Ana Beatriz Nogueira estreia em São Paulo “A Procura de uma Dignidade”, uma performance teatral inspirada pelo conto homônimo de Clarice Lispector, com direção de Gilberto Gawronski, após temporada de sucesso no Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro. A montagem inédita, que revisita o universo introspectivo da icônica escritora brasileira, fará uma curtíssima temporada no novo Teatro YouTube.
Em sua nova incursão, a atriz reúne sua experiência de décadas de palco com a linguagem sensível e provocadora de Clarice Lispector, autora que já havia invocado em outro espetáculo, “Um Dia a Menos”, que estreou em 2019. O atual trabalho é uma adaptação de Leonardo Netto para o conto originalmente publicado no livro “Onde Estivestes de Noite?” (1974). A trama narra a trajetória singular da Sra. Xavier, uma mulher que, a caminho de um evento social, se perde nos corredores subterrâneos do Estádio do Maracanã e acaba embarcando em uma jornada íntima de autodescoberta — confrontando medos, desejos e a própria identidade. “Sou leitora de Clarice desde muito cedo. Este conto fala de muitas coisas que me tocam profundamente”, afirma a atriz.
O espetáculo, com direção de Gilberto Gawronski, traz um olhar contemporâneo ao universo da escritora, e aborda questões existenciais que atravessam a obra de Lispector. A cenografia é assinada por Beli Araújo, com figurino de Antônio Medeiros, iluminação de Adriana Ortiz, projeções de Pedro Colombo e trilha sonora de Chico Beltrão. A produção leva a assinatura da própria Ana Beatriz Nogueira, através da Trocadilhos 1000, e a proposta da montagem é justamente transformar o texto literário em uma experiência performática teatral singular — em que palavra, imagem e a presença cênica da atriz convergem em um diálogo profundo e reflexivo com o público.
Ficha Técnica
- Elenco: Ana Beatriz Nogueira
- Adaptação do conto de Clarice Lispector: Leonardo Netto
- Direção: Gilberto Gawronski
- Preparadora da atriz: Clarisse Derziê Luz
- Direção de Produção: Guilherme Scarpa
- Cenário: Beli Araújo
- Figurino: Antônio Medeiros
- Iluminação: Adriana Ortiz
- Projeções: Pedro Colombo
- Programação Visual: Alexandre de Castro
- Trilha sonora: Chico Beltrão
- Fotos (ensaio e divulgação): Nil Caniné
- Assistente de direção: Patrícia Regina
- Assessoria de Imprensa: Dobbs Scarpa
- Realização: Trocadilhos 1000 Produções
Serviço
- Estreia: 6 de março de 2026
- Temporada: até 29 de março de 2026
- Local: Teatro YouTube – Rua Pamplona, 310 – Bela Vista, São Paulo, SP.
- Sessões: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h.
- Ingressos: disponíveis na bilheteria do teatro e na plataforma online Eventim
- Duração: 50 minutos.
- Classificação indicativa: 14 anos
Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária ou no Brasil todo mundo é Peixoto” faz temporada de despedida

Foto de Jenniffer Glass
O diretor Nelson Baskerville parte de uma das famosas tragédias cariocas de Nelson Rodrigues (1912-1980) para criar um espelho cruel das hipocrisias brasileiras na distopia Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária ou no Brasil todo mundo é Peixoto. O espetáculo da Cia da Borracha volta em cartaz para a sua temporada de despedida de 12 a 29 de março de 2026 no Teatro de Arena, em São Paulo. No elenco, estão Afonso Bispo Jr, Carol Rainatto, Duda Paiva, Filipe Barral, Gui de Rose, Isa Scoralick, Juliana Roberta, Lauro Fagundes, Leonardo Van der Neut, Luciana Marcon, Lia Bennatti, Manu Nahas, Marcio Araujo, Estela Modena, Mariah, Naiara de Castro, Nelson Fioque e Sabrina Larisse.
Em um cenário sufocante de pneus e borracha, a peça acompanha Edgard (Lauro Fagundes), um homem marcado pela miséria apesar de anos de dedicação ao patrão Werneck (Nelson Fioque). Ele recebe do chefe uma proposta tentadora: casar-se com Maria Cecília (Sabrina Larisse), jovem rica e “bonitinha” , mas envolta em um passado controverso. O dilema entre dinheiro e moralidade o arrasta por um universo de desejos reprimidos, traições e valores distorcidos.
A encenação expõe as principais hipocrisias da sociedade brasileira, intensificadas pelo recente avanço da extrema direita no país, que ficou camuflada durante muitos anos. E, para representar essa sociedade corrompida pelo poder e pela aparência, aparecem em cena figuras mascaradas com sacolas plásticas de supermercado e vestidas com figurinos manchados por lama.
