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Oi Futuro apresenta ocupação artística sobre saúde mental protagonizada por mulheres

por Waleria de Carvalho
Danielle Oliveira

O projeto Lugar de Cabeça Lugar de Corpo vai ocupar o Oi Futuro, no Flamengo, de 13 de maio a 12 de junho, com três atividades artísticas que acontecem em paralelo e abordam a Saúde Mental. Trata-se da performance Uma Mulher ao Sol (estreia dia 13/05, 6ª feira), a instalação Arte em Travessia (estreia dia 18/05, 4ª feira) e a intervenção cênica Entrada Franca aos Visitantes (estreia dia 19/05, 5ª feira).

O projeto é fruto de uma colaboração de três frentes artísticas independentes que têm pesquisado nos últimos anos a relação entre arte e saúde mental: o núcleo artístico Projeto Trajetórias, coordenado pelo diretor Ivan Sugahara e pela atriz Danielle Oliveira, o coletivo teatral En La Barca Jornadas Teatrais, coordenado pelo ator e diretor Bruno Peixoto e pela atriz Anna Fernanda e o Espaço Travessia, coordenado pelo artista e curador Marcelo Valle.

A performance inédita Uma Mulher ao Sol (de 13/05 a 12/06) é uma realização do Projeto Trajetórias, com dramaturgia criada a partir de trechos do livro-diário Hospício é Deus (1965) de Maura Lopes Cançado e direção de Ivan Sugahara.

As atrizes Danielle Oliveira e Maria Augusta Montera vão usar a linguagem da dança e do teatro físico para abordar a relação entre a experiência do confinamento durante a pandemia e a reclusão vivenciada pela escritora em uma de suas internações no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro. A voz gravada de Danielle lendo trechos do livro é a única fala presente na performance e narra o dia a dia de Maura na instituição, que durou cinco meses (de outubro de 1959 a março de 1960).

A performance reestreia dia 07 de julho no Festival de Avignon – evento que acontece anualmente na França desde 1947, referência internacional na área.

A instalação Arte em Travessia (de 18/05 a 12/06) tem curadoria de Marcelo Valle e vai exibir materiais históricos da psiquiatria e obras plásticas de usuários da rede pública de saúde mental e de artistas visuais ligados ao Espaço Travessia, Núcleo de Cultura e Ciência do Instituto Municipal Nise da Silveira. Obs: 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, por este motivo a instalação será inaugurada nesta data.

A intervenção cênica Entrada Franca aos Visitantes (19/05 a 12/06) será conduzida pelas atrizes Anna Fernanda e Nady Oliveira. Criado pelo coletivo En La Barca Jornadas Teatrais, o trabalho usa a linguagem do teatro documental e se estrutura a partir de narrativas de mulheres que vivenciaram o cotidiano das internações psiquiátricas de alguma forma, seja como usuárias ou como profissionais da saúde. Dramaturgia e direção de Bruno Peixoto.

Saúde Mental

Em comum, as linhas de pesquisa dessas três frentes artísticas investigam as fronteiras entre a sanidade e a “loucura”, em consonância com os movimentos da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial. A discussão ganha relevância no contexto pós-pandemia, em que o confinamento, as perdas e a crise econômica levaram à piora da saúde mental.

Segundo relatório anual de tendências do Linkedin Brasil, 2022 é o ano da saúde mental e, de acordo com pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, o bem-estar mental de 53% dos brasileiros piorou um pouco ou muito no último ano, na vida sob a pandemia.

O projeto Lugar de Cabeça Lugar de Corpo será realizado por meio do patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e Oi, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Histórico do Projeto “Lugar de Cabeça Lugar de Corpo”

De 2017 a 2019, foi apresentado no Espaço Travessia – núcleo cultural do Instituto Municipal Nise da Silveira – o experimento cênico Lugar de Cabeça Lugar de Corpo, criado pelo coletivo En La Barca Jornadas Teatrais em parceria com a atriz Danielle Oliveira.

Com base em depoimentos de pessoas que vivenciaram internações manicomiais, a experiência teatral teve uma série de apresentações regulares. O público em geral era formado por profissionais, familiares e usuários da rede pública de saúde mental, além da comunidade interessada em romper o isolamento social das pessoas com sofrimentos psíquicos.

