“Moraes Musical Moreira” estreia no Teatro Carlos Gomes

por Waleria de Carvalho
Moraes Musical Moreira

Flamenguista, amigo pessoal de Zico e ex-morador da Gávea, o cantor e compositor Moraes Moreira segue vivo na lembrança afetiva do Rio de Janeiro. Antecipando as celebrações dos 80 anos do ícone da música brasileira, a Cidade Maravilhosa será palco do espetáculo “Moraes Musical Moreira”, que acontece de 5 a 29 de novembro, no Teatro Carlos Gomes.

Aclamado pelo público e a crítica, o musical, que une teatro, música e dança, chega ao Rio após levantar mais de 15 mil pessoas em temporadas por Salvador, Recife e Brasília. Assinando 40 músicas da trajetória do artista, o espetáculo chega ao fim da turnê nacional em 2026, levando uma experiência cênica construída a partir das memórias, influências e faixas que marcaram a carreira de Moraes.

Inspirada na linguagem de cordel, “Moraes Musical Moreira” convida ao mergulho no universo de um dos artistas que ajudou a reinventar os caminhos da música popular brasileira. Fundador dos Novos Baianos, pioneiro como cantor de trio elétrico e responsável por aproximar diferentes ritmos em sua produção, o artista transitou pelo frevo, choro, rock, samba, forró, MPB e pela poética do cordel. Canções como Pombo Correio, Bloco do Prazer, Chão da Praça e Chame Gente permanecem no repertório popular e ajudam a contar a história de um compositor que levou a música nordestina para diferentes espaços do país.

Dirigido pela atriz e coreógrafa Ana Paula Bouzas, o espetáculo Moraes Musical Moreira apresenta uma narrativa poética inspirada na essência do artista. Em cena, as duas faces de Moraes, divididas entre o Poeta-Cantador de Rodrigo Sestrem e o Vaqueiro do Som de Cris Meirelles percorrem uma jornada em busca da Musa Música, vivida por Júlia Tizumba, ambos acompanhados pelo “Bloco do Prazer”.

“Entendi que pra viver a riqueza da obra de Moraes no palco – em teatro, dança e música – a gente precisaria trazer, junto com ele, o povo que inspirou e eternizou sua criação, porque Moraes é um artista da massa. Cidadão brasileiro que nos falou de liberdade, democracia, amor e alegria. ‘Moraes Musical Moreira’ é nossa declaração carinhosa a esse assombro criativo que ele é, o nosso desejo de partilhar a presença de um patrimônio musical brasileiro em nossos corpos, celebrar a magnitude de quem viveu em estado constante de inspiração, numa conexão profunda, sincera e refinada entre a sua arte e seu povo”, destaca Ana Paula Bouzas.

O musical amplia sua narrativa por meio de um elenco formado por atores, atrizes, cantoras, cantores e multiartistas. Com treze artistas em cena, integram o espetáculo Diana Ramos, Luisa Muricy, Kadu Veiga, Mano Leone, Nana Nevez, Ofámirô, Rapha Gouveia, Sabiá, Saulo Ilogoní e Marcos Lopes.

Construindo a identidade do musical, as direções de Arte, Musical e de Coreografia ficaram, respectivamente, com Renata Mota (Mancha de Dendê Não Sai, 2023), a dupla João Milet Meirelles (trilha de Uma Leitura dos Búzios, 2022) e Ronei Jorge (Miss Suéter), além do bailarino e performer Jai Bispo (Torto Arado – O Musical) e sua dupla, a professora de danças brasileiras, Isis Carla. A equipe conta ainda com Jaya Batista, Vinícius Bustani e Edu Coutinho como assistentes de direção. Já o figurino é assinado pela dupla Alexandre Guimarães e Diana Moreira.

A dramaturgia de Fábio Espírito Santo, roteirista e diretor teatral, conduz a narrativa do espetáculo, que tem coordenação geral de Fernanda Bezerra. No palco, o elenco é acompanhado por uma banda formada por seis músicos, nos riffs de Tarcísio Santos, Mistro, Indira Dourado, Antenor Cardoso e Fredinho, com regência da assistente de Direção Musical e baixista Carla Suzart.

