FGV Arte inaugura exposição Afro-brasilidade, homenagem a dois Valentins e um Emanoel

Com mais de 300 obras, a mostra celebra a produção artística afrodescendente e apresenta diferentes perspectivas que representam a diversidade, a permanência e a riqueza cultural

por Redação
Valter Firmo | Foto Clementina de Jesus, 1977

Afro-brasilidade, uma homenagem a dois Valentins e a um Emanoel , é o título da quinta exposição da FGV Arte. A mostra tem curadoria de Paulo Herkenhoff e João Victor Guimarães e reúne mais de 300 obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e documentos históricos. A abertura, marcada para o dia 10 de abril, a partir das 19h, na Praia de Botafogo, 190, contará com apresentações artísticas e a presença de nomes importantes do segmento. O acesso à galeria é gratuito.

Dando ênfase à produção artística afro-brasileira, a exposição apresenta diferentes perspectivas de representação cultural, evidenciando a pluralidade e a riqueza da arte produzida por grandes nomes como Aleijadinho, Mestre Athaíde e Mestre Valentim, e criações contemporâneas de Rosana Paulino, Felippe Sabino, Lucia Laguna e Sérgio Vidal, entre outros. Paulo Herkenhoff, em sua curaria, prezou pela justaposição e pela complexidade histórica da arte afro-brasileira, trazendo uma abordagem que não esconde o período escravista do país.

“A exposição foi concebida como um tecido que se expande e se entrelaça, conectando diferentes tempos, territórios e perspectivas. A mostra transita desde o pano da costa, elemento presente nos rituais da vida africana, até esculturas históricas que dialogam com a ancestralidade”, conta o curador.

A literatura brasileira também tem destaque em Afro-brasilidade, homenagem a dois Valentins e a um Emanoel. Além da dupla dedicada a Machado de Assis, composta de um retrato e de um manuscrito, a escritora Carolina Maria de Jesus tem reproduzido, em uma parede inteira, o conhecido diálogo com Clarice Lispector, retratado por Paulo Mendes Campos.

A concepção de culturas afro-brasileiras, no plural, também foi pensada pelos curadores de acordo com as diferenças geográficas. Um coletivo reúne artistas e pensadores que fundamentam o que se podem compreender como afro-brasilidade no plano nacional. Segundo o curador adjunto, João Victor Guimarães, sua prioridade é destacar artistas fora do mercado sudestino, como os artistas baianos e nordestinos:

“Temos obras de artistas de diversos estados do Brasil. As identidades afro-brasileiras se manifestam de diferentes formas em diferentes regiões. Então, atendendo a esse entendimento, buscamos uma ampliação geográfica para a exposição. Além, claro, da destreza técnica, da coerência da produção, da relevância de cada artista, porque nós entendemos que são esses trabalhos que a exposição é feita”, completa Guimarães.

Além da pluralidade territorial, a mostra se preocupa em resgatar o esquecimento de artistas historicamente marginalizados no circuito artístico. É o caso, como afirmou Paulo Herkenhoff, da tela inédita da artista gaúcha Maria Lídia Magliani, My baby just cares for you , nunca exposto ao público.

O poder metafórico da arte também dialoga, na exposição, com questões centrais da sociedade brasileira. Quando questionado sobre o papel transformador da arte, Herkenhoff lembrou que “ninguém está vindo para enfeitar o mundo”. A pintura de Alberto Pitta, em seu monocromo branco, ou a obra de Abdias Nascimento, grande nome na luta antirracista, por exemplo, são um convite à reflexão, no qual “qualquer obra feita por um artista afrodescendente pode ser considerada como uma obra de resistência”.

Artistas [ordem alfabética]:

Abdias do Nascimento; Adir Sodré; Adriana Varejão; Adriano Machado; Agnaldo Manoel dos Santos; Alberto Pitta; Aleijadinho; Alexandre Ignácio Alves; Almir Lemos; Almir Mavignier; Andrea Fiamenghi; Andréa Higino; Andy Warhol; Antônio Malta; Antonio Obá; Antônio Roiz Monteiro; Arjan Martins; Arnauld Julien Palliere; Arno Malinowisk; Augusto Petit; Ayrson Heráclito; Bauer Sá, Belmiro de Almeida; Brendão Reis; Caetano Dias; Carpião de Morais; César Ripa; Cristão Cravo; Cleonice Dias Rodrigues; Dalton Paula; Daniel Jorge; David Sol e Luan Gramacho; Di Cavalcanti; Diogum; Domingos Caldas Barboza; Douglas Ferreira; Edival Ramosa; Eduardo Hildebrandt; Eduardo Malta; Emanoel Araújo; Emanoel Saravá; Emmanuel Zamor; Estêvão Silva; Felipe Rezende; Felippe Sabino; Flávio Cerqueira; Francisca Manoela Valadão; Francisco Galeno; Gervane de Paula; Gilberto Filho; Giovanni Domenico Tiepolo; Glenn Ligon; Grupo EmpreZa; GuilhermeAlmeida; Guilhermina Giusti; Gustavo; Magalhães; Gustavo Moreno; Guy Veloso; Heberth Sobral; Heitor dos Prazeres; Igor Rodrigues; Jaime Lauriano; Jasi Pereira; Jeff Alan; Jefferson Medeiros; Jeisiekê de Lundu; João Timóteo da Costa; Jorge dos Anjos; José Adário; José Medeiros; Jota; Julien Palliere; Júlio Alves; Karamujinho; Keila Sankofa; Kika Carvalho; Lucas Arurahy; Lúcia Laguna; Luiz Pedra; Lyz Parayzo; Manuel Messias; Marc Ferrez; Marcel Gautherot; Marcelo Solá; Marcone Moreira; Marcos Roberto; Marepé; Maria Lídia Magliani; Maria Lira Borges; Marilú Cerqueira; Matheus Marques Abu; Maurício Hora; Maurício Igor; Maurino de Araújo; Maxwell Alexandre; Mestre Athaíde; Mestre Didi; Mestre Valentim; Michel Onguer; Milton Guran; Milton Ribeiro; Modesto Brocos; Moisés Patrício; Mulambô; Nádia Taquary; Negalê; Nicolás Soares; Osvaldo Gaia; Ottone Zorline; Paiva Brasil; Panmela Castro; Paulo Nazaré; Paulo Roberto Soares Santos; Pedro Carneiro; Pedro Weingartner; Pierre Verger; Pinto Bandeira; Quinca Moreira; Roberto Okinaka; Rodolfo Bernardelli; Rômulo Vieira Conceição; Rosana Paulino; Rosa Afefé; Rubem Valentim; Scherzer Zeh; Sebastião Anuário; Sérgio Adriano H; Sérgio Vidal da Rocha; Shai Andrade; Sidney Amaral; Silvana Mendes; Simplicidade Ajayi; Siwaju Silva; Sónia Gomes; Tadáskía; Tarso Tabú; Thiago Fonseca; Thiago Martins de Melo; Tiago Sant’ana; Ugo Zacaganni; Vik Muniz; Vitor Meireles de Lima; Valter Firmo; Willian Zorach; e Yhuri Cruz.