Este projeto foi muito bem recebido pelo público e profissionais da área. Em uma iniciativa de romper barreiras e dar amplitude às discussões, foi reelaborado para alcançar um público maior e aprovado pelo edital do Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados.

Um outro fruto do trabalho Lugar de Cabeça Lugar de Corpo foi a criação do núcleo artístico Projeto Trajetórias, formado pela atriz Danielle Oliveira e pelo diretor Ivan Sugahara. De 2019 a 2022, a dupla realizou uma série de ações audiovisuais sobre a saúde mental e a experiência do confinamento, divulgadas em canais digitais durante a pandemia de Covid-19.

SERVIÇO:

Lugar de Cabeça Lugar de Corpo

Performance: Uma Mulher ao Sol (de 13/05 a 12/06)

Local: Teatro Oi Futuro// R. Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, RJ
Dias: de 6ª a Domingo
Horário: 20h
Entrada: gratuita mediante retirada de senha
Classificação: 16 anos

Instalação: Arte em Travessia (de 18/05 a 12/06)

Local: Teatro Oi Futuro// R. Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, RJ
Dias: de 4ª a Domingo
Horário: de 11h às 18h
Entrada: gratuita
Classificação: 12 anos

Intervenção: Entrada Franca aos Visitantes (19/05 a 12/06)

Local: Oi Futuro // R. Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, RJ
Dias: de 5ª a domingo
Horário: de 14h às 18h
Entrada: gratuita
Classificação: 12 anos-

Sesc lança Palco Giratório em formato inédito

Palco Giratório

Palco Giratório

Entender o suporte digital como espaço de convívio, investir em inovadoras propostas virtuais de artistas brasileiros com transmissões diferenciadas e exibições em diversas plataformas on-line: essa será a tônica do Palco Giratório 2022. O público vai ser apresentado a 12 obras cênicas digitais e 1 proposta de mediação cultural produzidas no período da pandemia de Covid 19. O Palco Giratório vai revisitar e permitir a experimentação de tais obras como oportunidade para refletir sobre os impactos dessas criações, que usaram meios digitais na produção cênica.

As transmissões serão diferenciadas, mas todas ocorrerão em ambiente virtual. São trabalhos que envolvem dança, circo, teatro e até games. Alguns deles reúnem várias manifestações artísticas, como a plataforma de streaming ‘PAN-PLAY’ (AM), contribuindo com a visibilidade de manifestações artísticas da região norte brasileira.

“Uma das marcas do Palco Giratório é a aposta em artistas e trabalhos que fazem mover ideias pelo Brasil. Hoje, mesmo com o retorno dos espetáculos de forma presencial, a proposta é revisitar experiências artísticas que abraçaram os meios digitais como instrumentos para manter viva a produção cênica brasileira no período mais severo do isolamento social. Nos interessa perceber como essas produções dialogarão com os públicos neste novo contexto. O que fica depois dessa vivência digital tão intensa?”, comenta Raphael Vianna, analista de cultura do Departamento Nacional do Sesc.

A programação

O projeto será realizado em quatro etapas, entre maio e novembro. Em cada uma, três trabalhos serão apresentados. Além das exibições de espetáculos, haverá ‘ativações cênicas’, conversas digitais com os artistas antes da estreia dos trabalhos na programação, ‘intercâmbios’ online entre os artistas nacionais e locais, oficinas de crítica com o QUARTA PAREDE (PE), que percorrerá todas as etapas, e participará dos ‘Pensamentos Giratórios’, rodas de conversa que fecham cada etapa, onde os artistas desta edição debatem sobre os trabalhos e o cenário das artes cênicas.

O lançamento do Palco Giratório será com o espetáculo ‘(DES)MEMÓRIA’, de Yara de Novaes (MG), dia 11 de maio. Este espetáculo tem a particularidade de ser um game, um jogo teatral virtual que se propõe a investigar o passado familiar e refletir sobre representatividade e embranquecimento no Brasil. O jogo fica hospedado no site do Teatro em Movimento até 31 de maio.

Ainda em maio, será a vez de ‘ARQUEOLOGIAS DO FUTURO’, de Mauricio Lima (RJ), exibido por meio da plataforma zoom. A peça-performance realiza uma arqueologia afetiva sobre 5 “artefatos” recolhidos na pesquisa para a criação do Museu dos Meninos. Maurício Lima evoca a figura do ator MC que, através de alguns desenhos e grafismos, realiza um depoimento a partir de memórias vividas e inventadas da sua infância e adolescência no Complexo do Alemão, território de origem do artista.

