Após reunir mais de 25 mil pessoas na sua quarta edição, em 2025, o Dia de Iemanjá do Arpoador receberá o público com as suas oferendas no próximo dia 2 de fevereiro de 2026, uma segunda-feira, das 10h às 22h. Atrações como Afoxé Filhos de Gandhi, Samba de Caboclo, Jongo do Vale do Café, Nina Rosa, Ogan Cotoquinho, Tião Casemiro, Pai Dário, Companhia de Aruanda, Orin Dudu, Ilê Axé Onixêgun e Marcos André, o idealizador da festa, já estão confirmadas no mesmo trecho na Praia de Ipanema, além da Feira Crespa. Tudo gratuito!
Este será o primeiro ano do megaevento após a Prefeitura do Rio reconhecer o Dia de Iemanjá do Arpoador como Patrimônio Cultural Imaterial, em lei sancionada em janeiro de 2026. Crescendo exponencialmente ao longo dos últimos anos, nesta edição o evento entra para o calendário oficial da cidade.
Mais uma vez, haverá giras de Umbanda com caboclos e pretos-velhos na areia distribuindo passes ao público, surfistas locais sobre pranchas oferecendo flores à Rainha do Mar e mutirão de limpeza do Arpoador ao final do dia inteiro de celebração.
De autoria dos vereadores Átila Nunes e Flávio Valle (PSD-RJ), as duas leis – a que reconhece a festa como Patrimônio Cultural Imaterial e a lei que a inclui no calendário oficial do Rio – propõem fortalecer políticas públicas para fomentar e salvaguardar o Dia de Iemanjá do Arpoador, além de valorizar a festividade que alcançou repercussão mundial de 2023 para cá.
“A festa carioca para Iemanjá era uma tradição antiga inventada pelos terreiros de Umbanda nas areias da Zona Sul, liderada pelo célebre pai de santo e sambista Tata Tancredo em 31 de dezembro. Poucos sabem que essa foi a origem do Réveillon de Copacabana – que acabou se tornando a maior festa de rua do mundo, e o costume de vestir branco, jogar flores no mar e pular sete ondas na virada”, rebobina Marcos.
Com a adesão de um número cada vez maior de pessoas, vieram os mega espetáculos de fogos e shows, o que expulsou os terreiros da sua comemoração nas praias. Para ajudar a recuperar essa tradição, Marcos André vem mobilizando, desde 2022, cerca de 300 mestres, entre líderes religiosos, artistas e filhos de santo, todos integrantes da rede de comunidades tradicionais e quilombos que ele coordena em Madureira e em todo o Estado do Rio, dando início à festa do Dia de Iemanjá do Arpoador, que contribui no direito à liberdade religiosa e valorização da matriz africana no país.
“Essa celebração dá visibilidade e enaltece a contribuição enorme do negro na formação da cultura e da identidade carioca e do Brasil, revela a história do Tata Tancredo e devolve essa vivência popular riquíssima na vitrine da Zona Sul para o povo de santo e para os cariocas e turistas”, diz Marcos André. Em janeiro de 2026, o prefeito Eduardo Paes prometeu instalar em Copacabana uma estátua de Tata Tancredo para que a memória do líder religioso seja cada vez mais lembrada.
A festa ainda contará com acessibilidade. O Projeto Praia Para Todos disponibilizará uma cadeira anfíbio para que o público cadeirante possa participar das atividades nas areias e à beira-mar, assistidos por monitores especializados. Afinados com os novos tempos da sustentabilidade e proteção dos mares, os organizadores do evento também pedem que todas as oferendas do ritual sejam biodegradáveis.
“Pedimos ao público que não leve plástico, vidro ou madeira. É uma saudação à Rainha do Mar, à sua morada e às forças da natureza. Somente flores e frutas serão oferecidas nas águas”, explica Pai Dário, do Ilê Axé Onixegun, responsável religioso pelo presente.
