis, de 1.724, uma das moedas de ouro mais pesadas da história, com 53,8 gramas. Para se ter uma ideia, a atual moeda de 1 real pesa menos que 8 gramas. Dentre as novas obras estão As Galinhas dos Ovos de Ouro, de Victória Santiago, inspirada na famosa fábula homônima sobre a ânsia pela riqueza e poder a qualquer preço; e Stockage, da artista brasileira Luzia Simons, sobre a “mania de tulipas” e sua relação com o que foi considerada a primeira bolha especulativa do mundo. A curadoria selecionou ainda obras da série Mentalidade Colonial, do artista Julio Bittencourt, realizada a partir de uma pesquisa sobre cédulas e os personagens nelas representados. A exposição apresenta uma seleção baseada nessa série, destacando importantes mulheres representadas em cédulas ao redor do mundo.

São destaques também duas obras comissionadas e produzidas especialmente para exposição: Tiago Sant’Ana criou a peça Cruzeiro do Sul (Axé), utilizando a coleção de moedas axé, emitidas em 1988, em comemoração ao centenário da abolição da escravatura. Em forma de cruzeiro do sul, a obra também tem relação com a constelação de mesmo nome, documentada pela esquadra de Pedro Álvares Cabral, que se tornou um marco para a era das grandes navegações. O nome do padrão monetário “cruzeiro”, embora tenha sido sugerido no final do século XIX em uma matéria de jornal por Machado de Assis, foi adotado apenas em 1942 por Getúlio Vargas. Já o artista Rodrigo Torres produziu um diorama feito a partir de recortes de cédulas para representar os ciclos econômicos do Brasil e seu impacto sociocultural no território, que se traduziu na obra inédita Saldo devedor.

AS SALAS DE EXPOSIÇÃO

Do sal ao digital: o dinheiro na coleção Banco do Brasil ocupará uma área de 200 metros quadrados e será dividida em três núcleos, que vão explorar diferentes conceitos relacionados a moedas, valores, economia, território e identidade. No primeiro deles, chamado Origens do Valor, os visitantes terão a chance de aprender sobre os itens que serviram como os primeiros intermediadores de trocas, quais são as moedas mais antigas do mundo, e as etimologias de diversos termos e expressões populares relacionadas ao dinheiro. No centro da sala, uma instalação nos ajuda a questionar e entender o conceito de “valor”. Um copo d’água, uma árvore frondosa, uma fotografia de família, um quadro famoso, uma barra de sal: todos têm o mesmo valor, qual deles é mais valioso?

Outros itens importantes e que poderão ser contemplados nesta sala incluem a histórica cédula de 500 mil cruzeiros, nota de maior valor já emitida no Brasil e que celebrou, com Mário de Andrade, os 70 anos da Semana de Arte Moderna, lançada em 1993; e o Muiraquitã, objeto fabricado de pedras verdes considerado um objeto de valor pelos povos originários do Brasil e um amuleto ancestral contra toda sorte de malefícios. Além deles, moedas inusitadas de metais em formatos de facas, antigamente usadas como forma de pagamento na China, e de machados, que eram usados no México, também estarão dispostas.

O segundo núcleo, intitulado Dinheiro, territórios e sociedades, avança no tempo e explora as primeiras moedas que circularam pelo Brasil e as diversas modificações pelas quais passaram, impulsionadas pelos variados ciclos econômicos nacionais. Dentre alguns dos diversos períodos históricos da sociedade brasileira abordados, por exemplo, estão o ciclo do café e do algodão; a criação da primeira Casa da Moeda nacional, inaugurada em 1694, em Salvador, com o intuito de organizar a circulação de riquezas na colônia; e a abertura dos portos, quando a chegada da família real portuguesa ao Brasil aqueceu a economia local e acarretou a fundação do primeiro Banco do Brasil, então o quarto banco emissor do mundo. Nesta sala, o público também vai poder entender a linha de tempo do dinheiro brasileiro, com seus nomes e os anos em que circularam: réis, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, cruzeiro real e real.