Esta edição contará com trabalhos cênicos bastante diferenciados, como ‘JUNTOS E SEPARADOS’, da Anti Status Quo Companhia de Dança (DF), que é uma performance em videoconferência ao vivo. Já em ‘TUDO QUE COUBE NUMA VHS’, do Grupo Magiluth (PE), a dramaturgia percorre múltiplas plataformas digitais e compõe para cada espectador uma experiência estética particular, na qual também ele opera como agente de construção.

Em 2022 serão realizadas 162 apresentações artísticas e 200 ações formativas. Também ocorrerão apresentações de artistas e grupos locais, em formato digital ou presencial, nos estados brasileiros e no Distrito Federal. Ao longo do ano, será mobilizado um conjunto aproximado de 103 coletivos artísticos de todo o país.

Diversidade presente

Além de todo o aspecto virtual e tecnológico deste ano, a força da diversidade se manteve no projeto. Ela está presente através da multiplicidade dos grupos artísticos, oriundos de várias regiões do Brasil, assim como nos formatos de exibição dos projetos, envolvendo circo, teatro e dança.

“A mudança de formato acontece, mas o olhar sobre a diversidade continua. Nesta edição, contaremos com artistas e produções de diversas linguagens e regiões brasileiras. Vamos ter websérie de palhaços, trabalhos imersivos no youtube e também com tecnologia 3D. Teremos trabalhos gravados, outros exigem interação do público de imediato. O que vimos é que a transmissão on-line e por redes amplia o acesso dos públicos em relação ao modelo pré-pandemia, que era sempre presencial. A tecnologia permite um alcance maior das manifestações artísticas, que podem ser acessadas até do exterior”, explica Vicente Pereira Júnior, analista de cultura do Departamento Nacional do Sesc.

Para mais informações e programação completa, acesse o site: www.sesc.com.br/palcogiratorio.

Cia. Aberta de Teatro apresenta “A Morta”, na Oficina Cultural Oswald de Andrade

A morta

A morta – Foto: João Maria Silva Jr

Estreia no dia 11 de maio a adaptação da peça “A Morta” (1937), de Oswald de Andrade, com direção de Cacá Toledo, da Cia Aberta de Teatro. Toledo foi convidado para coordenar o projeto ‘Didática da Encenação’, da Oficina Cultural Oswald de Andrade, iniciativa composta por uma série de oficinas formativas para capacitar os atores e a equipe técnica e artística, tendo como produto final a peça que celebra os 100 anos da Semana de Arte Moderna.

Em “A Morta”, Oswald de Andrade se insere inteiramente no movimento modernista e faz questão de questionar a si mesmo, levantando o conflito entre o tradicional e o moderno. “A Morta” é a última e a mais densamente poética das peças teatrais de Oswald de Andrade. Nela a ação dramática foi reduzida ao mínimo e se apresenta sobretudo através de vozes e devaneios de figuras fantasmagóricas de um mundo em ruínas. A encenação da Cia Aberta de Teatro leva em conta o sucateamento dos patrimônios públicos, o desmonte da cultura do atual governo e a especulação imobiliária do entorno da cidade. As apresentações seguem até 26 de maio, de quarta à sexta das 20h às 21h30, e aos sábados das 18h às 19h30.

SERVIÇO:
OC Oswald de Andrade

ESPETÁCULO “A MORTA”
Coordenação: Cia Aberta de Teatro
De 11 a 28/05, sendo:
De quarta à sexta das 20h às 21h30 | Sábados das 18h às 19h30
Presencial na OC Oswald de Andrade. O espetáculo ocupa de forma itinerante os espaços internos e externos da Oficina.
Lotação: 40
Retirar ingressos com 1 hora de antecedência.
É necessário apresentar o comprovante de vacinação contra a Covid-19, com pelo menos, duas doses ou dose única. É recomendado a utilização de máscara nos espaços internos da Oficina.

FICHA TÉCNICA:
A Morta, de Oswald de Andrade
Criação, dramaturgia e encenação: Cia Aberta de Teatro
Direção: Cacá Toledo
Elenco: Amadeu Carvalho, Alanis Mahara, Arys Cavalcante, Bianka Barbalho, Bia Torres, Francesco Chiocolla, Garcia, Laura Ludwig, Lae Araújo, Lucas Frizo, Luma Belfort, Marco Arcúrio, Marta Braga, Marina Rodrigues, Marina Atra, Maria Marangoni, Maurício Soares Filho, Noedir Ferrara, Patricia Nardo, Rafaela Bortoletto, Raul Vicente, Roberto Herreira, Rosseline Juarez, Vitória Mancini.