A produção, encabeçada por Marcio Araujo, também marca a estreia da Companhia da Borracha, jovem núcleo teatral que surge na cena paulistana. Com um elenco numeroso e diverso, o grupo se propõe a reafirmar a potência da dramaturgia nacional como lente crítica para pensar o Brasil de hoje: suas contradições sociais, seus abismos éticos e suas disputas políticas
A trilha sonora do espetáculo, executada ao vivo, mescla sucessos de Astor Piazzolla (Vuelvo al Sur e Adios Nonino) com uma variada lista de músicas brasileiras, que vão de Roberto Carlos a José Augusto. Elas embalam as desventuras de Edgard que, por uma situação de miserabilidade, vê-se na encruzilhada entre tornar-se um “próspero” milionário ou honrar a educação e ética transmitida por seu pai.
Ficha Técnica
- Texto: Nelson Rodrigues
- Direção e encenação: Nelson Baskerville
- Assistência de Direção: Bruna Martins
- Elenco: Afonso Bispo Jr, Carol Rainatto, Duda Paiva, Filipe Barral, Gui de Rose, Isa Scoralick, Juliana Roberta, Lauro Fagundes, Leonardo Van der Neut, Luciana Marcon, Lia Bennatti, Marcio Araujo, Manu Nahas, Estela Modena, Mariah, Naiara de Castro, Nelson Fioque e Sabrina Larisse.
- Desenho da coreografia: Fernando Fecchio
- Cenografia: Nelson Baskerville
- Figurino: Davi Parizotti
- Assistentes de figurino: Patrícia de Simone e Alex Andrade
- Costureira: Claudia Moreno
- Iluminação: Bruno Garcia
- Sonoplastia/música ao vivo: Filipe Barral e Mariah
- Assessoria de imprensa: Pombo Correio
- Mídias Sociais: Júlia Castanheiro e Leonardo Van der Neut
- Identidade visual e programa: Alana Fagundes e Déborah Kovezi
- Produção: Ocanga Produções
- Apoio: Inbox Cultural
Serviço
- Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária ou no Brasil todo mundo é Peixoto, com texto e direção de Nelson Baskerville
- @bonitinhamasordinariasp
- Temporada: 12 a 29 de março de 2026
- Quinta a sábado, 19h30 e domingos às 18h
- Teatro de Arena Eugênios Kusnet – Rua Teodoro Baima, 94 – Consolação SP
Gênero: Drama
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 110 minutos
O Mágico de Oz chega ao Teatro VillaLobos com seis apresentações em março

O Mágico de Oz
Baseado no clássico de L. Frank Baum, O Mágico de Oz chega ao Teatro VillaLobos, em São Paulo, para seis apresentações em março, aos sábados e domingos. O espetáculo celebra três anos de estreia e já encantou mais de 60 mil pessoas, reunindo uma narrativa atemporal sobre coragem, amizade e autodescoberta com uma montagem pensada para emocionar públicos de diferentes gerações.
Com uma proposta que combina teatro musical, recursos modernos e linguagem acessível, a produção convida crianças, jovens e adultos a mergulharem no universo de Oz. O público acompanha uma jornada que reforça valores humanos, como empatia e superação, em uma experiência que busca ser acolhedora e inspiradora do começo ao fim.
Entre os destaques desta montagem estão o uso de tecnologia de última geração, com projeções imersivas e efeitos especiais, que ampliam o encantamento e transformam a cena em uma vivência visual e sensorial. A ideia é aproximar o público do teatro musical com alto padrão técnico e artístico, valorizando a arte e os artistas brasileiros.
O espetáculo também se propõe a ser um ambiente de acolhimento, incluindo para pessoas dentro do espectro autista, que podem encontrar nas cores, sons e no ritmo da apresentação uma atmosfera de tranquilidade e bem-estar, despertando emoções positivas e momentos de calma.
Mais do que uma apresentação, O Mágico de Oz é um convite para viver uma jornada de sonhos e magia, redescobrir o poder do coração, da coragem e da sabedoria, e sair do teatro acreditando um pouco mais no impossível.
SERVIÇO – O MÁGICO DE OZ
- Datas: 14/03 a 29/03
- Horários: Sábados às 16h, domingos às 14h
- Local: Teatro Villa Lobos
- Endereço: Av. Drª Ruth Cardoso, 4777 – Jardim Universidade Pinheiros – São Paulo/SP
- Duração: 1 hora e 10 minutos
- Classificação etária: Livre
SETORES E PREÇOS
- Plateia Premium: R$70,00 meia entrada e R$140,00 inteira
- Plateia Gold: R$60,00 meia entrada e R$120,00 inteira
- Plateia Silver: R$50,00 meia entrada e R$ 100,00 inteira
- Balcão: R$40,00 meia entrada e R$80,00 inteira
Comédia farsesca Entre a Cruz e os Canibais circula por teatros e equipamentos municipais para retratar com humor as origens de São Paulo

Foto de Heloísa Bortz
Após a estreia no início do ano, o espetáculo Entre a Cruz e os Canibais inicia circulação por diferentes regiões da capital paulista, ampliando o acesso à obra e dialogando com o público em geral e alunos da rede pública. A proposta de descentralização leva a montagem aos CEU Alvarenga (Zona Sul) e CEU Parque Anhanguera (Zona Noroeste), ao Teatro Leopoldo Fróes, em Santo Amaro, e à Galeria Olido, no centro histórico, reafirmando seu caráter público e sua dimensão formativa. As apresentações, todas gratuitas, acontecem entre 18 e 29 de março, em datas e horários detalhados ao final do texto.
