Espetáculo “Tirico e as Histórias de Morros e Fossos” encerra circulação gratuita no Teatro Municipal Ruth de Souza

Tirico e as Histórias de Morros e Fossos -  Foto: Kaynã de Oliveira

O espetáculo “Tirico e as Histórias de Morros e Fossos” encerra sua circulação gratuita pelo Rio de Janeiro no Teatro Municipal Ruth de Souza, no Parque Glória Maria, em Santa Teresa, onde fica em cartaz nos dias 15, 16, 22 e 23 de novembro (sábados e domingos), sempre às 11h. Com classificação livre, a peça une poesia, música e ludicidade em uma reflexão sensível e poética sobre os desafios enfrentados por crianças em situação de trabalho infantil.

Todas as apresentações possuem acessibilidade e contam com recursos de Libras, audiodescrição, além de réplicas táteis do cenário e do figurino, desenvolvidas para pessoas com deficiência visual. Também são disponibilizados kits de autorregulação sensorial, com objetos sensoriais, óculos escuros e abafadores de ruídos, voltados para pessoas neurodivergentes.

Contemplado pelo edital Pró-Carioca Linguagens – Edição Política Nacional Aldir Blanc, do Programa de Fomento à Cultura Carioca da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto inclui oficinas e rodas de conversa com entrada franca, ampliando o acesso à arte e ao diálogo sobre a infância em diferentes territórios.

A dramaturgia premiada conta a história de Tirico, um garoto que, apesar das adversidades e da necessidade de trabalhar em uma fazenda após a morte do pai, mantém a capacidade de sonhar e se divertir ao lado de seu amigo imaginário, Alecrim. O texto aborda as mazelas da exploração infantil, mas também celebra a resiliência, o brincar e a esperança em um futuro melhor.

O diretor artístico Sylvio Moura ressalta a relevância e o significado da montagem: “O teatro é uma ferramenta não apenas de lazer, mas de reflexão. Por isso, meus textos infantis tratam de temas importantes de forma leve, reconhecendo a criança como alguém capaz de compreender questões profundas. Tirico nasce das minhas próprias vivências e lembranças de infância: vi muitos ‘Tiricos’ ao longo da vida, cresci em um bairro que fica a uma hora do centro do Rio, e Alecrim representa meus amigos imaginários. Ele é mais do que um protagonista — é uma criança como todas já foram ou ainda são. Meu desejo é que o público enxergue nele um igual, alguém próximo, que brinca, imagina e, mesmo diante das injustiças, insiste em resistir”.

Sobre a linguagem cênica adotada, o educador, mediador cultural e produtor do espetáculo, Caeu Grillo, acrescenta: “A musicalidade e a ludicidade são fundamentos das culturas afro-brasileiras e indígenas, que vão se perdendo no nosso embrutecimento do dia a dia. Quando a gente canta, dança e brinca junto, há uma energia vital que circula e, além de contar uma história, traz leveza e segurança para abordar temas sensíveis e fazer as denúncias que precisam ser feitas. Procuramos trazer o tema do trabalho infantil a partir de uma pedagogia brincante, em que o brincar e o sonho são força vital, e o riso e a imaginação se tornam ferramentas coletivas de resistência e reexistência. É nosso dever, enquanto sociedade, salvaguardar as infâncias, sobretudo das nossas crianças pretas, pobres e periféricas, que estão mais vulneráveis às mazelas que a dramaturgia do espetáculo aborda”.

Reconhecimento

Reconhecido por sua relevância artística e social, “Tirico e as Histórias de Morros e Fossos” foi selecionado no Prêmio Ideias Criativas da Prefeitura de Niterói (2021) — iniciativa que resultou na publicação de um livro — e conquistou o 2º lugar no Prêmio Dramaturgia Gonçalense (2022), reafirmando a força e a sensibilidade de sua dramaturgia.

SERVIÇO

Espetáculo: “Tirico e as Histórias de Morros e Fossos”

  • Datas: 15, 16, 22 e 23 de novembro (sábados e domingos)
  • Horário: 11h
  • Local: Teatro Municipal Ruth de Souza – Parque Glória Maria – R. Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa
  • Entrada: Gratuita
  • Classificação: Livre

FICHA TÉCNICA 

  • Direção Artística: Sylvio Moura
  • Elenco: Ana Nery, João Mabial, Nalui, Nini Peixoto e Pérola Acioly
  • Direção de Movimento: Reinaldo Dutra
  • Musicistas: Nitai Domingues e Crica Rodrigues
  • Preparação Vocal: Maíra
  • Figurino: Bea Simões
  • Visagismo: Nayamara
  • Cenografia: Flávia Coelho
  • Iluminação: Rafa Domi
  • Realização: Sarcômicos Cia de Arte
  • Produção: Caeu Grillo – Ímpeto Produções
  • Assistência de Produção: Cadu Silva e Me! Machado
  • Produção Executiva: Morgana Côrtes
  • Produtora de Acessibilidade: Fernanda Costa
  • Assessoria de Imprensa: Natália Vitória
  • Design Gráfico: Maíra Kirovsky
  • Social Media: João Zabeti
  • Fotografia: Kaynã de Oliveira
  • Apoio: COART-UERJ, Centro de Desenvolvimento Criativo Se Essa Rua Fosse Minha

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