Família Velho celebra o legado de Paulo César Pereio com leituras afetivas no Sesc Tijuca

Projeto Leituras Afetivas é uma ideialização de João Velho (à esquerda), Lara (ao centro) e Thomaz (à direita), filhos de Pereio (Foto: Sylvio Romero Loureiro)

Quatro textos e muitos afetos serão vividos a partir deste mês, em um projeto que une teatro e memória familiar. Dirigido por João Velho, o projeto “Leituras Afetivas”, traz um ciclo de leituras dramatizadas, com entrada franca, que homenageia o legado artístico de seu pai, Paulo Cesar Pereio. A iniciativa integra a exposição “Pereio – Semana que vem eu me organizo”, dedicada às obras visuais e trajetória do artista, em cartaz no Sesc Tijuca, no Rio de Janeiro.

 Segundo João Velho, a proposta é revisitar textos teatrais que marcaram a carreira de Pereio como ator, diretor e produtor, resgatando memórias e conexões afetivas que moldaram sua vida e sua arte. “A ideia foi de reunir peças com as quais o Pereio teve envolvimento direto, seja atuando, dirigindo ou produzindo. Não foi fácil, mas escolhemos quatro leituras que representam momentos importantes da trajetória dele”, explica João, lembrando que a parte expográfica desse projeto foi elaborada pelos seus irmãos Thomaz e Lara Velho.

PROGRAMAÇÃO – A primeira leitura, será no dia 28 de novembro, às 18h, “Dor de Amor”, de Bráulio Pedroso, um texto que Peréio encenou ao lado de Neila Tavares, mãe de Lara, e Cissa Guimarães, mãe de João e Thomaz Velho.

Para essa leitura, João convidou a atriz Maria Manoella, grande amiga de Peréio. Além de João, o elenco reúne ainda Rafaela Amado, filha da atriz Camila Amado, e Cissa Guimarães, que retorna ao mesmo papel que fez na época. “A escolha dos atores também é afetiva. São pessoas ligadas ao meu pai por laços pessoais e profissionais”, ressalta o ator.

Em 17 de dezembro, será a vez de “Eu Te Amo”, filme dirigido por Arnaldo Jabor, que também fez a adaptação teatral. O personagem que foi de Peréio será interpretado por Sérgio Guizé, e Gianni Albertoni fará o papel feminino principal. Já a terceira leitura, acontece no dia 14 de janeiro, trazendo “Anti-Nelson Rodrigues”, texto inédito escrito por Nelson Rodrigues a pedido de Neila Tavares, durante um período em que o dramaturgo estava afastado do teatro.

Na versão original, atuavam Peréio, Neila, Carlos Gregório, Nelson Dantas e José Wilker. Agora, seus descendentes dão continuidade ao legado: Bel Wilker (filha de José Wilker), Daniel Dantas (filho de Nelson Dantas), Nina Velho (sobrinha de Peréio) e Maya Tyszler (filha de Lara Velho e neta de Peréio e Neila Tavares) integram o elenco. O próprio Carlos Gregório, único ator vivo do elenco original, participa novamente, e João interpreta o papel que foi de seu pai.

Encerrando o ciclo de leituras, em 11 de fevereiro, o público verá “O Analista de Bagé”, texto de Luiz Fernando Veríssimo, adaptado para o teatro por Peréio, que rodou todo  sul do país com a peça. João Velho faz o analista, com participação de Stella Miranda, que esteve na versão original, e seu irmão Thomaz, que interpreta os pacientes.

A exposição “Peréio – Semana que vem eu me organizo”, e as Leituras Afetivas, além de resgatarem a trajetória do ator, reforçam o papel de Peréio na memória cultural do país. Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, foram apresentadas na abertura da exposição, a performance de “Tchê, eu não morro”, e pílulas dos textos “Escuta, Zé Mané”, “Anti-Nelson Rodrigues”, “Eu te amo”, “O Analista de Bagé” e “Dor de Amor”, além de textos do próprio Peréio na performance, funcionando como um teaser do projeto, com participação dos atores: João Velho, Nino Batista, Nina Velho, Maya Tyszler, João Amorim e Pamela Alves.

Uma homenagem íntima e coletiva a Peréio

Para João Velho, esse resgate transmite um universo fascinante de um grande ator, permeando o audiovisual, que muitas pessoas não conheciam, e que é cheio de nuances de sua arte, loucura e amor. “É uma espécie de alívio. Meu pai fez e representou tanta coisa, e nós, os filhos, carregamos um pouco disso. É bonito poder reunir e entregar tudo isso às pessoas. Não é um dever, é um pertencimento. A gente se sente constituído por ele. O Peréio não é só nosso, é do Brasil todo”, confessa João, acrescentando que a exposição é um presente para a sociedade e para a memória do cinema e do teatro brasileiros.

“Aqui, o clima é muito familiar. Por isso, veio o nome Leituras Afetivas. Os desenhos são grandes obras de arte. Ele nunca chegou a expor em vida, mas fazia tudo com enorme sensibilidade. Mas é bonito manter vivo tudo isso, porque essa exposição é uma estreia mundial do Peréio como artista visual”.

Serviço

Leituras Afetivas – Exposição “Peréio – Semana que vem eu me organizo”
Local: Sesc Tijuca, Rio de Janeiro
Datas: 28 de novembro, 17 de dezembro, 14 de janeiro e 11 de fevereiro, com entrada franca
Horário: A partir das 18h

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