Nesta sexta-feira, 26 de junho, a partir das 10h, o Musehum – Museu das Comunicações e Humanidades realiza um seminário gratuito e aberto ao público com o lançamento da pesquisa “Dos telefones às Gambiarras: abrindo as máquinas da Comunicação e do progresso no Brasil do século XX”, voltada à valorização, preservação e difusão do patrimônio histórico das comunicações no Brasil. O evento, no Futuros – Arte e Tecnologia, no Flamengo, reúne representantes do Instituto Futuros, da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsáveis pelos estudos desenvolvidos no âmbito do projeto.
O seminário será composto por duas mesas temáticas conduzidas pelos autores da pesquisa. São eles: Fernanda Bruno, professora titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura e do Instituto de Psicologia da UFRJ; Icaro Ferraz Vidal Junior, pesquisador no Laboratório de Comunicação e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (Laces/Icict/Fiocruz) e Paula Cardoso Pereira, pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ e doutora pelo mesmo programa.
Dos Telefones às Gambiarras

Lançamento do e-book ocorre nesta sexta-feira, 26, no Musehum – imagem: Instituto Futuros
A publicação traz reflexões sobre memória, tecnicidade, cultura material e história das telecomunicações brasileiras. O documento é o primeiro volume da coleção “Musehum Acervos Vivos” e é parte do projeto Identidade Brasil (Recuperação e Preservação de Acervos), uma realização do Instituto Futuros com parceria da Inspirações Ilimitadas, e realizada pela FINEP e pelo Governo Federal, através da Chamada Pública MCTI/FINEP/FNDCT (2024). Seu conteúdo será disponibilizado gratuitamente em formato de e-book no site do Instituto Futuros.
A pesquisa desenvolvida traça também um panorama histórico da telefonia no Brasil entre 1920 e 1990, tendo como fonte principal o acervo do Museu das Comunicações e Humanidades (Musehum), que reúne fotografias, documentos e a Revista Sino Azul. Os autores partem dos ideais de progresso e desenvolvimento brasileiro, marcado por um construtivismo contínuo e nunca concluído, e as desigualdades estruturais que permearam o acesso à comunicação.
O documento destaca, por exemplo, a democratização das comunicações por meio do orelhão, que chegou a ter 1,3 milhão de unidades espalhadas pelas ruas do país no começo dos anos 2000, transformando-se em um dos poucos elementos urbanos comuns à profunda heterogeneidade das cidades brasileiras, e que teve seu inovador conceito exportado para países como Colômbia, Angola, Paraguai e China. Além do design original e acolhedor, o orelhão, segundo o artigo, é talvez o ponto mais próximo ao qual o país chegou da democratização da telefonia, marcada historicamente pela assimetria regional, pelo acesso restrito a elites urbanas e pela falta de um projeto de telecomunicações efetivamente público e universal.
O e-book explora também as relações entre técnica, trabalho, cultura material e memória, propondo novas leituras sobre os objetos, equipamentos e saberes preservados nos acervos históricos das telecomunicações. O texto analisa o acervo do Musehum como uma “memória da tecnicidade”, ou seja, como registro de um arranjo sociotécnico em que humanos e objetos técnicos se conectavam de forma mais aberta e menos alienada do que ocorre hoje. A fotografia de uma funcionária consertando um aparelho telefônico em 1977 serve de imagem-chave para ilustrar a distinção entre objetos fanerotécnicos (abertos, manipuláveis) e criptotécnicos (fechados em caixas-pretas), argumento central para criticar a cultura que ostraciza os objetos digitais contemporâneos.
“O investimento da Finep é o que torna possível transformar nosso acervo em conhecimento vivo e acessível. O orelhão é um exemplo perfeito do tipo de descoberta que essa parceria com a Finep torna possível: uma pesquisa que parte de um objeto do nosso acervo e revela toda uma história de criatividade popular, desigualdade e busca por comunicação pública e universal no Brasil. É esse olhar qualificado, que só a pesquisa aprofundada proporciona, que vamos poder desdobrar em novos formatos para o público na nossa exposição de longa duração e no Programa Educativo”, ressalta Carla Uller, diretora de Programas, Projetos e Comunicação do Instituto Futuros.
Projeto traz objetivos alinhados ao plano museológico do Musehum
A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e o Instituto Futuros firmaram convênio em 2025 para o projeto “Preservação e difusão da história e do futuro das tecnologias de comunicação no Brasil: do século XX à inteligência artificial”.
O projeto do Musehum contemplado pelo edital da Finep estabelece uma série de objetivos visando a expansão de seus eixos de pesquisa sobre a evolução das tecnologias de comunicação na sociedade. Entre os principais, estão a ampliação da catalogação e digitalização do acervo; a garantia de um ambiente seguro e adequado para a Reserva Técnica do Musehum, prevenindo situações de risco e vulnerabilidade; o investimento em linhas de pesquisa técnico-científicas a partir de uma releitura dos itens do acervo, com realização de seminário e publicação de pesquisas e materiais de difusão online; e uma maior democratização do acesso ao espaço, por meio de ações educativas e nova exposição interativa de longa duração.
Por meio das estratégias e atividades práticas que estimulam reflexões sobre cidadania digital e a democratização do acesso ao conhecimento, os objetivos traçados pelo projeto se alinham também à proposta do novo plano museológico do Musehum, lançado em dezembro de 2024. Divididos em quatro eixos temáticos, que abordam temas como letramento midiático, inteligência artificial, decolonização tecnológica e comunicação para a sustentabilidade, o plano visa nortear o posicionamento estratégico do museu e materializar conceitos e visões em propostas práticas até o ano de 2027.
Serviço:
Lançamento do e-book “Dos Telefones às Gambiarras – Abrindo as máquinas da comunicação e do progresso no Brasil do século XX”
Local: Futuros – Arte e Tecnologia (Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo)
Data: sexta-feira, 26 de junho
Horário: 10h às 12h20
Ingressos gratuitos: AQUI
Programação:
10h – Abertura institucional
10h25 – Mesa 1: Em obras para melhor atendê-los: o imaginário do progresso no Brasil
11h15 – Mesa 2: Memórias da tecnicidade: abrindo as máquinas
11h55 – Debate com o público
12h15 – Lançamento do e-book “Dos Telefones às Gambiarras – Abrindo as máquinas da comunicação e do progresso no Brasil do século XX”
12h20 – Encerramento
Futuros – Arte e Tecnologia
Inaugurado há 21 anos, o centro cultural Futuros – Arte e Tecnologia é um espaço de exibição, criação e inovação artística. Com uma programação gratuita voltada a todos os públicos, o espaço promove e recebe exposições, apresentações artísticas, espetáculos teatrais, entre outros eventos que convidam o público a refletir sobre temas que norteiam sua linha curatorial, como meio ambiente, ancestralidade, diversidade, educação e tecnologia. O Futuros abriga galerias de arte, um teatro multiuso e o Musehum – Museu das Comunicações e Humanidades, que mantém um acervo de mais de 130 mil peças históricas sobre as comunicações no Brasil e atividades interativas sobre o impacto das tecnologias nas relações humanas.
O centro cultural tem gestão do Instituto Futuros. Desde agosto de 2025, o Futuros – Arte e Tecnologia recebe o projeto Upload, realizado pela Zucca Produções, e correalizado pelo Futuros – Arte e Tecnologia e pelo Coletivo 2050, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro – Lei do ISS, com patrocínio da Serede, Nova Rio, Oi, Wilson Sons, Eletromidia, Rastro,Tahto e Prefeitura do Rio de Janeiro/SMC.
