McLaren prevê corridas de “gato e rato” com gestão de energia no novo regulamento da F1 em 2026

Com o fim do DRS e a adoção de modos de potência e aerodinâmica ativa, a equipe aposta que a disputa roda a roda vai depender menos de “reta” e mais de como cada piloto administra bateria e janelas de ataque.

por Redação
McLaren F!

A McLaren avalia que a Fórmula 1 de 2026 vai alterar o “manual” de ultrapassagens: em vez de um gatilho relativamente previsível como o DRS, a disputa deve ganhar um componente de leitura e contra-leitura do rival, com pilotos escolhendo quando gastar, preservar ou recuperar energia elétrica. A projeção foi reforçada por Mark Temple, diretor técnico de desempenho do time, ao descrever um início de era em que cada decisão tende a provocar uma resposta imediata do concorrente — um cenário que ele resumiu como “um pouco de gato e rato”.

O pano de fundo é a maior virada regulatória do ciclo recente: a F1 retira o DRS e introduz um pacote de aerodinâmica ativa e modos controlados pelo piloto, combinado com unidades de potência em que a parcela elétrica ganha protagonismo. Na prática, o carro passa a oferecer mais “ferramentas” ao piloto — e, com elas, mais variação de ritmo ao longo de uma volta, sobretudo nas retas.

Detalhes

A arquitetura esportiva de 2026 substitui a lógica “se estiver a menos de 1s, abre asa” por um ecossistema de escolhas: Active Aero (com configurações de reta e curva), Overtake Mode (energia extra para atacar quando o carro está a menos de um segundo), Boost (uso máximo combinado onde o piloto quiser, desde que haja carga), e Recharge (modos de recarga e regeneração). Para Temple, o ponto decisivo é que, com mais potência elétrica disponível, a quantidade de energia restante vira moeda estratégica — e não apenas um detalhe de telemetria.

A mudança aparece também na engenharia: o conjunto híbrido mantém o V6 1.6 turbo, mas com divisão aproximada 50/50 entre combustão e elétrico, e um salto do MGU-K de 120 kW para 350 kW — limite e parâmetros que constam em documentos regulatórios e explicativos do pacote 2026.

O efeito colateral, reconhece a própria McLaren, é pedagógico: o chefe de equipe Andrea Stella admitiu que, no começo, o público pode estranhar ultrapassagens muito “fáceis” — muitas vezes explicadas não por diferença estrutural de carro, mas por assimetria momentânea de bateria (um com carga cheia, outro esvaziando após defender ou atacar). Essa preocupação está alinhada ao esforço oficial de padronizar termos e explicar o funcionamento dos novos recursos.

Na visão de Temple, a consequência esportiva é uma corrida menos linear: o piloto pode escolher despejar energia em uma reta para atacar — e ficar vulnerável na sequência — ou “segurar” para construir vantagem em outro trecho. Ele citou circuitos com retas em série como exemplo de dilema tático: gastar cedo demais pode abrir a porta para um contra-ataque adiante, especialmente quando vários carros se agrupam e as decisões passam a ser reativas, quase “por turnos”.

Com isso, o simulador vira peça central. A McLaren tem colocado Lando Norris e Oscar Piastri em sessões para mapear cenários de ataque/defesa com os novos modos, enquanto valida o comportamento do conjunto com a fornecedora de unidades de potência. A lógica é antecipar, ainda antes da pista, como a combinação de boost, overtake, aerodinâmica ativa e recarga muda pontos de frenagem, saída de curva e, principalmente, o “timing” de ultrapassagem.

O primeiro contato coletivo com a era 2026 começa em Barcelona, em um teste privado entre segunda-feira, 26 de janeiro, e sexta-feira, 30 de janeiro, antes das duas etapas de pré-temporada no Bahrein e da abertura do campeonato em Melbourne, no GP da Austrália (sexta-feira, 6 de março, a domingo, 8 de março), conforme o calendário oficial.

Dados & Destaques

  • Declaração-chave (McLaren): Mark Temple prevê disputas de “gato e rato” no começo da era 2026.

  • DRS sai de cena: a FIA confirma que o DRS “não existe mais” em 2026, substituído por aerodinâmica ativa e assistência de ultrapassagem por energia.

  • Novas ferramentas do piloto: Overtake Mode, Boost, Active Aero e Recharge (terminologia oficial).

  • Unidade de potência: ~50/50 combustão/elétrico; MGU-K: 120 kW → 350 kW.

  • Risco de confusão para o público: Stella aponta que a compreensão de estado de bateria ajudará a explicar ultrapassagens “fáceis”.

  • Preparação via simulador: McLaren trabalha cenários de uso de energia e modos antes de ir à pista.

  • Agenda (confirmada): Barcelona 26–30 de janeiro; Bahrein 11–13 de fevereiro e 18–20 de fevereiro; Austrália 6–8 de março.

Serviço

📍 Onde: Circuit de Barcelona-Catalunya (teste privado) | Bahrain International Circuit (testes) | Albert Park, Melbourne (abertura)
📅 Quando: 26–30 de janeiro | 11–13 de fevereiro e 18–20 de fevereiro | 6–8 de março
💰 Quanto: valores de ingressos variam por promotora e pacote (não informado no seu material).
🔗 Links Oficiais: calendário e etapa da Austrália no site oficial da F1 e programação no site oficial do GP.

CTA orgânico: Em 2026, vale assistir às primeiras corridas com um detalhe na tela — carga de bateria e uso de modos devem explicar por que um ataque acontece “agora”, e não na próxima zona de reta.

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