“Realizar esta homenagem a Moraes Moreira marca o início das comemorações pelos 80 anos de nascimento do cantor e compositor, que serão celebrados em 2027. Depois de realizar diversos carnavais e uma exposição que recebeu mais de 120 mil visitantes, a Maré Produções Culturais apresenta este musical, dedicado à vida, à obra e ao legado de um dos maiores expoentes da música brasileira. Trata-se de um musical pensado e produzido no Nordeste, que irá circular por todo país”, conclui Fernanda Bezerra.

Ao final das quatro etapas, o espetáculo terá passado por quatro cidades, com 33 sessões e mais de 15 mil espectadores, ampliando para diferentes públicos a homenagem a um dos artistas que ajudaram a construir a música brasileira contemporânea. A chegada ao Rio de Janeiro, cidade que ocupa lugar especial na trajetória de Moraes, encerra a circulação nacional em 2026 e reafirma a permanência de sua obra, que segue encontrando novos públicos, corpos e vozes.

O espetáculo Moraes Musical Moreira é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela BB Seguros, com produção da Maré Produções Culturais e patrocínio da BB Seguros. Projeto realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

[Turnê nacional do ‘Moraes Musical Moreira’]

RIO DE JANEIRO

  • Quando: 5 a 29 de novembro;
  • Horários: quintas e sextas-feiras, às 19h, sábados, às 17h e 20h e domingos, às 17h;
  • Onde: Teatro Carlos Gomes, Praça Tiradentes, s/n°, Centro, Rio de Janeiro (RJ);
  • Ingressos: a partir de R$ 22,00; pelo sympla
  • Clientes BB Seguros: 45% de desconto sobre o valor da inteira utilizando o cupom BBSEGUROSMORAESMUSICAL;
  • Clientes Banco do Brasil: 20% de desconto no pagamento com cartões Banco do Brasil;
  • Descontos não cumulativos.

Companhia mineira Trupe Qualquer estreia no Rio de Janeiro “Um Homem Célebre” em 7 de novembro, no Centro Cultural Justiça Federal

Com texto e direção de Rafael Coutinho e supervisão de Pedro Kosovski, a peça é inspirada em contos de Machado de Assis

Um Homem Célebre - Foto: Marcella Calixto

Um Homem Célebre – Foto: Marcella Calixto

A companhia teatral de Juiz de Fora (MG) Trupe Qualquer chega ao Rio de Janeiro com o espetáculo “Um Homem Célebre”. Inédita na cidade, a peça estreia em 7 de novembro no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), integrando a programação especial da Mostra Consciência Negra. Com texto e direção de Rafael Coutinho, integrante-fundador do grupo, e supervisão do dramaturgo carioca Pedro Kosovski, a obra parte da literatura de Machado de Assis. O elenco é formado por Beatriz Lira, Christiam Concolato, Giovanna Stehling, Jeann Cavallari e Thiago Andrade.

Inspirada em três contos de Machado de Assis: “A Igreja do Diabo”, “O Espelho” e “Um Homem Célebre” (este último dá nome à montagem), a peça mergulha na mente e na angústia de Pestana, um compositor de polcas que se torna um fenômeno popular nas ruas da corte imperial, mas vive atormentado pela incapacidade de conceber uma obra erudita.

Com uma estética que tensiona tradição e contemporaneidade, a montagem propõe uma reflexão bem-humorada, ácida e atual sobre sucesso, fracasso, identidade artística e os dilemas sociais e raciais que atravessam a formação do artista no Brasil. A encenação resgata a negritude e a ancestralidade de Machado de Assis como chave crítica fundamental para compreender as crises existenciais e as contradições sociais presentes em seus personagens e contos.

Mestre e doutor em literatura pela UFRJ e graduado pela UFJF, o diretor e dramaturgo Rafael Coutinho sempre quis trabalhar com os clássicos brasileiros e nutria fascínio pelos contos de Machado. “Escrever a partir da obra de Machado de Assis é um desafio, ele é um dos maiores prosadores do planeta. A ideia não era encenar os contos, mas, sim, fazer uma espécie de antropofagia com eles, criar algo novo a partir deles”, diz Coutinho.

