Infantojuvenil inédito, “Chuva na Caatinga” segue em cartaz no CCBB RJ homenageando o cartunista Henfil

Chuva Na Caatinga - Foto: Daniel Debortoli

Com a chegada dos 15 anos, a Multifoco Companhia de Teatro leva seu olhar para as infâncias. Não como quem deseja voltar a ser o que já foi um dia, mas como quem busca a inspiração, a resiliência e o frescor dos começos. É com essa proposta que “Chuva na Caatinga”, um espetáculo inspirado nas tirinhas do cartunista Henfil e adaptado e desenvolvido pelas muitas mãos que compõem a Multifoco, volta à cena dia 17 de janeiro de 2026, às 16h, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. O projeto conta com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através do Edital Fluxos Fluminenses.

Com direção de Ricardo Rocha e Diogo Nunes, a montagem apresenta três personagens do alto da caatinga – a pequena de forte personalidade Graúna, a ingênua cangaceira Zeferina e a intelectualizada cabra Francisca Orelana estão à procura de algo valioso para a humanidade: o sentimento da esperança. Várias dificuldades e descobertas acontecem nesse percurso, como a fome, a seca e a dificuldade de convivência.

“A amizade entre uma ave, um cangaceiro e um bode, bem como suas personalidades e aventuras, parece ser mais facilmente entendida pelas crianças. A ideia inicial surgiu através de uma tirinha específica, que foi o fio condutor, e a partir disso fizemos a escolha de alguns temas para serem abordados. Houve, então, um processo de pesquisa e seleção de quais tirinhas seriam utilizadas e uma costura, que também misturou outros textos e criação autoral para o que atendesse melhor a encenação”, antecipa Clarissa Menezes, idealizadora da montagem e atriz do espetáculo.

Viviane Pereira, uma das atrizes em cena e uma das fundadoras da companhia, acredita na força das figuras de linguagem que Henfil traz em suas obras. “A Caatinga também é uma metáfora para falar da desigualdade social, da fome, seca e da opressão que assolam o nosso país. O pano de fundo da peça é a busca pela esperança, é dizer que essa luta pela dignidade e pela ‘chuva’ é uma pauta que pertence a todas e todos os brasileiros, e que ‘quando a gente acredita no outro, na outra, a amizade vira força. E a força vira luta coletiva por um mundo melhor’”, salienta, citando um trecho do texto da peça.

Com a clássica tirinha adaptada para o teatro, o público-leitor pode se surpreender com a encenação. Presentes no processo de criação como parte da pesquisa em expressão corporal, tanto a estética de cartum, quanto o desenho animado foram observados na busca de características de movimentação. “Abandonamos o realismo, que não se relaciona com a estética dos quadrinhos e do desenho animado, para rabiscar novos quadros na tela da cena. Performamos a temática da peça com gestos, posturas, manipulações do cenário e formas corporais que nascem do olhar atento aos traços de Henfil”, explica o diretor de movimento Palu Felipe.

A peça valoriza a diversidade artística brasileira na escolha de uma dramaturgia autoral baseada na obra do jornalista e escritor brasileiro Henfil, que em 1964 iniciou sua carreira de cartunista. Trabalhou, entre outros veículos, em “O Pasquim”, “Jornal do Brasil”, “Estadão”, “O Globo” e na revista “O Cruzeiro”. O projeto se propõe a construção de memória dos 81 anos do seu nascimento e 61 anos de sua obra. Uma singela maneira de manter viva sua criação por meio da recriação de suas histórias e personagens no teatro.

“Henfil publica sua obra num contexto de Brasil marcado pela censura, onde a graça e a ironia eram artifícios fundamentais para que se pudesse falar do que era pungente naquele momento e tentar passar batido pela repressão, o que era um feito hercúleo. Ao decidir apresentar sua obra no palco para um público de menos idade, viemos buscando quais linguagens nos ajudam a transpor o tom do Henfil para a cena. Então, bebemos nas ferramentas da palhaçaria, da comédia física, além das acrobacias – que já são uma marca da companhia – para trazer a leveza e o humor para a cena”, analisa Bárbara Abi-Rihan, atriz da peça e também fundadora do grupo.

A montagem traz como elemento fundamental a música, assim como a sonoplastia e as onomatopeias, recurso muito utilizado nas histórias em quadrinhos. Responsável pela direção musical, a compositora e musicista Rohl Martinez entra em cena como a onça Glorinha, outra personagem do Alto da Caatinga de Henfil, ajudando a ilustrar com sons a história. “A peça conta com quatro canções originais compostas por mim com a colaboração do diretor Ricardo Rocha em algumas letras. Construímos uma narrativa que mistura movimento e som (utilizando violão, percussões, apitos, efeitos sonoros, etc.), criando uma atmosfera lúdica onde a movimentação das personagens ganha cor e desenho por intermédio do som feito ao vivo em cena”, explica.

