“Isso Não É Jazz e Blues” desafia o circuito oficial e dá luz aos artistas locais em Rio das Ostras

Diogo Spadaro durante apresentação. Foto: Kelly Oliveira

Quem frequenta o palco Iriry, do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, sabe que é um dos espaços mais múltiplos artisticamente. Quem passa por lá acaba assistindo outras formas de arte e música independente. Uma delas é o movimento “Isso não é Jazz e Blues”, idealizado pelo músico Diogo Spadaro. No dia 20 de junho, realiza mais uma edição de suas jam sessions no quiosque ao lado do palco da Lagoa do Iriry.

A iniciativa, que surge como resposta à concentração de holofotes no prestigiado Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, propõe um espaço alternativo onde artistas locais e regionais podem se apresentar, improvisar e dialogar musicalmente, fortalecendo a cultura local e criando novas possibilidades de circulação artística.
Criado em 2019, o “Isso Não É Jazz e Blues” chega à sua quinta edição como um movimento paralelo e complementar ao festival oficial de Rio das Ostras, cidade reconhecida nacionalmente pelo evento internacional de jazz e blues que atrai milhares de pessoas a cada ano.

Foto: Kelly Oliveira

 

“Nosso objetivo é criar um ambiente de liberdade criativa, onde os músicos possam se encontrar para trocar experiências e criar música de forma espontânea”, afirma Diogo Spadaro. Ao lado de artistas como Denisson Caminha (bateria), Matheus Jazz Bass (baixo) e Cau Barros (percussão), Spadaro integra a banda Freetação, que lidera as jam sessions desta edição.

Foto: Kelly Oliveira

*A ideia, segundo os organizadores, é criar um espaço horizontal de expressão artística. “É uma ocupação cultural simbólica, que amplia a oferta cultural da cidade durante o festival, mas também aponta para a necessidade de espaços permanentes de experimentação e circulação de artistas locais ao longo do ano”, completa.

O evento ocorre logo após as apresentações de Coco Montoya, guitarrista norte-americano com longa trajetória no blues, e da banda francesa Ozma French Explosive Jazz, ambos no palco oficial da Lagoa do Iriry. A escolha do horário e do local é estratégica: ao aproveitar a movimentação de público do festival, o projeto consegue atrair mais ouvintes e ampliar o alcance dos artistas regionais.

Além de contribuir para a visibilidade dos músicos locais, o projeto também se articula com outras frentes de ação cultural. Diogo Spadaro é um dos responsáveis pelo selo musical “Isso Não É”, que documenta produções autorais da região, e já integrou coletivos como o Mucambo e o Música da Cidade, que reivindicam maior investimento em políticas públicas para a cultura em municípios do interior do estado.

A crescente adesão do público e a participação de artistas de diferentes estilos apontam para a consolidação do “Isso Não É Jazz e Blues” como uma alternativa legítima no calendário cultural de Rio das Ostras.

Enquanto isso, os sons seguem ecoando pelas margens da Lagoa do Iriry — provando que a música pulsa para além do palco principal, e que a arte, muitas vezes, nasce nos encontros espontâneos.

Related posts

Noites de Verão no Morro da Urca segue com show de Delacruz

Thiaguinho transforma Vila JK em roda de pagode com shows de “Banjo e Boné”

Orquestra Forte de Copacabana levará o show ‘Afro Jazz Carioca’ ao Uruguai, dia 18 de janeiro, no Festival Jazz a la Calle