Recorde de público
Quando essa festa dos terreiros estreou em 2023 no Arpoador, era esperado um público de mil pessoas. No final daquela tarde histórica, já eram mais de 10 mil pessoas aglomeradas na pedra, no calçadão e nas areias do Arpoador para homenagear Iemanjá. Em 2025, na sua terceira edição, o evento bateu todos os recordes e reuniu cerca de 25 mil pessoas ao longo do dia. Para este ano, a expectativa de público é de 30 mil pessoas.
“Foi o maior evento afro religioso de rua da história do Rio. Parecia até noite do ano novo, com dezenas de milhares de pessoas chegando vestidas de branco e com flores nas mãos. Ficamos surpresos com tamanha adesão do público, uma prova da força da matriz africana carioca. Temos tudo para, em alguns anos, alcançarmos a importância que o 2 de fevereiro tem em Salvador”, prevê o músico. “O Rio também possui tradição afro fortíssima e um número imenso de casas de santo e terreiros. O carioca e o turista querem muito essa festa. É a cultura e singularidade afro indigena brasileira e do Rio que o mundo quer ver e conhecer” afirma.
Cortejo à tarde para o público chegar
Neste 2026, a data cai numa segunda-feira. Para que o público possa chegar, o cortejo será realizado na parte da tarde, com concentração prevista para 15h e saída do belíssimo cortejo com as oferendas, às 16h, da Estátua do Tom Jobim. O evento segue até 22h, com rodas de jongo, de samba, afoxé e giras de umbanda nas areias.
Além de promover a integração entre pessoas de todos os credos, cores e regiões da cidade e enaltecer a cultura de matriz africana tão invisibilizada e atacada, a cada ano, o Dia de Iemanjá do Arpoador gera empregos e divisas para a cidade através do turismo. O idealizador lembra que, em Salvador, a festividade recebe mais de 500 mil turistas.
“O poder público e as empresas têm que abrir os olhos para o enorme potencial econômico da festa, ao invés de somente nos folclorizar. Acima de tudo, nossa festa promove e salvaguarda de forma poderosa nossos patrimônios imateriais, mas tem também um enorme potencial de geração de trabalho e renda através do turismo e da economia crativa”, destaca Marcos André.
Todo o ritual de oferendas recebe orientações do lendário Mestre Bangbala, 105 anos, o Ogan mais antigo do país e patrono do Dia de Iemanjá no Arpoador, juntamente com o Ogan Cotoquinho, fundador dos presentes de Iemanjá cariocas e com Pai Dário, descendente da Casa Branca, primeira casa de candomblé do Brasil e um dos líderes do jongo do Morro da Serrinha ao lado de Marcos André, de família umbandista, criador da festa e um dos líderes de comunidades de Quilombos do Vale do Café.
Lavagem do Arpoador e escultura de areia na véspera
No fim de tarde de domingo, 1º de fevereiro, véspera do evento, o Afoxé Filhos de Gandhi do Rio, pioneiros do presente de Iemanjá na cidade, realizará às 18h, a Lavagem do Arpoador, abrindo as atividades do Dia de Iemanjá com muito axé, seguidos da apresentação do tradicional Bloco Afro de Madureira, Lemi Ayó.
Na véspera também, o artista de praia Rogean vai construir uma escultura de areia gigante de Iemanjá ao lado da Pedra do Arpoador que ficará exposta ao longo de todo o dia 2 de fevereiro.
O Dia de Iemanjá no Arpoador é uma realização do Instituto Floresta, Samba Jongo, Rede de Patrimônio Imaterial do Estado do Rio e Marcos André, com patrocínio do Governo Federal – Ministério da Igualdade Racial, da Prefeitura da Cidade do Rio via Casa Civil e Secretaria Municipal de Cultura por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS e Hotel Arpoador em parceria com a Universidade Federal Fluminense e Ilê Axé Onixêgun.
Roda de Candomblé abre os trabalhos às 10h
O público é bem-vindo a partir das 10h, quando uma roda de ritmos e danças do Candomblé abrirá o dia com o grupo Orin Dudu, no Largo Millôr, ao lado das Pedras do Arpoador.