Razões Inversas celebra 30 anos de trajetória com a estreia de O Fazedor de Teatro no Sesc Pompeia 

O Fazedor de teatro

O Fazedor de teatro – Foto: João Caldas

Para festejar seus 30 anos, a Cia. Razões Inversas escolheu o texto O Fazedor de Teatro, do autor austríaco Thomas Bernhard (1931-1989), que explora a metalinguagem para prestar uma homenagem ao fazer teatral. O espetáculo, dirigido por Marcio Aurelio e traduzido por Samir Signeu, estreia no dia 17 de maio no Galpão do Sesc Pompeia, onde fica em cartaz até 10 de junho, com apresentações de terça a sexta-feira, às 20h.

O elenco traz Paulo Marcello, Lilian Alves, Eduardo Santos e Gabriela Marques, além dos atores-convidados Zédú Neves e Ana Souto, que já integraram a companhia anteriormente.

Escrito em 1984, O Fazedor de Teatro tem no próprio teatro o paradigma do absurdo da existência humana. Um teatro – leia-se a vida – que falha não só perante as condições exteriores de um mundo adverso, mas também perante os fantasmas, a prepotência e as fraquezas dos protagonistas e da própria sociedade. Assim, temos o teatro como o microcosmo da sociedade.

Na trama, Bruscon está em viagem com a peça A Roda da História, que ele escreveu, dirigiu e protagoniza. A trupe, formada pela esposa e os dois filhos desse “grande” ator do teatro nacional alemão, chega a um pequeno vilarejo da Áustria, chamado Utzbach, para se apresentar em um salão de baile de uma estalagem decadente.

O calor, a sujeira, a falta de recursos, além do cheiro insuportável de chiqueiro e da fábrica de chouriço, completam a cena de desolação frente ao pequeno vilarejo com seus 280 habitantes embrutecidos. Para piorar a situação, os artistas precisam da autorização do chefe dos bombeiros para que a luz de emergência fique apagada durante cinco minutos, condição essencial para a perfeita realização do espetáculo.

“Bruscon é um cara super egóico, que fala de si o tempo todo. Mas ele é totalmente apaixonado pelo teatro. Enquanto ele imagina esse mundo maravilhoso da arte, está diante da realidade de um lugar horrível, onde ninguém liga para o que ele faz. E, ao mesmo tempo que tem esse ego gigante, vai revelando toda a sua fragilidade, o medo de entrar em cena, a sua insegurança – daí essa necessidade de autoafirmação o tempo todo”, comenta Paulo Marcello, que comemora 40 anos de palco neste trabalho, sobre seu personagem.

Para o intérprete, o texto cria uma reflexão importante sobre a arte que cabe perfeitamente ao contexto brasileiro. “Thomas Bernhard cresceu na Áustria, mas odiava o país. Ele dizia que esse era um lugar atrasado, de pessoas ignorantes e nazistas, de xenofobia e desprezo pela arte – tanto que quando ele era vivo proibiu que seus textos fossem encenados lá. E, de certa forma, vivemos no Brasil um momento um pouco parecido, de desvalorização da arte”, acrescenta.

A Cia. Razões Inversas flertava com a montagem desse texto há bastante tempo, conta o diretor Marcio Aurelio. “Conheci o texto com o Abujamra e fiquei encantado. Estávamos só esperando o momento mais propício para montá-lo e isso calhou muito bem com os 30 anos da companhia. O espaço do Sesc Pompeia também foi muito apropriado para receber a montagem, porque ele é todo feito em paredes de tijolo. E queremos retratar uma cidade sem acabamento nesse lugar, como um reflexo para a sociedade, que também não tem acabamentos”, conta.

Além dos 30 anos da Razões Inversas, O Fazedor de Teatro comemora os 40 anos de teatro de Paulo Marcello, que foi um dos co-fundadores da companhia, montada por alunos formados pela primeira turma da graduação em Teatro da Unicamp. “Para mim, este é um trabalho muito especial e desafiador, ainda mais porque o último ano foi de recuperação de um câncer na garganta. Depois de fazer cirurgias e radioterapia, é um uma vitória particular realizar um texto de quase duas horas de duração”, relata o ator.