Com Entre a Cruz e os Canibais, Marcos Damigo dá continuidade à sua pesquisa dramatúrgica sobre a história do Brasil ao revisitar, em tom de comédia farsesca, as origens de São Paulo e o descompasso entre o projeto colonial e a realidade da então Vila de São Paulo de Piratininga. Ambientada em 1599, a trama acompanha a chegada do governador-geral Dom Francisco de Souza a uma pequena vila isolada pela Serra do Mar, onde quatro figuras de poder — o Juiz, o Vereador, o Procurador e o próprio Governador — disputam autoridade em meio a uma crise política iminente.
Enquanto os moradores se revoltam contra os desmandos do Juiz e cresce o temor de um ataque indígena provocado pelo sequestro de tupis aliados, o Procurador — um degredado com vínculos de proximidade com os indígenas — aposta na intervenção da Coroa para fazer cumprir a lei que proíbe sua escravização. O conflito expõe, com humor ácido, o embrião de um paradigma que marcaria a história nacional: justamente quando São Paulo ensaia seu primeiro impulso de progresso econômico, intensifica-se a exploração sistemática da mão de obra indígena.
Encenação
Damigo opta pelo humor como ferramenta crítica. A peça dialoga com uma tradição de comédias populares que expõem contradições sociais por meio do escárnio. A proposta não é reconstituir fielmente os fatos históricos, mas tratar os personagens como tipos, evidenciando a engrenagem de poder e os interesses que moldaram a narrativa heroica dos bandeirantes.
A trilha sonora original, composta por Adriano Salhab, estabelece pontes entre passado e presente, reforçando o comentário contemporâneo da encenação.
No elenco estão José Rubens Chachá (Juiz), Fábio Espósito (Vereador), Daniel Costa (Procurador) e Thiago Claro França (Governador-geral), atores com trajetória consolidada no teatro brasileiro.
O figurino incorpora referências visuais do modernismo e da tropicália, movimentos que revisitaram criticamente a construção da identidade nacional. O cenário é composto por lonas pintadas à mão, enquanto o cineasta guarani Richard Wera Mirim assina a criação em vídeo.
O espetáculo conta com patrocínio da Google Cloud por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (PROMAC).
Ficha Técnica
- Dramaturgia, Direção artística, Desenho do cenário e Idealização: Marcos Damigo
- Direção de Produção: Vi Silva
- Direção musical: Adriano Salhab
- Atores: José Rubens Chachá, Fabio Esposito, Daniel Costa e Thiago Claro França
- Música ao vivo: Adriano Salhab e Thiago Claro França
- Assistente de direção e Contrarregra: Warner Borges
- Figurinista e Visagista: Marichilene Artisevskis
- Iluminador: Ney Bonfante
- Assistente de iluminação: Matheus Bonfante
- Mobiliário cênico e Pintura do cenário: Jonato e Ever
- Cenotecnia: Wanderley Wagner e Fernando Zimolo
- Objetos e adereços cênicos: Marcos Damigo, Sofia Augusto e Warner Borges
- Vídeos: Richard Wera Mirim e Santo Bezerra
- Identidade visual: Santo Bezerra
- Gestão de redes sociais: Flávia Moreira e Micaeli Alves (AuttivaLab)
- Fotógrafa: Heloisa Bortz
- Historiadores (consultoria histórica e palestrante): Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani
- Consultoria dramatúrgica: Luís Alberto de Abreu
- Produção executiva: Carolina Henriques (Rodri Produções)
- Assistente de produção: Sofia Augusto
- Administração financeira: Gustavo Sanna
- Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes de Oliveira
Serviço
Entre a Cruz e os Canibais
- Duração: 85 minutos Classificação indicativa: 12 anos Gênero: comédia musical
- Haverá bate-papo em todas as sessões e Libras e Audiodescrição nas sessões das 20h nos dias 18, 20 e 27 de março, e na sessão do dia 28 de março
Circulação Março 2026
18 de março (quarta-feira), às 15h e 20h
CEU Alvarenga
Estr. do Alvarenga, 3752 – Balneário São Francisco – São Paulo/SP
20 de março (sexta-feira), às 15h e 20h
Teatro Leopoldo Fróes
Av. João Dias, 822 – Santo Amaro – São Paulo/SP
27 de março (sexta-feira), às 15h e 20h
CEU Parque Anhanguera
Rua Pedro José de Lima, 1020 – Anhanguera – São Paulo/SP
28 de março (sábado), às 19h
29 de março (domingo), às 18h
Galeria Olido – Sala Olido
Av. São João, 473 – Centro Histórico – São Paulo/SP
Sou formada em jornalismo pela Universidade Gama Filho, apaixonada por
eventos culturais, em especial o teatro, que nos faz viajar, pensar, sonhar,
sorrir, chorar e amar.