Ingrid Ranieri acende debate sobre o feminicídio no teatro e se prepara para estrear em dose dupla no Globoplay em ‘Arcanjo Renegado’ e ‘Kasa Branca’

Ingrid Ranieri
Ingrid Ranieri (Arquivo pessoal)

Aos 25 anos, Ingrid Ranieri está vivendo um de seus mais poderosos processos de resgate à sua origem ancestral. Isto porque a atriz, descendente da etnia Tupinambá, dá vida a Yara no espetáculo de mesmo nome, que após a estreia no dia 12 de maio na Lona Cultural de Itaipuaçu, em Maricá, ainda terá novas cidades confirmadas. Também de origem indígena, a personagem é vítima de feminicídio, mas renasce para proteger os povos da floresta. 

Além do teatro, Ingrid também dá passos largos no audiovisual. Ainda em 2024, mas sem data confirmada para a estreia, estará na terceira temporada da série “Arcanjo Renegado” e no longa “Kasa Branca”, dirigido por Luciano Vidigal, ambos do Globoplay. Também participou do clipe “Tempos Modernos” de Lulu Santos com Pedro Sampaio. O clipe está disponível em todas as plataformas digitais.

Ela é descendente do povo tupinambá e resgatou sua cultura com Yara – Indígena em contexto urbano, Ingrid é paraense e agora mora no Rio de Janeiro. “A busca pela minha identidade aconteceu quando cheguei no Rio e me vi órfã da minha própria história”. Foi quando conheceu a Aldeia Marakanã. “Alí nasceu uma força coletiva do resgate tupinambá”. 

E Yara faz parte deste processo. “É um trabalho que mexe não só com a minha carreira, mas com todo o meu processo de resgate identitário cultural. Interpretar Yara é vivenciar circunstâncias que já foram minhas, e de muitas outras que vieram antes de mim”, conta a atriz.

Mulher paraense e indígena, viveu o machismo e a xenofobia no Rio de Janeiro – Chegando ao Rio aos 17 anos para estudar artes cênicas, Ingrid conta que viveu a realidade do preconceito de diversas formas. “Já questionaram até a qualidade da minha arte por eu não ter nascido e estudado no eixo sudeste”, relembra. “Por que eu, nortista, preciso neutralizar o meu sotaque? Existe um sotaque neutro ou é só sobre se adequar ao sudeste?”.

A atriz ainda destaca que na sociedade atual, é quase impossível uma mulher não viver o machismo e conta que essa é uma das maiores relevâncias de Yara. “Ver uma mulher passando por situações de dificuldades e tendo conquistas pela sua força ancestral, pode despertar nas meninas uma correnteza de forças carregadas pela ancestralidade”.

A peça luta contra o apagamento cultural feito pelos colonizadores – Segundo Ingrid, muitas pessoas ainda veem o Brasil como um país “descoberto” e não invadido e que isto é parte de um projeto de apagamento cultural. “O que fazemos é resgatar nossas memórias através da arte”.

A atriz conta também que a até mesmo a escolha do local de estreia da peça – na Lona Cultural de Itaipuaçu, em Maricá, foi proposital. “Estamos falando para um público amplo e misto, um espetáculo gratuito e em local aberto, que acontece fora do eixo central do Rio de Janeiro. Essas escolhas não foram à toa. Se uma pessoa saiu de lá questionando aqueles acontecimentos, afetado de alguma forma, acredito que o espetáculo cumpriu seu papel”.

Grito social também em “Arcanjo Renegado” – Sucesso absoluto, “Arcanjo Renegado” está chegando ao Globoplay para a terceira temporada. Ainda sem data marcada para a estreia, as gravações já foram encerradas. Ingrid viverá Tininha, moradora da Amazônia. 

Como tantas outras mulheres da vida real nessa região, a personagem vive em contexto de vulnerabilidade social, exposta ao universo da prostituição.

Primeiros passos no cinema com “Kasa Branca” – O novo filme do Globoplay dirigido por Luciano Vidigal vai contar a história de uma adolescente do subúrbio carioca que descobre que a avó está em fase terminal do Alzheimer. Ingrid vive Marcella. 

“Ela é uma jovem de espírito livre, que tem sede por viver intensamente e que vai viver muitas aventuras que desestruturam a base da família tradicional brasileira”, adianta a atriz. O longa ainda não tem data de estreia, mas é previsto para o fim de 2024.

Ingrid Ranieri é um talento Catapulta – Catapulta é uma gestora artística que surgiu da percepção da necessidade dos atores de se posicionarem no mercado de forma estratégica e consistente, contando com um seleto grupo de artistas, priorizando a diversidade e o desenvolvimento de carreira de cada assessorado, auxiliando em todas as etapas. O intuito é lapidar talentos nacionais e internacionais, entre os quais estão Dandara Abreu, Luiza Rosa e mais.

Ingrid Ranieri nas redes:

www.instagram.com/gui_ranieri

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