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Exposição “Sondando Conflito: Uma Performance em Cinco Atos” estreia nesta sexta (10), no Museu da Maré

“Estruturada em cinco atos, a performance filmada reflete atos de resistência, reconciliação e resiliência na forma em como duas personagens navegam um mundo construído de tijolos”, afirma o idealizador Pedro Rebelo

por Redação

Em celebração aos 16 anos do Museu da Maré, em maio deste ano, arte, cultura, história e musicalidade se misturam através da exposição “Sondando Conflito: Uma Performance em Cinco Atos”, que estreia na sede do museu, nesta sexta-feira (10), às 18h. Idealizada por Pedro Rebelo e Matilde Meireles, sob a colaboração de Patrick J O’Reilly e Tinderbox Theatre Company, a instalação consiste na investigação sobre o som em zonas e estados de conflito no Médio Oriente, Irlanda do Norte e no Brasil. A visitação é gratuita. 

Na inauguração, em cena, os atores Geandra Nobre e Matheus Frazão evidenciam os efeitos sonoros vivenciados pelos moradores da Maré, diante dos perrengues que os cercam diariamente. “A apresentação é uma prática artística como forma de gerar conhecimento e criar espaços para escutar experiências vividas por participantes em situações de embates. Ligações entre três regiões são exploradas em diversos ambientes de conflito e pós-conflito”, ressaltou Pedro. 

Além de valorizar os trabalhos executados pelo espaço cultural, que narra a história do Conjunto de Favelas na Maré, bairro localizado na zona Norte do Rio de Janeiro, com 17 comunidades e mais de 130 mil pessoas distribuídas por essas, fortalecendo a imagem da população através da cultura, o projeto de artes sonoras, em parceria com o Museu da Maré e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), soma ainda no combate às desigualdades sociais. 

Segundo Pedro, a exposição é destinada não só aos moradores da Maré ou do estado, mas, principalmente, ao público das artes contemporâneas e aos estudantes e investigadores das áreas das artes e de conflitos. “A instalação projeta no espaço da galeria do museu duas personagens insistindo de uma forma cíclica em gestos e ações que sugerem estados de destruição, reconstrução de uma casa, muro ou cidade. Estruturada em cinco atos, a performance filmada reflete atos de resistência, reconciliação e resiliência na forma em como duas personagens navegam um mundo construído de tijolos”, revelou. 

De acordo com o idealizador, o projeto reforça a capacidade que o som tem de criar espaços e materializar ações. “Tudo isso é explorado por meio de um ambiente sonoro que constantemente se altera entre a concretização da construção e destruição, a paisagem sonora e referências de Hip Hop da Síria, Brasil e Irlanda do Norte. O trabalho inclui gravações sonoras destes locais, bem como sons de arquivo da BBC gravados durante os anos 70 na Irlanda do Norte em meio ao conflito armado com os Ingleses, os Troubles. As convenções globais do Hip Hop em combinação com as suas notáveis variantes locais apresentam uma palete sonora na questão do papel da música criada no contexto de uma situação de conflito, explica. 

As histórias de Pedro Rebelo e Matilde Meireles se confundem com a da casa de cultura. Isso porque, em 2014, a dupla fez uma imersão no cotidiano da Maré, interagindo com jovens bolsistas que passavam por formação nos projetos da instituição. Um dos trabalhos da parceria foi a montagem coletiva da instalação ‘Som da Maré’, que articulou vivências sonoras do cotidiano local, a exposição de longa duração do museu e reflexões sobre o futuro. O projeto foi financiado por Arts and Humanities Research Council e Economic and Social Research Council (Reino Unido).

Em exibição até 16 de julho, no Museu da Maré, situado na Av. Guilherme Maxwel, 26 – Maré, Rio de Janeiro, a exposição conta ainda com as participações de Antônio Carlos Pinto Vieira, Marcelo Pinto Vieira e Samuel Araújo numa mesa redonda na inauguração, juntamente de Geandra Nobre. Sobre as expectativas quanto a este próximo projeto, Pedro Rebelo destacou. “Esperamos ter um público diversificado ao longo da duração da instalação, contribuindo para o discurso da arte como ação social, chamando a atenção aos temas de relevância internacional no que diz respeito às artes em situações de conflitos e articulando processos de resistência, resiliência e reconciliação através do som, imagem e performance”, concluiu. 

Museu da Maré 

Inaugurado em 8 de maio de 2006, o Museu da Maré nasceu do desejo e das ações dos moradores locais para preservar suas memórias e histórias. Ao mesmo tempo, o espaço cultural é o resultado da interação de diferentes agentes sociais, o que garante sua pluralidade. O museu foi criado a partir do acervo constituído pelo projeto anterior, chamado Rede Memória da Maré, de 1998, desenvolvido pelo Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM), instituição gestora do museu.

O trabalho realizado visa a superação dos estigmas em relação às favelas, além de colaborar com o processo de alargamento da perspectiva do papel dos museus na realidade contemporânea. O museu não é um lugar para guardar objetos ou cultuar o passado, mas um ambiente de vida, conflitos e diálogo; um lugar de imersão no passado e de olhar para o futuro, a partir das referências atuais das comunidades, das suas condições e identidades, de sua diversidade cultural e territorial. Desde o início da concepção do museu, o diálogo, a valorização da diversidade, as trocas de saberes e fazeres alicerçam todas as ações empreendidas pelos agentes sociais que atuam na construção e manutenção do local. O Museu da Maré é um espaço aberto às ações desenvolvidas pela comunidade e por grupos, coletivos, instituições e pessoas de outras localidades. Atualmente, os projetos desenvolvidos atendem cerca de 500 pessoas. As escolas públicas do entorno são as principais parceiras da unidade. A exposição de longa duração, “Os Tempos da Maré”, já recebeu mais de 70 mil visitantes.

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