A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) emitiu na última terça-feira (01º/04) uma nota de repúdio contra o advogado José Francisco Abud, autor de ataques racistas à juíza Helenice Rangel, da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes. Em uma petição judicial, o advogado se referiu à magistrada como uma “magistrada afrodescendente com resquícios de senzala e recalque ou memória celular dos açoites”, além de utilizar expressões como “bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho”.
A Procuradoria, que tem como missão combater todas as formas de violência e discriminação contra mulheres, classificou o episódio como “inadmissível” e um reflexo do racismo estrutural que ainda persiste em diversas instituições, inclusive no sistema de Justiça. A juíza, segundo denúncia, já vinha sendo alvo de e-mails debochados, irônicos e com palavras de baixo calão, dirigidos a ela e a servidoras do Judiciário.
A deputada estadual Tia Ju (Republicanos), Procuradora Especial da Mulher da Alerj e autora da Lei que instituiu o Estatuto da Mulher Parlamentar, destacou a gravidade do caso:
“É revoltante ver uma mulher negra, no pleno exercício da sua função, ser atacada com esse tipo de linguagem racista e violenta. Não podemos aceitar que um advogado — alguém que deveria zelar pela legalidade — se utilize do racismo como instrumento de ataque. Como Procuradora da Mulher e autora do Estatuto que protege as mulheres nos espaços de poder, me somo a todas as manifestações em defesa da juíza Helenice e exijo punição exemplar. Nenhum cidadão pode adotar postura racista e sair impune. Muito menos um operador do Direito.”
A nota também cobra providências por parte do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público, solicitando ações rápidas e eficazes para responsabilizar o autor dos ataques.
“Esta Casa não se calará diante de injustiças. Seguiremos firmes na defesa dos direitos humanos, da igualdade racial e de gênero, e do respeito à dignidade de todas as mulheres brasileiras”, concluiu Tia Ju.