A uma sensação que párea no ar neste momento, são os gemidos de um parto tardio e avassalador que está a caminho, o mundo está em ebulição, uma ebulição transformadora que testemunhamos hoje, agora. É uma crise de sentido social humano que transborda em nossas vidas e para o modo como enxergamos tudo. As velhas bússolas foram quebradas e já não apontam para o rumo correto, e nossas certezas estão caindo pelo caminho.
Olhamos para o leste europeu e vemos ainda a ferida aberta do conflito entre Rússia e Ucrânia, um conflito que desafia o progresso mútuo pacifico para toda região, a expansão da migração mulçumana na Europa, causando conflitos culturais e religiosos. Agora no Irã, onde as tensões revelam anseios sociais sufocados por jogos políticos e tirania interna contra seu próprio povo. Mas perto de nós, a Venezuela permanece como um espelho doloroso de como uma gestão de poder pode desmantelar o sonho e tecido social de uma nação. O tabuleiro do mundo está mudando, novas peças estão sendo movimentadas, eixos tradicionais para novas coalizões, em busca de mais poder, terras e influencia global. Essas movimentações infelizmente em 2025 causaram segundo a ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) aproximadamente 240.000 mortes por todo mundo, e esse número só cresce a cada dia.
Outro ponto que corrobora para esse quadro assustador e a percepção de uma corrupção endêmica que se tornou o modus operandi da sociedade. E aqui mergulhamos no abismo das contradições humanas. Como podemos explicar o fenômeno de uma pessoa pobre e oprimida que defende fervorosamente o seu próprio opressor?, Seria uma espécie de Síndrome de Estocolmo, é um paradoxo cruel: o indivíduo que sofre as consequências diretas da corrupção e do desmando, mas que se torna o escudo humano de quem o explora.

Essa dissonância cognitiva nos leva a uma pergunta incomoda: como podemos gritar por liberdade e ao mesmo tempo defender ditadores? como podemos ensinar honestidade aos nossos filhos e patrocinar com nossos votos, os corruptos. Parece acontecer um curto-circuito na nossa percepção ética e moral. É neste ponto que o pensamento de Hannah Arendt (1906–1975), filósofa e teórica política contemporânea, fala sobre a banalidade do mal se torna assustadoramente relevante. Arendt nos alertou que o mal se normaliza não apenas por atos de monstros, mas pela ausência de pensamento crítico, pela obediência cega e pela adesão a ideologias que transformam o crime em “dever”. Quando as pessoas abdicam da capacidade de julgar moralmente, focando apenas na eficiência de suas “pequenas tarefas” dentro de um sistema corrupto ou autoritário, o mal se espalha com uma facilidade perturbadora.
Como colunista, mas sobretudo como cidadão deste mundo, pergunto-me: o que resta ainda para nós? Talvez a reposta não seja fácil e resida na capacidade de manter o olhar atento as pequenas humanidades e naquilo que realmente nos fazem bem. A vida deve ser um ato de resistência as coisas vãs e incompatíveis com que somos de verdade. Devemos dar um esforço para preservar a empatia onde o ódio tornou-se lucrativo.
Estamos em ebulição, sim. Mas o desafio é garantir que o que emergirá desse caldeirão em ebulição não seja apenas uma nova forma de domínio, mas uma redescoberta do que nos torna humanos. Precisamos de uma ética que não se venda, que não tenha vieses doutrinários e de uma coragem que não se curve a tiranos e corruptos. Afinal, de que serve conquistar o mundo se perdermos a alma, a coerência e principalmente nossa humanidade no caminho?
Pense, evolua e cresça e principalmente invista e acredite em pessoas que querem verdadeiramente um mundo melhor e não a supremacia de uma visão de mundo ou doutrina política partidária esquizofrênica em detrimento dos outros que pensam diferente.
Pense nisso.

Teólogo e Filósofo em formação e curioso sobre o sentido da vida. Apaixonado por aprender, ensinar e inspirar reflexão.