Museu do Amanhã recebe 2ª Edição do Prêmio Mestre das Periferias

Daniel Munduruku no discurso de agradecimento

O Museu do Amanhã, na Zona Portuário do Rio, recebeu, na noite desta quarta-feira, a segunda edição do “Prêmio Mestre das Periferias”, promovido pela UNIperiferias. A cerimônia homenageou quatro personalidades: a filósofa Sueli Carneiro, o escritor e ator Daniel Manduruku, a professora e primeira deputada transexual da Alerj, Dani Balbi, e Frei David, fundador da Educafro.

O evento começou com show da cantora Didi Assis e contou também com apresentações artísticas de Nane Vieitas e da poeta Valen. O diretor da UNIperiferia, Cleber Ribeiro, reforçou que a periferia é o centro de produção de conhecimento:

“Trabalho com pessoas muito potentes e envolvidas nas questões sociais. A UNIperiferia é um espaço de aprendizado, ensino, feito de pesquisas e de eventos como este, criado para desenvolver e resolver questões da sociedade”.

Daniel foi o primeiro a subir ao palco para receber o troféu. Para ele, o Prêmio é mais que uma recompensa, é saber que está no caminho certo e que a luta vale a pena:

“É efetivamente um prêmio de reconhecimento pelos meus iguais. Eu sou da periferia e quero ser visto pelos periféricos como parte deles. Esse evento é de suma importância para escapar da falsa ideia de que só o centro e os lugares ditos ‘desenvolvidos’ são capazes de produzir saberes”.

Frei Davi chamou a atenção das universidades para as periferias

Frei Davi destacou o objetivo do projeto, que busca chamar a atenção das universidades para as periferias:

“O Prêmio é uma maneira de questionar e dar um recado às universidades, o qual elas precisam enxergar a periferia como também produtora de saber, produtora do ser, produtora do fazer. Não dá para continuar com as universidades desligadas da periferia”, alerta.

Dani e Sueli gravaram um vídeo para agradecer o reconhecimento. Elas não puderam comparecer presencialmente, mas enviaram representantes.

A cerimônia também marcou o lançamento do livro homônimo, em que conta a trajetória de cada premiado.

Homenageados em 2018

O Prêmio reconhece e celebra pessoas periféricas notáveis com o objetivo de impulsionar a construção de uma sociedade mais justa e democrática, indo além de uma homenagem individual. A iniciativa expande narrativas e ideias geradas nas periferias. Serve como uma contraposição às formas de preconceito que esses sujeitos e comunidades são vistos.

Na primeira edição, em 2018, O Prêmio prestou homenagens a Ailton Krenak, figura icônica e defensor incansável dos direitos indígenas; a escritora Conceição Evaristo, pela sua prosa poética que aborda as complexidades da identidade negra; Marielle Franco, que foi vereadora e ativista política do Rio e lutou pelos direitos humanos e contra a violência; e o filósofo Nêgo Bispo, reconhecido pela sua defesa da população negra e quilombola.

Sustentabilidade

A UNIperiferias destaca seu compromisso permanente com práticas sustentáveis e responsáveis. A cerimônia destinou materiais para reciclagem, acessibilidade para pessoas com deficiência, intérpretes de Libras e outras medidas adequadas. Foram promovidas também ações de responsabilidade social, como o incentivo à doação de alimentos para causas locais.

O Prêmio Mestre das Periferias é patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS. Também conta com parcerias como Itaú Social, Fundação Tide Setubal, Gerdau, Textual Comunicação, Diversa Com, Museu do Amanhã e Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG).

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1 comentário

Museu do Amanhã recebe 2ª Edição do Prêmio Mestre das Periferias - Rio Carta janeiro 25, 2024 - 12:08
[…] Com informações da Sopa Cultural […]
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