Conhecida por sua linguagem artística que reúne teatro popular, literatura e música, a Trupe Qualquer entende que a música não funciona apenas como trilha de fundo. Em cena, a banda formada por Caio Ferreira, Raquel Souza e Wendy Ferreira executa as composições ao vivo e atua como personagem ativa, desconstruindo a polca oitocentista com pulsações urbanas e contemporâneas. A trilha sonora original é assinada por Jeann Cavallari.

A trajetória da peça

Depois de estrear em Juiz de Fora, em 2024, a peça circulou pelos palcos do Galpão Cine Horto (Belo Horizonte), do Teatro Paschoal Carlos Magno (Juiz de Fora) e do Teatro Municipal de São João del-Rei, além de participar do Festival de Curitiba 2026.

Trupe Qualquer (@trupequalquer)

Uma das vozes do teatro mineiro contemporâneo, a Trupe Qualquer une teatro popular, literatura e música em pesquisas continuadas. Com circulação por importantes festivais e centros culturais do país, o grupo teve indicações ao Prêmio CBTIJ (Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude) por “Café com Leite” e conquistou destaque nacional com “Memento Mori” e “Um Homem Célebre”. Em todos os trabalhos, reafirma o compromisso com a pesquisa cênica rigorosa e com a conexão direta com o público.

FICHA TÉCNICA

  • Texto e Direção: Rafael Coutinho
  • Supervisão Dramatúrgica: Pedro Kosovski
  • Elenco: Beatriz Lira, Christiam Concolato, Giovanna Stehling, Jeann Cavallari e Thiago Andrade
  • Músicos (Banda ao Vivo): Caio Ferreira, Raquel Souza e Wendy Ferreira
  • Trilha Sonora Original: Jeann Cavallari
  • Cenografia: Christiam Concolato
  • Supervisão de Cenografia: Fernanda de Souza
  • Figurino: André Monteiro
  • Visagismo (Maquiagem e Cabelo): Giovanna Stehling
  • Iluminação: Rafael Coutinho
  • Operação / Técnica de Luz: Geison Vargas (Prisma Iluminação)
  • Técnico de Som: Estevão Franca
  • Coreografia: Felipe Noselhi
  • Identidade Visual e Designer: Renan Torres
  • Fotografia: Marcella Calixto
  • Videomaker: Nina Cristóforo
  • Redes Sociais: Fernanda Oliveira
  • Produção: Trupe Qualquer

SERVIÇO

Espetáculo: “Um Homem Célebre”

  • Temporada: de 7 a 29 de novembro de 2026
  • Dias e horários: Sábados, às 19h; domingos, às 18h
  • Local: CCJF – Centro Cultural Justiça Federal
  • Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro
  • Ingressos pela Sympla
  • Valores: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
  • Classificação Indicativa: 14 anos
  • Duração:  105 min.
  • Instagram: @trupequalquer

O espetáculo “Equina”, criação das artistas-pesquisadoras Aline Bernardi e Dani Lima, faz nova temporada, a partir de 07 de novembro, no Espaço Cultural Sérgio Porto

A obra propõe uma fabulação em torno das relações colaborativas entre humanos e não-humanos. Que alianças podem ser cultivadas entre as espécies?

Equina - Aline Bernardi - Foto: Carol Pires

Equina – Aline Bernardi – Foto: Carol Pires

Como podemos propor outras formas de convivência entre humanos e não-humanos? É possível cultivar amizade e parentesco entre as espécies? O que podemos aprender com cavalos e éguas? Com esses questionamentos, as artistas-pesquisadoras Aline Bernardi e Dani Lima convidam o público para assistir ao espetáculo “Equina”, que volta em cartaz, de 07 a 29 de novembro, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta. A narrativa afetuosa busca pensar sobre políticas de cuidado e a manutenção da vida cultivadas a partir dessas relações interespécies. A criação é um desdobramento da pesquisa de doutorado de Aline, que também está em cena, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da UFRJ.