Às 15h, começa a concentração do cortejo no início do Arpoador, aos pés da estátua do Tom Jobim, que sairá às 16h em ponto com as oferendas para Iemanjá, liderado por representantes das casas de umbanda e candomblé de origens centenárias, com cerca de 300 artistas de grupos de jongo e samba e Afoxés Filhas de Gandhy e OreLalai.
Em seguida, será aberta uma Roda de Tambor ao lado da Pedra do Arpoador, com pontos de candomblé cantados pelo Mestre Ogan Cotoquinho e pelo Pai Dário Onixêgun. Logo depois, tem roda de Jongo com os quilombos do Jongo do Vale do Café e Companhia de Aruanda do Morro da Serrinha. O Jongo do Vale do Café vai descer a serra para representar na festa mais de 150 anos de história do Vale do Café, berço do jongo.
Após a Roda de Jongo, estes grupos convidarão o público para dançar muito samba de roda, jongo, ciranda e afoxé na beira do mar. Ao mesmo tempo, na areia da praia, a partir das 17h, giras de umbanda de 20 terreiros da região metropolitana do Rio ofertarão passes e rezas aos presentes e um festival de cantores de umbanda.
Após as rodas, às 19h30, acontece a apresentação do célebre cantor de umbanda Tião Casemiro, que vai entoar pontos de umbanda acompanhado pela sua orquestra de tambores.
A apoteose final da festa será uma roda de samba, prevista para às 20h, a ser realizada num palco montado ao lado da Pedra do Arpoador, com a apresentação do célebre grupo Samba de Caboclo, revelação recente da cena do samba com a participação especial dos cantores Nina Rosa e Marcos André. Muito samba no pé e pontos de macumba prometem embalar a plateia.
Durante todo o evento, a Feira Crespa estará a postos, com barracas de gastronomia sob o comando de afroempreendedoras no Parque Garota de Ipanema.
Odoyá, Iemanjá. Salve a Rainha do Mar e as forças da natureza!
Programação completa:
10h às 22h – Feira Crespa – gastronomia, moda e artesanato – Parque Garota de Ipanema – Arpoador
11h – Roda de ritmos e danças do Candomblé com grupo Orin Dudu e lideranças religiosas
15h – Concentração do cortejo na estátua do Tom Jobim
16h – Cortejo com oferendas liderados por Ogan Cotoquinho, Pai Dário e Ilê Axé Onixêgun
16h30 – Entrega do Presente às Águas na Pedra do Arpoador
17h – Ciranda, coco e samba de roda com Companhia de Aruanda
Jongo do Vale do Café, Tia Ira Rezadeira, Afoxés Filhas de Gandhy e Ore Lailai e Yza Diordi
Oferendas de flores no mar pelos surfistas
Festival de Curimbas com Pai Caio Bayma e Casa Kalundú
17 às 21h – Giras de umbanda na areia com 20 terreiros e Instituto Carta Magna da Umbanda
19h30 – Roda de umbanda com Tião Casemiro
20h – Show com o grupo Samba de Caboclo. Participação especial: Nina Rosa e Marcos André
21h30 – Mutirão de limpeza das praias e pedras com o público com a equipe da Pedra do Arpoador Conservação
22h – Encerramento
Apoios
O evento conta com o apoio dos parceiros Coordenadoria de Diversidade Religiosa da Prefeitura do Rio, Subprefeitura da Zona Sul, Companhia de Aruanda, Instituto Carta Magna da Umbanda, Pedra do Arpoador Conservação, Praia Para todos e Rede de Jongo do Vale do Café.
O Dia de Iemanjá no Arpoador contribui para a visibilidade do calendário comemorativo de festas de Iemanjá que vem renascendo na cidade, celebração com forte identidade religiosa e cultural para a população do Estado do Rio, com potencial para gerar um impacto muito positivo na valorização das tradições cariocas de matrizes africanas e seus fazedores e para as cadeias produtivas do Turismo e da Economia Criativa do Rio de Janeiro.