Por fim, o terceiro e último núcleo da exposição, nomeado O Dinheiro Contemporâneo levará o público para o acelerado universo das transações digitais e as diversas formas disponíveis de lidar com o dinheiro nos dias de hoje: o PIX, o crédito e o débito, os cartões digitais, as criptomoedas, os pagamentos via QR code e tantas outras novas ferramentas do cada vez mais expansivo universo monetário contemporâneo. Um dos destaques do espaço é a instalação interativa Perfil do Investidor, criada pelo escritor e roteirista Guilherme Macedo, com o intuito de apresentar uma divertida e lúdica jornada propondo, a partir dos conceitos de educação financeira, uma reflexão sobre noções de consumo, tempo e valor nos dias de hoje e no futuro.

No terceiro núcleo também estarão cédulas e moedas da atualidade que buscam representar questões contemporâneas e carregam significados sobre identidade e representação. Com as transações comerciais cada vez mais presentes no ambiente digital, o dinheiro físico passa a ter um papel cada vez mais relevante tanto como objeto repleto de símbolos e representações, como um reflexo de sua época. Dentre novas moedas surgidas no século XXI que poderão ser contempladas, estão as “quarters”, moedas de vinte e cinco centavos de dólar (a mais usada nos Estados Unidos), criadas em homenagem a Maya Angelou, poeta e ativista afro-americana que se tornou a primeira mulher negra a estampar uma moeda de dólar nos EUA; e a cédula de 10 bolívares da Venezuela, estampada pelo Cacique Guaicaipuro, líder indígena celebrado no país que lutou contra a conquista espanhola do território no século XVI. Alguns dos itens foram recém adquiridos pelo Banco do Brasil especialmente para a exposição, pensando na ampliação do acervo do local.

Para Isabel Seixas, sócia-fundadora do estúdio M’Baraká, a nova exposição numismática do Banco do Brasil será uma oportunidade única para aprender e renovar o conhecimento sobre a história do dinheiro, voltando-se para o Brasil e sua história e reconhecendo seus protagonismos na complexa rede de relações interterritoriais.

“Estamos expostos cotidianamente ao dinheiro e, talvez por isso, não nos damos conta de que cédulas e moedas carregam consigo uma carga de significados social e simbólica. São documentos históricos que evidenciam não apenas aspectos econômicos das sociedades, mas também políticos e socioculturais. Pode-se dizer que o dinheiro está na boca do povo: não à toa são inúmeros os ditados populares que falam dele. No entanto, se a modernidade se habituou a pensar que ‘tempo é dinheiro’, esta curadoria busca mostrar que a história do dinheiro também nos conta sobre a expansão das relações entre pessoas, povos e territórios. O dinheiro é a invenção da humanidade que facilitou a troca de mercadorias e os consequentes intercâmbio e mobilidade de produtos, pessoas e informações.”

Diogo Rezende, diretor de arte do projeto e do Estúdio M’Baraká, ressalta alguns dos destaques da expografia da nova exposição numismática: “O design da exposição traz uma leitura contemporânea para a coleção do Banco do Brasil. No último núcleo, por exemplo, teremos um letreiro de led de mais de 10 metros de comprimento que, ao invés de números em aceleração, como nas bolsas de valores, exibe frases que provocam o visitante a refletir sobre a relação da humanidade com o dinheiro. Além disso, o público vai encontrar um mobiliário expositivo desenhado para facilitar a leitura do acervo, com peças giratórias que permitem observar os dois lados de cédulas e lupas para ver detalhes das moedas exibidas.”

Do sal ao digital: o dinheiro na coleção Banco do Brasil é voltada ao público geral que quiser aprender mais sobre a história das moedas no Brasil e no mundo. De colecionadores e pessoas do universo da numismática a interessados por arte e história, e em especial ao público de escolas e instituições de ensino.

Serviço

  • Do sal ao digital: o dinheiro na coleção Banco do Brasil
  • Abertura: 19 de novembro de 2022
  • Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
  • Rua Primeiro de Março, 66 – 4º andar – Centro, Rio de Janeiro (RJ)
  • Telefone: (21) 3808.2020
  • Funcionamento: segundas, quartas, quintas, sextas e sábados, das 9h às 21h; domingos, das 9h às 20h (fecha às terças)
  • Classificação indicativa: livre
  • Entrada franca.

Informações sobre acessibilidade, estacionamento e outros serviços: bb.com.br/cultura

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