“A aposta desta obra é investigar de forma fabulatória como as ecologias relacionais e as alianças interespécies podem propor modos de reparação micropolítica em um mundo danificado”, explica a bailarina e pesquisadora Aline Bernardi. “A criação é um desdobramento da minha pesquisa de doutorado, que fabula memórias da relação de amizade e parentesco que tenho com cavalos e éguas”, completa.

As raízes desta pesquisa remontam à infância de Aline, quando a artista morou na zona rural do oeste paulista, e teve uma convivência íntima com cavalos de uma fazenda onde seu pai trabalhava. A partir dessa história pessoal e dos diálogos travados com as pesquisadoras Donna Haraway, Vinciane Despret e Anna Tsing, “Equina” busca articular as três dimensões da ecologia, segundo o filósofo e psicanalista Félix Guattari: a das subjetividades, a social e a ambiental, para especular sobre o papel das alianças interespécies na regeneração da vida.

“Fazemos um convite para praticarmos parentesco e amizade com outras espécies. Queremos questionar o uso exploratório e extrativista dos cavalos e das éguas, assim como de outras espécies, no processo de civilização humana, que levam às consequências da crise socioambiental que a gente está vivendo. O que me interessa é convocar nossa espécie a cultivar imaginários de interdependência e conexões colaborativas com as outras espécies e com tudo que está vivo em nosso planeta”, observa Aline. A pesquisadora também aponta seu interesse em dialogar com as cosmovisões indígenas, que criam alianças afetivas com outras espécies, conceito proposto por Ailton Krenak, e cultivam relações de respeito com animais, vegetais, rios, florestas, montanhas.

Aline Bernardi

Aline é artista-pesquisadora e docente das artes do corpo, das artes cênicas, das escritas performativas/dançadas, das práticas eco-somáticas e das artes de improvisação: performer, bailarina, atriz, escritora, preparadora corporal, diretora de movimento. Sua poética articula fabulações em torno das alianças interespécies, em diálogo com sua prática de amizade e convivência com cavalos e éguas. Diretora Artística do selo Celeiro Moebius. Criadora e Propositora do Lab Corpo Palavra, ambiente de experimentação das escritas em movimento, do pensamento enquanto ato corporal, da dança com a literatura. Doutoranda em Artes da Cena-PPGAC/UFRJ. Mestra em Dança-PPGDan/UFRJ e Pós-graduada em Preparação Corporal para as Artes Cênicas-Faculdade Angel Vianna. Aperfeiçoamento em Performance no F.I.A., c.e.m. de Lisboa. Autora do Livro Performance Decopulagem (livro de artista), edição de ateliê (2019), 2a edição Ed. Caseira (2024). Autora e Organizadora do livro Lab Corpo Palavra: chão para uma prática de escritas dançadas, Edições PPGDan/UFRJ, Ed Circuito (2023). Autora do livro-caderno Umbigo: poemas lunares (livro de artista), Ed Caseira (2025). Autora do livro Embarcações, Ed. Urutau (2025). Trabalhou com coreógrafas e diretores, destaca-se: Dani Lima, Ivani Santana, Andrea Elias, Regina Miranda, Giselda Fernandes, Luisa Coser, Ana Paula Bouzas, Antônio Araújo, Marco André Nunes, Ana Kfouri, Richard Riguetti, Luiz Antônio Rocha. Sua produção artística e pedagógica circulou pelo Brasil; e internacionalmente no Chile, França, Equador, Espanha, Inglaterra, Argentina, Uruguai, Colômbia, Portugal, Canadá, Itália, Índia, EUA e Grécia. www.alinebernardi.com

Dani Lima

Dani é artista e pesquisadora de corpo e do movimento, atuando há 40 anos na cena carioca. Mestre em Teatro pela Uni-Rio, Doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. É Educadora do Movimento Somático pelo Body-Mind CenteringSM e professora adjunta do Instituto de Arte da UERJ. Sua formação abarca práticas de dança contemporânea, educação somática, Gyrokinesis®, contato-improvisação, teatro e performance. Investiga a produção de sentidos a partir de sensações, percepções e gestos do corpo confrontado consigo mesmo e com a alteridade. Atualmente pesquisa possibilidades de re-fabulações corporais a partir do universo da anatomia experiencial eco-somática. http://www.ciadanilima.com.br