*A lista de obras e artistas pode sofrer alterações.

O acesso à galeria é gratuito e a mostra fica em exibição até agosto de 2025. A exposição Afro-brasilidade, uma homenagem a dois Valentins e a um Emanoel , traz consigo uma programação educacional gratuita, incluindo palestras, minicursos, seminários e workshops.

Os curadores:

Paulo Herkenhoff

Paulo Herkenhoff (Cachoeiro de Itapemirim, ES). Curador, crítico de arte, artista é hoje um dos curadores mais importantes do país. Atuoso em instituições nacionais e internacionais. Assinou a 24ª edição da Bienal de São Paulo (1998), conhecida como Bienal antropofágica. Foi diretor de instituições renomadas como o Museu Nacional de Belas Artes e o Museu de Arte do Rio. Foi curador assistente do MoMa, em Nova York. Atualmente é curador-chefe da FGV Arte, no Rio de Janeiro.

João Victor Guimarães

João Victor Guimarães (Salvador, BA) é crítico de artes visuais, pesquisador e curador. Graduando em Artes pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), recentemente colaborou para a fundação do Museu de Arte Contemporânea da Bahia, não qual atuou como curador assistente. Desempenhou a mesma função no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), durante a exposição Raizes: começo, meio, começo . No Brasil, como crítico de arte, colabora para três das mais importantes revistas de artes do país: Select , DASArtes e Bravo! Atualmente, é curador da exposição Ecos Malês , na Casa das Histórias de Salvador, eleito a “Segunda Melhor Exposição Coletiva do Brasil” no ano de 2024, por votação popular na premiação da Select . Está curando, com Paulo Herkenhoff, a exposição Afro-brasilidade , na FGV Arte, Rio de Janeiro.

A FGV Arte

Localizada na sede da FGV, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a FGV Arte é um espaço voltado à valorização, à experimentação artística e aos debates contemporâneos em torno da arte e da cultura, buscando incentivo o diálogo com setores criativos e heterogêneos da sociedade, dividindo-se em três eixos principais: Exposições, publicações e atividades educacionais – acadêmicas e práticas. Tem como curador chefe, o crítico Paulo Herkenhoff.

[email protected]

Serviço:

Exposição Afro-brasilidade, homenagem a dois Valentins e um Emanoel

  • Terça a sexta, das 10h às 20h, sábado e domingo, das 10h às 18h.
  • Em cartaz até agosto de 2025.
  • Praia de Botafogo, 190.

Programação educacional paralela à exposição Afro-Brasilidade:

Palestra de abertura e diálogo com os curadores da exposição Afro-brasilidade, com Paulo Herkenhoff e João Victor Guimarães

11 de abril de 2025, 15h

  • Auditório, FGV Botafogo

Minicurso – Economia e mercado da arte: o valor da arte além do preço, com Thierry Chemalle (FGV) e convidado

14 e 15 de abril, 15h-17h

16 de abril, 14h-18h

  • Auditório 1013, FGV Botafogo

1º Seminário de Curadoria de Arte Afro-brasileira

13 a 15 de maio – horário a definir

  • Auditório, FGV, Praia de Botafogo, 190.

Convidados confirmados: Amanda Carneiro (Masp)

  • André Pitol (36ª Bienal de SP)
  • Cláudia Rocha (MNBA)
  • Claudinei Roberto da Silva (Curador independente)
  • Deri Andrade (Projeto Afro, Inhotim)
  • Ynaê Lopes dos Santos (Centro Cultural Rio Áfricas)

Escritórios confirmados:

26 de abril – 10h às 12h

  • Oficina: Desenhar o Mundo
  • Artista: Pedro Carneiro
  • Faixa etária livre

24 de maio – 10h às 12h

  • Oficina com Felipe Sabino
  • Artista: Felippe Sabino
  • Faixa etária livre

28 de junho – 16h às 18h

  • Oficina com Panmela Castro
  • Artista: Panmela Castro
  • Faixa etária livre

23 de agosto – 10h às 12h

  • Oficina com Andréa Hygino
  • Artista: Andréa Hygino
  • Faixa etária livre

* Toda a programação da FGV Arte é livre e gratuita, mediante inscrição prévia por meio de formulário disponibilizado no Instagram da FGV Arte. As vagas são limitadas.

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