Movimentos sociais se unem em ato contra feminicídio e violência LGBTfóbica no Rio

Arquivo pessoal - Indianarae Siqueira

A Casa NEM está organizando um ato público para este domingo, 21 de dezembro, nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. A mobilização surge como resposta ao crescente número de ataques violentos contra mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e minorias, que seguem sendo assassinadas e agredidas em todo o país. O objetivo é unir diferentes movimentos sociais na luta por políticas afirmativas e pelo fim da violência.

Indianarae Siqueira, fundadora da Casa NEM, reforça a urgência da manifestação e a necessidade de união entre as lutas. “Precisamos fazer um ato. Está acontecendo um massacre também contra a vida das pessoas trans e não estão falando sobre isso. Agora uma adolescente trans de 13 anos foi queimada viva”, afirma a ativista, destacando que a violência atinge mulheres cis, mulheres trans, travestis e toda a comunidade LGBTQIAPN+. “Assim como as mulheres [cis] são massacradas, as pessoas trans estão sendo massacradas, estão sendo assassinadas todos os dias”, completa.

União de movimentos sociais

O ato convoca não apenas a comunidade LGBTQIAPN+, mas todos os movimentos sociais que representam minorias e grupos em situação de vulnerabilidade. A ideia é fortalecer as lutas por políticas afirmativas, sociais e culturais, denunciando os alarmantes casos de feminicídio, LGBTfobia e violações de direitos humanos que atingem especialmente favelas e periferias. Movimentos de mulheres negras, coletivos feministas, organizações antirracistas e demais grupos estão sendo chamados para somar forças na ocupação dos Arcos da Lapa.

Violência que não para de crescer

Os números comprovam a gravidade da situação que atinge tanto mulheres quanto a população LGBTQIAPN+. O Brasil segue como o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo pelo 17º ano consecutivo. Em 2024, o Grupo Gay da Bahia registrou 291 mortes violentas de pessoas LGBTQ+, o que representa uma morte a cada 30 horas. O Dossiê ANTRA contabilizou 122 assassinatos de pessoas trans no mesmo período, sendo 82% das vítimas pessoas pretas e pardas.

O Atlas da Violência 2025 trouxe dados ainda mais assustadores. As agressões contra a população LGBTQIAPN+ cresceram mais de 1.000% em dez anos. No caso específico de travestis, os registros saltaram de 27 casos em 2014 para 659 nos dados mais recentes, um aumento de 2.340%. Paralelamente, os casos de feminicídio seguem em níveis alarmantes, com mulheres sendo assassinadas, esfaqueadas e queimadas diariamente em todo o país.

Casos recentes chocam o país

Uma adolescente trans de 13 anos está internada em estado grave após ser brutalmente agredida e queimada em via pública, em Guarapari, no Espírito Santo. Segundo familiares, a jovem foi encontrada caída no chão, com queimaduras extensas pelo corpo e no rosto. “Ela fala que levaram ela para uma rua escura e bateram muito nela, e depois atearam fogo”, relatou a tia da vítima. A adolescente foi transferida para o Hospital Infantil de Vitória, onde segue internada, sem previsão de alta. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Outro caso recente também mobilizou a comunidade. Fernando Vilança, de apenas 17 anos, morador de Manaus, saiu de casa para comprar leite e não voltou. O jovem, que sonhava ser veterinário, foi espancado até a morte por LGBTQIAPNfobia. “Quantos mais precisarão morrer para que o amor seja respeitado?”, questiona a ativista. A morte de Fernando reforça a urgência de políticas públicas de proteção à juventude LGBTQIAPN+ e o combate ao preconceito desde o ambiente escolar.

Resistência coletiva e solidariedade

O ato nos Arcos da Lapa não será apenas um momento de denúncia e protesto, mas também de encontro, acolhimento e confraternização entre todos os movimentos sociais. Durante a mobilização, serão coletadas doações para o Des(Natal) da Casa NEM, projeto que fortalece a rede de apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade. “Nossa presença é resistência. Nosso corpo é político. Nossa alegria e solidariedade também são luta”, destaca o texto do convite.

Indianarae convoca movimentos sociais, coletivos e aliados de todas as frentes no país para somarem forças. “Organizemos nossas manifestações, dá tempo até domingo. Sejam pequenas, sejam grandes, em cada cidade, em cada capital. Chamemos nossos coletivos e vamos nos manifestar em prol de nossas vidas”, conclama a ativista, reforçando que a luta é de todos que defendem direitos humanos e dignidade.

SERVIÇO

Ato nos Arcos da Lapa pela vida das pessoas trans
Local: Arcos da Lapa, Rio de Janeiro
Data: 21 de dezembro (domingo)
Horário: a partir das 14h
Organização: Casa NEM
Durante o evento haverá coleta de doações para o Des(Natal) da Casa NEM

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