Ficha técnica:

  • Criação e Dramaturgia: Aline Bernardi e Dani Lima
  • Supervisão artística: Dani Lima
  • Performance: Aline Bernardi
  • Presenças interespécies: Cavalo Pedro, Cavalo Apolo, Cavalo Bolinha (in memoriam) e Égua Lua
  • Ambientação e Vídeos: João Modé (vídeos projetados em cena possuem imagens feitas por Aline Bernardi, Dani Lima, João Modé, Richard Riguetti e Ringo Riguetti) Trilha Sonora Original: Renato Frazão
  • Tambores: Sabatuk
  • Figurino e aderecista: Puri Matsumoto
  • Aderecista e hair stylist: Liza Machado
  • Iluminação: Sara Fagundes
  • Produção executiva e redes sociais: Marcelo Mucida e Amanda Aguiar
  • Operação de luz: Christiano Theodoro
  • Operação de som: Renato Frazão e Richard Riguetti
  • Designer: Emerson Ferreira e Mauro Aguiar
  • Assessoria de imprensa: Rachel Almeida (Racca Comunicação)
  • Filmagem: Julio Stotz
  • Fotos: Carol Pires

Serviço

Espetáculo: Equina

  • Temporada: de 07 a 29 de novembro 2026
  • Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta: Rua Visconde de Silva s/nº, ao lado do nº 292 – Humaitá. Acesso somente por escadas.
  • Telefone: (21) 2535-3846
  • Dias e horários: sábados, às 19h, e domingos às 18h.
  • Ingressos: 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).
  • Capacidade: 25 pessoas
  • Duração: 1h
  • Classificação etária: 18 anos
  • Venda de ingressos:  https://bileto.sympla.com.br/event/128177 e na bilheteria do centro cultural, de quarta a domingo das 15h às 21h.

O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos

O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos

O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos – Foto; Caio Marins

O projeto O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos, da Criaturas Alaranjadas, uma das companhias de teatro mais atuantes de Brasília (DF), é um compasso entre dança, teatro, audiovisual e música. O espetáculo, com direção de Sérgio Maggio, desembarca para uma curtíssima temporada em São Paulo no Teatro Arthur Azevedo, entre os dias 19 e 22 de novembro, de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h.

O trabalho é uma espécie de lampejo lúdico, inovador e essencial para a sociedade discutir e repensar o etarismo e a intolerância religiosa como importantes temas de política pública. Multicultural, o projeto foi contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Governo do Distrito Federal e traz em seu escopo uma série de atividades em torno da itinerância, que abre as comemorações dos 20 anos da Criaturas Alaranjadas.

Além da peça, o projeto propõe uma intensa vivência na capital paulista com exposição de fotografias de bailarinos 50+ no foyer do teatro; aulão de tango na entrada do teatro; uma oficina de jogos teatrais para pessoas na maturidade; debate sobre o papel da arte contra o etarismo e uma ação formativa em escola pública em três movimentos (os artistas vão à escola; a escola vai ao teatro; e os estudantes dão um retorno sobre a experiência).

“Entendemos o teatro como uma potente arte de desestruturar preconceitos. Esse é um projeto de fôlego, uma itinerância inédita que parte da montagem teatral e dialoga com multilinguagens como a dança, a fotografia, com o objetivo de pautar o envelhecimento e suas consequências. A urgência de políticas públicas e o combate ao etarismo”,”, destaca o ator Jones Schneider, um dos atores mais presentes na cena brasiliense com 40 anos de palco.

A encenação

O Último Tango mergulha no universo de dois desconhecidos que se unem em razão da paixão pelo tango e que revoluciona as suas vidas. Os personagens, Antônio (Miqueias Paz) e Manoel (Jones Abreu Schneider) apontam para a capacidade de reinvenção do ser humano em qualquer faixa etária da vida. 

