Game+ transforma o Itaú Cultural em epicentro da cultura digital em São Paulo

Uma jornada imersiva que transcende o puro entretenimento para elevar o videogame ao status de patrimônio artístico e motor da economia criativa nacional

por Redação
Arte de conceito do jogo Dandara (2018) (imagem: divulgação)

Localizado no coração pulsante da capital paulista, o Itaú Cultural abre suas portas para a “Game+: Arte, Cultura e Comunidade”. Esta ambiciosa retrospectiva não apenas celebra a nostalgia dos consoles clássicos, mas estabelece o meio digital como um pilar fundamental da expressão contemporânea, da educação e da identidade brasileira. A entrada é totalmente gratuita, reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à cultura tecnológica.

Uma arquitetura de três atos: da nostalgia à vanguarda nacional

A mostra é segmentada em três pavimentos, cada um dedicado a um aspecto da evolução lúdica. No andar térreo, o visitante é confrontado com a gênese da indústria, onde consoles raros e marcos como o “Space Invaders” dividem espaço com o pioneiro nacional “Amazônia” (1985). Esta seção atua como um preâmbulo histórico, demonstrando como uma atividade outrora marginalizada se consolidou como uma força econômica global e um elemento indissociável da sociedade moderna.

Ao descer para o nível inferior, a exposição evoca a efervescência social das antigas lan houses. O foco aqui recai sobre a interação coletiva e a pedagogia, apresentando títulos que exigem movimento físico e produções voltadas ao público infantil. É um resgate da atmosfera comunitária que moldou as gerações de jogadores dos anos 1990 e 2000, reforçando o videogame como um catalisador de conexões humanas e aprendizado lúdico.

A celebração da estética independente e a identidade brasileira

No último nível subterrâneo, a curadoria atinge seu ápice ao explorar a convergência entre arte e inovação tecnológica. Este espaço é dedicado a narrativas complexas e produções independentes brasileiras que desafiam as convenções do mercado. Destacam-se obras como “Dandara”, que reinterpreta a resistência quilombola em mecânicas inovadoras, e “Huni Kuin: Yube Baitana”, fruto de uma colaboração direta com povos originários do Acre, evidenciando o potencial dos jogos para a preservação e difusão de memórias identitárias.

Para gerir o fluxo de visitantes e assegurar que a experiência seja equitativa, o evento implementou um sistema rigoroso de senhas para os títulos mais demandados. A seleção final de 51 jogos, destilada de uma curadoria inicial de 170 títulos, reflete uma maturidade editorial: o objetivo não é a observação passiva, mas a experimentação efetiva. Assim, o Itaú Cultural consolida o videogame não apenas como um produto de consumo, mas como uma ferramenta de expressão política e artística.

Destaques

Acervo histórico composto por 25 consoles que marcaram diferentes eras da tecnologia global.

Foco prioritário em acessibilidade com títulos como o audiogame “Breu”, projetado para pessoas com deficiência visual.

Exibição de obras nacionais aclamadas internacionalmente, como “Unsighted” e “Wish Us Luck”.

Perguntas frequentes

Qual o valor do ingresso para a mostra?

O acesso à exposição é totalmente gratuito, sem necessidade de pagamento de entrada.

Como funciona o tempo de jogo nas estações?

Para garantir a rotatividade, existe um limite sugerido de aproximadamente 15 minutos por título, com controle por senhas em atrações populares.

O local é próximo ao transporte público?

Sim, o Itaú Cultural está situado a poucos metros da estação Brigadeiro do metrô (Linha 2-Verde).

Raio-X (Lista técnica)

Entidades:

Itaú Cultural, Sérgio Nesteriuk (consultor), Quilombo dos Palmares, povo Huni Kuin.

Métricas:

51 jogos disponíveis, 25 consoles históricos, 3 andares de exposição.

Datas:

De 13 de dezembro de 2025 até 8 de março de 2026.

Localidades:

Avenida Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo.

Contexto:

Continuidade das mostras “Game o quê?” (2003) e “GamePlay” (2009).

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