Engolida por um mar de plástico Marcela Páez apresenta o solo “2415”, no SESC Pompeia

O que fazem os seres do plástico
Foram necessários um ano e meio de pesquisa para que a dança-instalação “2415” ficasse pronta para os palcos. Criada e interpretada por Marcela Páez, que dedica sua vida ao teatro e a dança como artista e educadora, o solo nasceu da urgência gerada pelo avanço desenfreado das crises climática, ecológica e social que estamos vivendo e, em especial, o perigo gerado pelo excesso de material plástico no planeta. Com estreia marcada para o dia 02 de abril, 20h30, segue em curta- temporada nos dias 03 e 04, quinta e sexta-feira, no Espaço Cênico do Sesc Pompéia (Rua Clélia, 93, Água Branca).

“Eu fiquei indignada quando notícias, pipocando por aí, mostravam pesquisas científicas sobre estruturas rochosas feitas de plástico na Ilha de Trindade* e minhocas consumindo plástico. Alguns autores contemporâneos discutem como essas transformações na biosfera não são fruto de uma ação humana genérica, mas sim da forma capitalista de ocupar o planeta, essa lógica de consumo e produção. Pensei em transformar essas questões tão importantes para o futuro da humanidade numa dança-instalação, provocativa, sensorial e meditativa, com muitos silêncios. A plateia sai com uma impressão muito forte pois não faço o solo sozinha, o plástico dança comigo num mar de plástico. É inquietante”, explica Marcela.

Inspiração

Marcela iniciou essa pesquisa durante o mestrado em Artes da Cena, que concluirá este ano. Segundo a atriz e bailarina, quando lideranças indígenas e acadêmicos (sejam biólogos, antropólogos, filósofos, etc.) denunciam essas realidades, muitas vezes eles convocam produções artísticas para que tragam essas discussões à tona em todas as suas expressões. “Então pensei em como transformar todo esse arcabouço teórico de autores como – Ailton Krenak, Donna Haraway, Vincianne Despret e Jason Moore – num solo. Encontrei na dança-instalação a forma de mostrar a potência da arte para provocar essa discussão, onde as inquietações ecológicas são as protagonistas”.

Do trabalho de um desses autores surgiu a ideia de batizar o solo de “2415”, pois numa produção futurista discute-se que, em 400 anos, o planeta não será mais o mesmo no qual, a imensa maioria das espécies que se conheciam em 2015, já não existirão.

Monstro do Lago Ness?

Marcela Páez buscou inspiração para desenvolver a criatura protagonista do solo, em seres invertebrados, cheios de tentáculos autônomos. Sai de cena o foco no cérebro e a figura vertebrada da artista mergulha no modo de ser invertebrado. Nasce, então, uma figura que emerge do mar plastificado. Como um Monstro do Lago Ness envolto em quilos e quilos de plásticos guardados durante uma vida. Será que são esses monstros que encontraremos no planeta em 400 anos?

Sobre Marcela Páez –

Redes Sociais – @pereyrapaez

Atriz e Bailarina, atua como educadora ministrando aulas de teatro e de dança. Filha de mãe Argentina e pai Chileno, considera-se uma atriz latino-americana. Teve oportunidade de conhecer países como Chile, Argentina, México e participou de Festivais em New York e Espanha. O solo “2415” teve sua estreia em outubro de 2023, no Teatro do Centro da Terra (SP) e, desde então, tem sido um ponto focal para reflexões sobre o futuro da vida no planeta. Atualmente seu livro de cabeceira é O Cogumelo do Fim do Mundo – sobre as possibilidades de vida nas ruínas do capitalismo, da etnóloga Ana Tsing. Sua filosofia de vida é inspirada na frase: “que nadie escupa sangre para que otro viva mejor”, de Atahualpa Yupanqui.

Ficha Técnica

  • Concepção e Performance: Marcela Páez
  • Música original: Bruno Torrano
  • Iluminação: Nara Zocher
  • Produção executiva: Júlia Iwanaga
  • Figurino: Ateliê Vivo por Andrea Guerra, Carol Cherubini, Flavia Lobo e Gabriela Cherubini
  • Assessoria Cenotécnica: Inflou por Andrea B.
  • Narração: Sofia Maruci
  • Texto: Marcela Páez, inspirado em “The Camille Stories” de Donna Haraway
  • Orientação de pesquisa: Juliana Moraes
  • Registros em vídeo: Marcelo Carreño
  • Registros fotográficos: Jorge Yuri e Juliana Moraes.
  • Duração: 40 minutos
  • Classificação indicativa: 10 anos

DANÇA – INSTALAÇÃO “2415”

  • ARTISTA – Marcela Páez
  • DATAS: de 2 a 4 de abril, terça a quinta, às 20h30.
  • LOCAL: Espaço Cênico – Sesc Pompeia
  • ENDEREÇO – Rua Clélia, 93, Água Branca.
  • INGRESSOS: R$40 (inteira), R$20 (meia-entrada), R$12 (credencial plena)

SESC não possui estacionamento.
Para credenciamento, encaminhe pedidos para imprensa@pompeia܂sescsp܂org܂br

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