Thomas Bernhard

Thomas Bernhard (1931-1989), novelista, poeta e dramaturgo austríaco, é considerado um dos autores mais relevantes da literatura de língua alemã da metade do século XX. Ele nasceu em Heerlen, na Holanda; filho de mãe solteira, que após ficar grávida tinha saído da Áustria para trabalhar como diarista na Holanda. Bernhard volta para Viena ainda em 1931, onde é criado pelos avôs maternos. Na infância viveu os horrores da Segunda Guerra e na juventude estudou canto, violino e estética musical. Iconoclasta, Thomas Bernhard prima por criticar a Áustria; assim como mostrar os absurdos de uma sociedade reacionária e calcificada. Sempre lutou contra doenças pulmonares e morreu de pleurisia. 

No Brasil, no campo editorial, temos a publicação de alguns de seus romances e narrativas, como Arvores Abatidas (1991), O sobrinho de Wittgenstein (1992) e Perturbação (1999), pela editora Rocco e, pela Companhia das Letras, as obras Extinção (2000), O náufrago (2006), Origem (2006) – volume que contém seus cinco romances autobiográficos, a saber: A causa, O porão, A respiração, O frio e Uma criança –, O imitador de vozes (2009), Meus Prêmios (2011) e Mestres Antigos (2021). Há, ainda, a publicação das peças O Fazedor de Teatro (2017), pela Perspectiva, e Praça dos Heróis (2020), pela Temporal; além de O presidente, num caderno brochura, do Instituto Goethe, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Sua obra é marcada pela prática da estética do choque, plena do niilismo, misantropia e misoginia dos seus personagens. Uma máquina da linguagem irônica. 

Uma disposição testamentária do próprio Bernhard, falecido em 1989, proibia que suas peças fossem encenadas e publicadas na Áustria – à exceção daquelas que já estavam em curso. Essa proibição foi revertida em 1998, por iniciativa da fundação particular Thomas Bernhard, presidida por Peter Fabjan, seu meio-irmão.

Ficha Técnica

Texto: Thomas Bernhard
Tradução: Samir Signeu
Encenação: Marcio Aurelio

Elenco:
Paulo Marcello
Ana Souto (Atriz convidada)
Zédú Neves (Ator convidado)
Lilian Alves
Eduardo Santos
Gabriela Marques 

Diretora Assistente: Lígia Pereira
Cenários: Marcio Aurelio e Marcelo Andrade
Figurinos: Marcio Aurelio e Carol Badra
Visagismo: Olívia Tartufari
Trilha Sonora: Marcio Aurelio
Projeto de Luz: Aline Santini
Operador de Luz: Henrique Andrade
Operador de Som: André Luiz Lemes
Preparação Corporal: Luciana Hoppe
Fotos: João Caldas Jr.
Design Gráfico: Alexandre Caetano
Divulgação: Pombo Correio
Produção Executiva: Cristiane Klein e Júnior Cecon – Dionísio Produção
Produtores/Colaboradores Dionísio Produção: Lívia Império, Wesley Mendes, Flávia Santos, Thomas Calux e Raissa Castilho
Produção: Paulo Marcello – Razões Inversas Marketing Cultural
Assistente de Produção: Luciana Hoppe 

Serviço:

O Fazedor de Teatro, com a Cia. Razões Inversas
Temporada: 17 de maio a 10 de junho, de terça a sexta, às 20h
Sesc Pompeia – Galpão – Rua Clélia, 93 – Água Branca
Ingressos: R$40 (inteira) e R$20 (meia-entrada) e R$ 12(credencial plena)
Classificação: 14 anos
Duração: 120 minutos

Últimas sessões do espetáculo Homens Pink no Sesc Belenzinho

Homens Pink

Homens Pink – Cristiano Prim

Público tem somente este fim de semana para conferir o espetáculo Homens Pink. A montagem da Cia La Vaca, de Santa Catarina, segue em cartaz no Sesc Belenzinho, até 15 de maio, com sessões sexta e sábado, às 21h30 e domingo, às 18h30.