A produtora executiva Fernanda Xavier entende que, mais do que um título, o espetáculo é um sopro de fé e renovação. “‘Esperançar’ é o verbo que guia a narrativa, um lembrete de que, mesmo em tempos de secura, ainda há sonho, movimento e possibilidade. Inspirado nas potências da infância, o espetáculo nos convida a revisitar o olhar puro e curioso que enxerga o mundo com possibilidades infinitas. Propomos uma reflexão poética e necessária sobre o valor de seguir em busca do que realmente importa. Mais do que esperar a esperança, o espetáculo fala sobre agir, caminhar e acreditar. Porque quando se sonha em companhia, tudo floresce mais fácil”, aposta.

Um dos diretores da peça, que também assina sua cenografia e iluminação, Ricardo Rocha revela que o desejo da montagem nasceu da vontade de celebrar o tempo. “De olhar para tudo o que vivemos nesses 15 anos e reencontrar o encantamento. Montar o primeiro espetáculo infantil é como retornar à origem, mas com a maturidade de quem aprendeu a brincar de outros modos. É um gesto de futuro: reencontrar a infância não como passado, mas como potência criadora”, observa. “Trabalhamos a cenografia como um elemento ativo, que desafia o corpo e provoca a criação de imagens poéticas em cena. A pesquisa da companhia desperta, em crianças de todas as idades, o impulso de mover o corpo e imaginar o mundo, ampliando os modos de existir, sonhar e crescer em comunidade”, finaliza o diretor e visagista Diogo Nunes.

SINOPSE

“Chuva na Caatinga” é uma aventura a partir da obra do cartunista Henfil. Três personagens – a determinada Graúna, a ingênua Zeferina e a intelectualizada Orelana – estão à procura de algo valioso para a humanidade: o sentimento de esperança. Várias adversidades e descobertas acontecem nesse percurso, no qual o trio se depara com a dificuldade de convivência. A montagem é a primeira dedicada ao público infantojuvenil da Multifoco Companhia de Teatro que, em 2025, completou 15 anos de trabalho continuado na cidade do Rio de Janeiro.

CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 36 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.

FICHA TÉCNICA

  • A partir da obra de Henfil
  • Elenco: Bárbara Abi-Rihan, Clarissa Menezes e Viviane Pereira
  • Musicista: Rohl Martinez
  • Idealização: Clarissa Menezes
  • Dramaturgia: Clarissa Menezes e Ricardo Rocha
  • Citação: Albert Einstein, Bertold Brecht, Conceição Evaristo, Guimarães Rosa e Luiz Antônio Simas
  • Direção: Diogo Nunes e Ricardo Rocha
  • Direção Musical e Arranjos: Rohl Martinez
  • Cenografia e Iluminação: Ricardo Rocha
  • Visagismo: Diogo Nunes
  • Figurinos e Adereços: Halyson Félix
  • Direção de Movimento: Palu Felipe
  • Preparação Física: Pico Academia (Rodrigo Stavale)
  • Operação de som: Luana Zanotta
  • Produção Executiva: Fernanda Xavier
  • Assistência de Produção: Halyson Félix
  • Interlocução Artística: Danielle Geammal
  • Cenotécnico: Moisés Cupertino
  • Comunicação Visual: Nícolas Martins
  • Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Comunicação (Bruno Morais e Gisele Machado)
  • Mídias Sociais: Viviane Dias
  • Fotos e Vídeo: Códigos Art (Daniel Debortoli)
  • Direção de Produção: Multifoco Produções Culturais
  • Apoio: Ato Iluminação, Cia Pequod

SERVIÇO

CHUVA NA CAATINGA
Centro Cultural Banco do Brasil
Teatro III
Temporada:

17 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026
Sábados e Domingos às 16h
Sessões Extras: 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026 – 11h

Inteira: R$ 30 | Meia-entrada: R$ 15, disponíveis na bilheteria física ou no site do CCBB (bb.com.br/cultura)
Estudantes, maiores de 65 anos e cartões Banco do Brasil pagam meia-entrada
Classificação Indicativa: Livre
Duração: 60 minutos

Centro Cultural Banco do Brasil

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro – RJ

Tel. (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br

Informações sobre programação, acessibilidade, estacionamento e outros serviços:

bb.com.br/cultura

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Funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças).

ATENÇÃO: Domingos, das 8h às 9h – horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017)

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