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Ilê Axé Oyá Bagan lança 1° Memorial do DF dedicado às tradições africana e afro-brasileira

por Rafael Gomes

O espaço reverencia essas matrizes, com uma exposição visual, para difundir a memória das práticas ancestrais fundadoras de nossa cultura

O reconhecido terreiro e centro cultural Ilê Axé Oyá Bagan realizou um importante lançamento para compreensão da ancestralidade de nossa cultura: um memorial às tradições de matriz africana e afro-brasileira, em 30/07, das 11h às 14h, em seu próprio endereço, localizado no Núcleo Rural Tamanduá – Brasília, DF.

O evento – fundamental para abrir janelas de respiro em tempos de intolerância religiosa, como os atuais – contou com toque de abertura para Oyá, roda de capoeira com Bando Matilha e almoço tradicional de sábado. E como é de praxe, tudo isso, aberto ao público.

Na ocasião, a dona da casa, Ialorixá Mãe Baiana de Oyá, conduziu a rota de apresentação do memorial, que foi delicadamente planejada e dividida em quatro setores:  Espaço Mitologia dos Orixás (Mural Artístico com pinturas dos 16 orixás da casa pelo artista Odrus – termo que, ao contrário significa surdo), Espaço Legado de Oyá Bagan (exposição fotográfica da memória do terreiro), Espaço Orixás e seus Símbolos (exposição cenográfica com orixás da casa) e  Jardim dos Símbolos (placas com máscaras das culturas de matrizes africana).

A mãe do terreiro demonstra sua felicidade por mais uma ação digna de reconhecimento, entre tantas já realizadas por ela como dirigente do Ilê Axé Oyá Bagan: “eu fico muito satisfeita de ver o Ilê crescendo e se expandindo. E com ele nossa memória, nossas matrizes ancestrais, enfim, todas as práticas e saberes que buscamos difundir com nosso trabalho e nossa fé. Com o memorial, ampliamos o raio de ação de nosso terreiro, assumimos um papel ainda maior na difusão da cultura afro. E assim seguiremos, esse é só mais um pedaço da história que vamos costurando com nossas existências”.

História e tradição

Além de proporcionar à comunidade uma chance de conhecer, entender e reconhecer suas próprias raízes históricas, o Ilê demonstra a essencial preocupação com inclusão social, ao promover acessibilidade tanto no evento de lançamento como no próprio espaço. Para isso, o projeto conta com placas da memória do terreiro escritas em braile, com legendagem e com áudio-descrição do vídeo institucional. São três ações fundamentais para trazer informação e conhecimento a ainda mais pessoas. Ademais, a pintura do mural localizado no espaço Mitologia dos Orixás foi reservada a um artista visual que tem deficiência auditiva, isto é, mais uma ação de inclusão.

Esse é o primeiro memorial exclusivamente dedicado à mitologia afro-brasileira em Brasília. “É um feito com significado simbólico para um espaço como um terreiro. Realizar a promoção da cultura por meio de lugares como museus, memoriais e exposições permanentes, normalmente, depende da chancela e da ação de entidades governamentais ou instituições de outra categoria. Então, o fato de que isso parta da iniciativa de um terreiro, que é um ponto de cultura e um espaço seguro de reunião de pessoas, incentiva a que outros também o façam. Queremos cada vez mais memoriais em terreiros por nossa cidade e por nosso país. Difundamos nossas tradições ancestrais, nós mesmas”, exalta Stéffanie Oliveira, presidente do Instituto Rosa dos Ventos, responsável pela realização do lançamento.

Combate ao racismo pelo saber

Outro ponto sensível que vem à tona com a criação desse primoroso memorial é a luta constante do Ilê contra a discriminação racial. É importante destacar que, por meio da promoção do livre acesso à informação, oferece mais uma ferramenta de democratização do saber, o que, por sua vez contribui sensivelmente para atenuar a alienação sistemática sofrida pela população, evitando que o racismo siga propagando-se também pela desinformação.

Assim, ao comunicar sobre as culturas africanas e afro-brasileiras, como motores da formação da identidade nacional, a iniciativa desmistifica sobre o sagrado e educa para propagar o respeito. Daí, a relevância de que o espaço mantenha-se aberto para visitação de escolas, além do público em geral.

Para conhecer o Memorial Ilê Axé Oyá Bagan, basta comparecer ao espaço aos sábados e domingos, de 9h às 18h. Porém, para visitá-lo de segunda a sexta, é necessário efetuar agendamento pelo e-mail do Ilê ou da Rosa dos Ventos.

Serviço: Memorial às Tradições de Matriz Africana e Afro-brasileira.

Local: Ilê Axé Oyá Bagan – Núcleo Rural Tamanduá – Brasília, DF, 70297-400.

Horário: de 11h às 14h.

Entrada: gratuita.

Visitação: sábados e domingos, de 9h às 18h. De segunda a sexta, somente com agendamento via grupo.oyabagan@gmail.com ou rosadosventos.gerencia@gmail.com

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