Renato Turnes dirige, escreve e protagoniza a performance documental que celebra o orgulho da ancestralidade LGBTQIA+. O espetáculo foi criado a partir de depoimentos de homens gays idosos. As recordações pessoais do ator se fundem a lembranças emprestadas sobre a infância, o sexo, o fervo, a epidemia da AIDS e a luta dos pioneiros para celebrar o orgulho da ancestralidade LGBTQIA+.

O projeto foi selecionado pelo Rumos Itaú Cultural de 2017/2018 e iniciou sua trajetória com um documentário homônimo que estreou online entre os anos de 2020 e 2021 em festivais nacionais e até em Bangkok, na Tailândia. Com a temporada no Sesc Belenzinho, o filme está disponível no canal de Youtube da Cia até 17 de maio.

“Na época de minha adolescência, tinha uma geração mais velha que já era conectada com o universo LGBTQIA+. Eles sabiam as melhores músicas, tinham mais conhecimento da moda, eram um modelo para nós mais jovens. Com o passar dos anos, comecei a questionar por onde andavam essas pessoas e iniciaram-se os questionamentos sobre o processo de envelhecimento e invisibilidade. A questão de não se sentir mais confortável em certos ambientes. Assim como toda a sociedade, esta comunidade também é atingida por não estar mais nos padrões de beleza e consumo. Foram encontrados momentos de convergência como a explosão da epidemia da AIDS. São narrativas que se distanciam e se tocam ao mesmo tempo”, ressalta o ator.

Durante a pesquisa, Renato Turnes encontrou, em São Paulo e em Florianópolis, nove homens gays dispostos a compartilhar com ele suas memórias: Carlos Eduardo Valente, Celso Curi, José Ronaldo, Julio Rosa, Eduardo Fraga, Luis Baron, Tony Alano, Paulinho Gouvêa e Wladimir Soares. Fotos, projeções e objetos dos próprios entrevistados compõem os elementos de cenário e figurino que remetem a luz e escuridão, características que reforçam o tom agridoce do espetáculo em meio aos fragmentos narrativos.

A Cia La Vaca também estreou o documentário O Amigo do Meu Tio em 2022 que conversa com a peça Homens Pink. Por meio de imagens antigas de fitas VHS, é mostrada a história da infância de uma criança LGBTQIA+. O filme foi vencedor do 29º Festival Mix Brasil na categoria Prêmio Canal Brasil de Curtas.

“Nossas histórias eram contadas por um grupo hegemônico, passando pelos mesmos temas e abordagens. Todavia, nos últimos anos, houve uma mudança de perspectiva. Finalmente a história tem sido contada por nós mesmos. A comunidade LGBTQIA+ tem mostrado suas vidas, gerando novas facetas envolvendo idade, raça. Homens Pink é uma reverência para aqueles que vieram antes, os pioneiros na luta por uma série de direitos”, enfatiza Turnes.

FICHA TÉCNICA:
Direção artística, texto e performance: Renato Turnes. Assistência de criação: Karin Serafin. Iluminação e projeções: Hedra Rockenbach. Edição de vídeos: Marco Martins. Imagens VHS: Carlos Eduardo Valente e Dominique Fretin. Figurinos e máscara: Karin Serafin. Trilha sonora original: Hedra Rockenbach. Arte gráfica: Daniel Olivetto. ​Fotos: Cristiano Prim. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Produção: Milena Moraes. Realização: La Vaca Companhia de Artes Cênicas. Artistas provocadores: Anderson do Carmo, Vicente Concilio, Fabio Hostert e Max Reinert. A partir das memórias de: Carlos Eduardo Valente, Celso Curi, José Ronaldo, Julio Rosa, Eduardo Fraga, Luis Baron, Tony Alano, Paulinho Gouvêa, Wladimir Soares. Acervos pessoais gentilmente cedidos pelos entrevistados. Apoio: Rumos Itaú Cultural

SERVIÇO:
HOMENS PINK
Sesc Belenzinho – Local: Sala de Espetáculos I
Temporada: Até 15 de maio. Sextas e sábados, às 21h30, e domingo, às 18h30
Ingressos: R$ 30 (Inteira), R$ 15 (Meia-entrada) e R$ 9 (Credencial Plena do Sesc).
Compras: https://www.sescsp.org.br/programacao/homens-pink/ (Vendas a partir de 19/4)
Duração: 50 minutos. Classificação: 14 Anos. Capacidade: 100 lugares

Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700
sescsp.org.br/belenzinho

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