Hubble detecta jatos em 3I/ATLAS apontando para o Sol

O objeto interestelar 3I/ATLAS voltou a desafiar modelos astronômicos após novas imagens do Telescópio Espacial Hubble, capturadas em 14 de janeiro de 2026 e relatadas em 17 de janeiro de 2026 por Avi Loeb (Harvard) e colaboradores, indicarem uma anticauda se estendendo por mais de 130.000 km em direção ao Sol e três jatos menores separados por 120 graus. O comportamento contrasta com o esperado em cometas típicos, em que a pressão da radiação solar empurra o material para longe do Sol.

Em 22 de janeiro de 2026, o ângulo de fase deve cair a 0,69° às 13:00 UTC, criando uma geometria de quase-oposição considerada excepcionalmente rara.

Hubble expõe uma geometria incomum de jatos

Segundo Loeb e colaboradores, as imagens do Hubble mostram o 3I/ATLAS emitindo uma vasta anticauda voltada para o Sol, acompanhada por três jatos menores distribuídos em intervalos precisos de 120°. A configuração chama atenção porque, em objetos cometários típicos, o material ejetado tende a formar estruturas afastando-se do Sol, enquanto o 3I/ATLAS aparenta lançar material diretamente em sua direção.

A rotação do objeto também entra no pacote de “anomalias” descritas pelos pesquisadores. Com base em estudos de Loeb e Toni Scarmato usando dados do Hubble de novembro e dezembro de 2025, o 3I/ATLAS completa uma rotação a cada 7,1 horas, com o eixo de rotação alinhado ao eixo Sol–3I/ATLAS dentro de 20°. No mesmo conjunto de análise, o ângulo de posição médio da estrutura do jato fica em 270°, enquanto o eixo Sol–3I/ATLAS mede 290°. Loeb observa que o alinhamento “precisa ser explicado”, já que o eixo de rotação teria sido estabelecido no espaço interestelar muito antes da entrada no Sistema Solar; as análises estatísticas citadas indicam uma probabilidade de 1,5% a 6% de esse alinhamento ocorrer por acaso.

Quase-oposição em 22 de janeiro vira a principal janela de teste

Os cientistas apontam 22 de janeiro de 2026 como o momento-chave: a Terra deve passar quase diretamente entre o Sol e o 3I/ATLAS. De acordo com um artigo de Mauro Barbieri e Loeb, o ângulo de fase alcançará 0,69° às 13:00 UTC, permanecendo abaixo de 2° por aproximadamente uma semana.

A relevância prática, segundo o relato, é geométrica: com a anticauda “voltada para o Sol” apontando praticamente para a Terra, astrônomos poderão medir como o material dispersa e polariza a luz. Isso pode ajudar a distinguir se os detritos são fragmentos de gelo, partículas de poeira incomumente grandes ou “algo mais substancial”.

O texto também descreve uma mudança pós-periélio. Dados do observatório SPHEREx (NASA) teriam documentado transformações marcantes após a aproximação mais próxima do Sol, em 29 de outubro de 2025. Observações pré-periélio de agosto de 2025 mostraram absorção proeminente de gelo de água, enquanto espectros pós-periélio de dezembro de 2025 indicaram que essas assinaturas desapareceram em grande parte, substituídas por luz solar dispersa e emissão térmica de poeira organo-silicosa. O relato afirma ainda que a emissão de vapor de água aumentou em aproximadamente vinte vezes e que as moléculas orgânicas detectadas não teriam sobrevivido bilhões de anos no espaço interestelar sem estarem protegidas sob uma camada superficial — sugerindo que o calor do Sol expôs material antes enterrado.

Descoberto em 1º de julho de 2025, o 3I/ATLAS teria entrado no Sistema Solar a 61 km/s, comparado a 26 km/s para ’Oumuamua e 32 km/s para 2I/Borisov. Para os pesquisadores citados, as observações de 22 de janeiro podem indicar desde processos naturais pouco compreendidos até “física exótica”, em uma oportunidade descrita como rara e potencialmente irrepetível por décadas.

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