Executados pelos musicistas Janaina Sabino (piano digital) e Pedro Tupã, o tango e canções de matriz africana são temas para reflexões profundas sobre encontros e superação. Temas como finitude, etarismo, intolerância religiosa, homofobia e os horrores e contradições de um tempo que flerta com o fascismo vão sendo costurados e resultam em um palco para reflexões sobre a vida e a autonomia na terceira idade. 

Com texto inédito de Santiago Serrano e dirigido pelo dramaturgo e roteirista baiano Sérgio Maggio, o espetáculo reúne um time talentoso de diversas gerações da capital federal. A cineasta Catarina Accioli assina o vídeo dança que intercala o espetáculo, filmado em uma reserva natural do Distrito Federal com os bailarinos Lenna Siqueira (RJ) e Dilo Paulo (ANGOLA), na Cia. Corpus entre Mundos.

Agraciada com o Prêmio de Estímulo ao Teatro Funarte 2022, a montagem estreou no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, em 2023, e percorreu seis cidades do Distrito Federal, sendo vista por mais de 5 mil pessoas em 40 sessões. “Circular é o maior objetivo de quem faz teatro. Nasci e aprendi a compreender a força do teatro em Salvador. Chegar à cidade com uma montagem tão especial em nossa trajetória é um sonho”, aponta Sérgio Maggio.

A peça foi apontada pela crítica como um dos destaques da cena brasiliense em 2023/2024:  

“O Último Tango discute temas importantes como o etarismo, a homofobia, o racismo, o racismo religioso, preconceitos em suas mais variadas vertentes, de uma forma profunda e ao mesmo tempo leve, com muita emoção, mas também com bom humor, flutuando pelas questões sociais e existenciais do nosso tempo. Uma poesia sobre o hoje, sobre ser, sobre todos nós, sobre a importância da solidariedade, sobre ser humano e o inevitável, envelhecer; mas principalmente sobre manter a chama da vida acesa e buscar caminhos”. (Rodrigo Ferret, Crítica em Cena)

Ações paralelas

O projeto prevê as seguintes atividades que acontecem paralelas ao espetáculo:

– Aula de Tango: direcionada ao público passante e aberta a qualquer pessoa, sem limite de idade.

– Corpos que dançam não envelhecem: no foyer do teatro, enquanto espera o primeiro sinal, o espectador vai apreciar a exposição “Corpos que Dançam não Envelhecem”, da fotógrafa Nityama Macrini. A mostra surge como uma proposta ousada e necessária para desmistificar a ideia de que a dança é uma prática reservada apenas ao corpo jovem. Ao clicar dançarinos na maturidade, o projeto desconstrói os preconceitos associados ao corpo do artista e à sua suposta “data de validade”. 

Foram fotografados, em Brasília, ícones da dança do DF: Yara de Cunto (bailarina clássica, coreógrafa contemporânea e criadora do Balé do Teatro Guaíra), Gisèle Santoro (bailarina clássica, coreógrafa e mentora do Seminário Internacional de Dança), Lenora Lobo (dançarina e coreógrafa da Alaya Cia. de Dança) e Luciana Lara (dançarina e coreógrafa Anti Status Quo Cia. de Dança), e bailarino e coreógrafo moçambicano Idio Chichava, que fez residência na capital.  

-A Arte Contra o Etarismo: o debate discute a memória e as experiências de envelhecimento em populações consideradas vulneráveis. 

–Jogos Lúdicos para a Maturidade (com Jones Abreu Schneider): estimular a criatividade, a memória e o bem-estar emocional são os principais objetivos dessa iniciativa para promover a interação e a socialização entre os idosos.

–Formação de plateia em 3 Movimentos: o grupo visita uma escola pública e fala sobre teatro e a temática da peça. Depois, a escola recebe o convite para levar os estudantes em dois ônibus para o teatro, onde assistem à peça e participam de um bate-papo. Por fim, o grupo aplica um questionário sobre a experiência.

