Intervenções psicanalíticas na parentalidade previnem transmissão intergeracional de sofrimento

por Graça Duarte

A família é o lugar onde se formam representações internas, modos de lidar com angústia e primeiras identificações. A teoria do apego (Bowlby) e pesquisas contemporâneas mostram que a saúde mental dos cuidadores influencia diretamente a regulação afetiva e a segurança do vínculo infantil. Problemas parentais reverberam no desenvolvimento emocional das crianças e na qualidade das relações conjugais.

Estudos sobre psicopatologia parental evidenciam que depressão e traumas não elaborados aumentam risco de dificuldades emocionais na prole. Programas que fortalecem a mentalização parental, a capacidade de entender estados mentais próprios e do outro, demonstram efeitos positivos no vínculo e na diminuição de sintomas infantis.

Novas práticas perinatais combinam visitas domiciliares, suporte clínico e orientação relacional, com avaliações mostrando melhoria do apego e redução de fatores de risco. A integração entre clínica e políticas públicas tem se mostrado promissora na prevenção precoce.

Intervenções para problemas familiares comuns

Comunicação conflituosa entre cônjuges: terapia familiar de orientação psicodinâmica explora defesas, transferências e papéis repetidos, não apenas regras de convivência, e cria espaço para novas narrativas e comportamentos mais adaptativos.

Pais com histórico de trauma ou depressão, é preciso tratar precocemente os progenitores com psicoterapia psicodinâmica ou intervenções de mentalização, aliado a suporte à parentalidade, reduz a probabilidade de prejuízos emocionais nas crianças. O cuidado ao cuidador é medido preventiva fundamental.

Padrões autoritários ou negligentes: programas de educação parental que incorporam reflexão psicanalítica sobre limites, contenção e simbolização, complementados por terapias de apoio, ajudam a interromper ciclos intergeracionais e a promover vínculos mais seguros.

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