Novas pesquisas detalham navegação de morcegos e aplicação em drones

Duas pesquisas independentes publicadas em janeiro de 2026, lideradas pela Universidade de Bristol e pela Universidade de Cincinnati, revelaram mecanismos inéditos sobre como morcegos utilizam o fluxo sonoro para navegar e caçar na escuridão total. Os estudos, que envolvem desde corredores de voo controlados até robôs biomiméticos, oferecem dados cruciais para o desenvolvimento da próxima geração de drones e veículos autônomos.

“Isso é semelhante a como as coisas parecem passar mais rápido pelos seus olhos quando você ganha velocidade.” — Professor Marc Holderied, sobre a percepção de fluxo acústico.

O fluxo acústico e a máquina aceleradora

Pesquisadores da Universidade de Bristol confirmaram que morcegos selvagens utilizam a “velocidade de fluxo acústico” para se orientar, uma descoberta publicada no Proceedings of the Royal Society B. Para isolar esse fenômeno, a equipe construiu uma “Máquina Aceleradora de Morcegos”: um corredor de voo de oito metros revestido com 8.000 refletores acústicos que simulam sebes naturais.

A equipe, liderada pela Dra. Athia Haron, manipulou o movimento desses refletores para testar a reação dos animais. Os resultados mostraram uma relação causal direta entre o fluxo percebido e a velocidade de voo:

  • Quando o fluxo acústico aumentava contra a direção do voo (simulando maior velocidade), os morcegos pipistrellus reduziam a velocidade em até 28%.

  • Quando os refletores se moviam na mesma direção do voo, os animais aceleravam.

Isso comprova que, diante da dificuldade de analisar milhares de ecos individuais, os morcegos processam o padrão global do fluxo sonoro, similar ao fluxo óptico usado por humanos e outros animais durante o dia.

Robótica biomimética e precisão de caça

Paralelamente, um estudo publicado em 13 de janeiro no Journal of Experimental Biology utilizou um robô para entender como morcegos detectam presas estáticas. Pesquisadores da Universidade de Cincinnati e do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian desenvolveram um dispositivo que imita a cabeça de um morcego para localizar insetos camuflados em folhas.

O robô demonstrou que não é necessário reconhecimento complexo de objetos. Ao identificar sinais acústicos e ajustar a direção para maximizar o volume do retorno sonoro no “ouvido” esquerdo ou direito, o dispositivo atingiu 98% de precisão na detecção de libélulas.

Abaixo, um comparativo técnico dos dois estudos recentes:

Parâmetro Estudo de Bristol (Reino Unido) Estudo de Cincinnati/Smithsonian (EUA)
Foco Central Navegação e controle de velocidade Detecção de presas em ambientes ruidosos
Ferramenta Corredor de 8m com 8.000 refletores Robô biomimético (cabeça de morcego)
Descoberta Uso de fluxo acústico baseado em Doppler Ajuste direcional por volume de sinal
Aplicação Algoritmos de navegação de voo Sensores de detecção de objetos

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é fluxo acústico?

É a percepção do movimento relativo de objetos ao redor através do som. Assim como o fluxo óptico nos permite sentir a velocidade visualmente (como postes passando rápido pela janela de um carro), o fluxo acústico permite que o morcego sinta sua velocidade baseada na rapidez com que os ecos passam por ele.

Por que os drones atuais não usam isso?

A maioria dos drones comerciais depende de GPS e câmeras (lidar ou visual). Esses sistemas falham em ambientes com fumaça, neblina ou escuridão total. A tecnologia baseada em morcegos permite navegação autônoma puramente por som, sendo mais robusta em condições adversas.

O robô sabia o que era uma folha ou um inseto?

Não. Segundo o coautor Dieter Vanderelst, o robô operou puramente por análise de sinal, sem “conhecimento” semântico do objeto. Ele apenas seguia o sinal acústico mais forte, provando que a complexidade cognitiva necessária para a tarefa é menor do que se imaginava.

Related posts

Brasil exige que X bloqueie deepfakes do Grok sob pena de sanção

Google lança Gemini no Chrome para Chromebook Plus na versão 144

Evento de 40 anos de Dragon Ball confirmará novo jogo neste sábado