Criatura Alaranjadas

Sediado em Brasília, o Coletivo surgiu em 2007 no encontro entre o dramaturgo e diretor Sérgio Maggio e o ator e artista visual Jones Schneider, surgindo assim um dos grupos mais inventivos e atuantes do Centro-Oeste. 

Com uma produção continuada, conquistou importantes prêmios e patrocínios nacionais como Petrobras BR (Eu Vou Tirar Você Deste Lugar – As Canções de Odair José e Eros Impuro), Banco do Brasil (L, O Musical, Odair José, Duas Gotas de Lágrimas no Frasco de Perfume, Mitos do Teatro Brasileiro); Funarte (Cabaré das Donzelas Inocentes, Eros Impuro e O Último Tango). O grupo tem uma pesquisa sobre teatro musical popular brasileiro (TMBP) com indicações aos prêmios Bibi Ferreira e Reverência. 

Ficha Técnica

  • Direção de cena: Sérgio Maggio
  • Direção de imagens: Catarina Accioly
  • Dramaturgia: Santiago Serrano
  • Tradução: Carmem Moretzsohn
  • Intérpretes: Miqueias Paz (Antônio) e Jones Abreu Schneider (Manoel)
  • Musicista: Janaina Sabino (piano digital), Pedro Tupã (percussão) 
  • Bailarinos em videoarte: Dilo Paulo e Lenna Siqueira (Corpus entre Mundos)
  • Fotógrafa exposição: Nityama Macrini.
  • Bailarinos exposição: Yara de Cunto, Gisèle Santoro, Lenora Lobo, Luciana Lara e Idio Chichava  
  • Cenografia: Maria Carmem de Souza
  • Coreografia cênica: Dilo Paulo
  • Desenho de luz original: Rodrigo Lélis
  • Iluminação itinerância: Gabriel Martins.
  • Preparação e coreografias de tango: Paulo Pivetta
  • Edição e câmeras: João Paulo Procópio e Gui Campos
  • Pesquisa de figurino e objetos de cena: Astaruth Lira, Jones Abreu Schneider e Sérgio Maggio
  • Figurino: Jones Schneider
  • Artesã bonecos: Edinartesgomes
  • Coordenação de acessibilidade: Criaturas Alaranjadas
  • Identidade visual: Fernando Lopes
  • Design: Jana Ferreira
  • Redes sociais: Criaturas Alaranjadas
  • Produção Local: Ana Nero (SP)
  • Produção: Criaturas Alaranjadas.

Sinopse

Na vida de Antônio, um octogenário viúvo que vive sob a pressão de seus filhos, a perda de memória parece um fardo. No entanto, seu espírito sonhador ainda brilha ao lembrar-se da promessa feita a sua falecida esposa, Elvira: aprender a dançar tango e conhecer Buenos Aires. Por outro lado, Manoel, um artista maduro sem residência fixa, enfrenta dificuldades financeiras enquanto ensina tango nas praças. Quando os caminhos de Antônio e Manoel se cruzam, eles descobrem uma conexão inesperada que transforma suas vidas. Juntos, eles se unem ao ritmo vibrante do tango portenho, rompendo as barreiras do tempo e da solidão, e criando uma narrativa poderosa sobre sonhos, solidariedade e a luta contra as adversidades. Uma história que se impõe à sociedade, urgentemente convidando à reflexão.

Serviço

O Último Tango, com Criaturas Alaranjadas

  • Sessões: 19 a 22 de novembro de 2026
  • De quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h 
  • Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo
  • Ingressos: Grátis, devem ser retirados uma hora antes da bilheteria
  • Classificação indicativa: 12 anos
  • Duração: 70 minutos
  • Acessibilidade: teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Aula de Tango

  • Quando: 20 de novembro, sexta. das 17h às 18h
  • Na entrada externa do teatro. Grátis

Oficina de Jogos para Pessoas na Maturidade

  • Quando: 21 de novembro, sábado, das 17h às 18h
  • Grátis

Debate – A Arte Contra o Etarismo

  • Quando: 22 de novembro, domingo, às 17h
  • Grátis

Exposição Corpos que dançam não envelhecem

  • acontecerá durante a temporada no foyer
  • Grátis

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