Início » Ação social no Recreio reúne público para palestras sobre depressão

Ação social no Recreio reúne público para palestras sobre depressão

Evento teve a participação de médicos e psicóloga para falar sobre a doença

por Redação
“Ei, dor! Eu não te escuto mais”. Com essa letra teve início na noite desta quinta-feira, 15 de setembro, a ação social do Dia do Combate e Prevenção à Depressão, comemorado nesta data, no Américas Shopping, no Recreio. Quem cantou a canção acompanhado de seu violão foi o músico Diego Ramos, que abriu o evento com um pocket show com canja da estudante de psicologia Thaís Brasil, de 22 anos, que cantou Paralamas do Sucesso, entre outros.  Ela é uma das pacientes da psicóloga Flávia Freitas, dona do Espaço Equilibrium, no mesmo bairro, parceira do shopping no evento, e do neuropsiquiatra Luis Mário Duarte. Os dois deram palestras sobre o tema, assim como a geriatra Márcia Umbelino.
“Eu faço tratamento para transtorno bipolar há anos com o Luis Mário e há dois anos com a Flávia e hoje eu acabei colaborando porque eu me encontro estável e continuo os tratamentos. Vim para colaborar com pessoas que têm a mesma coisa que eu. Tomo remédio e faço terapia de uma hora uma vez por semana. Foi importante buscar profissionais corretos. Já passei por vários e só agora encontrei a estabilidade. Me sinto motivada a ajudar”, contou Thaís.
A psicóloga foi a primeira a palestrar. O tema foi “Depressão: precisamos falar sobre”. Apaixonada por pessoas e em torná-las mais fortes emocionalmente, Flávia falou sobre as dificuldades dos pacientes com depressão, como tomar banho e levantar da cama. Quem convive também sofre com a tristeza da pessoa com depressão, que fica cada vez mais isolada, uma vez que ninguém gosta de estar ao lado de alguém triste, lembra Flávia.
“É a doença que mais incapacita e causa suicídios no mundo. É uma desordem química cerebral, com diversos tipos de tratamento”, destacou a psicóloga, grata e emocionada com o sucesso de público do evento, que arrecadou doações para caridade.
Na sequência foi a vez do neuropsiquiatra Luiz Mário falar sobre os vários tipos de depressão, que é mais que tristeza, na palestra “Depressão, o mal do século”. De acordo com o médico, a doença pode ser leve, moderada e grave, mas todas causam prejuízo muito grande à vida da pessoa, gerando transtornos. Às vezes as pessoas nem sabem que estão deprimidas. A principal causa de absenteísmo, que é a falta ao trabalho, no mundo é depressão.
“O inverso também acontece, a pessoa vai trabalhar doente, porque não sabe que tem a doença, o que causa problemas seríssimos ao desempenho e à imagem no trabalho”, explica o especialista.
Ao todo, cerca de 121 milhões de pessoas estão deprimidas neste momento. A depressão é responsável por 850 mil mortes por ano. A cada 40 segundos uma pessoa está se matando. Para cada pessoa que se matou, 20 tentaram no mesmo período. Desses casos, 97% estão relacionados a alguma doença psiquiátrica. Estados Unidos e França são os líderes em casos da doença e a juventude é a fase mais afetada. A idade de primeiro episódio de depressão é precoce, com uma taxa de suicídio entre adolescentes enorme, alerta o médico.
“Você não pode baixar a guarda para a depressão. Se ela evoliur para um quadro grave, a taxa de suicídio é muito alta”, chamou a atenção.
A Região Sul é a mais afetada pela doença. Já a Norte é a que tem menos casos. A cada quatro pessoas deprimidas no Brasil, três são mulheres. A depressão bipolar é uma das mais frequentes. Fazer a distinção do tipo da doença é fundamental no tratamento. Existe ainda a depressão episódica e a recorrente, que acompanha o indivíduo ao longo da vida.
“Leve o seu filho ao psiquiatra, assim como você leva ao dentista.Eu faço diagnóstico em mesa de restaurante, porque são anos de prática. Quem tem experiência vê rápido. Hoje, qualquer pessoa pode sofrer de doença mental. São 63% da população. A gente precisa entender que doença psíquica é uma doença física e é necessário um neurologista”, ressalta Luis Mário, acrescentando que o perfil são pessoas disfuncionais, que começam a ir mal no trabalho, nos relacionamento ou na família, por exemplo.
É importante o diagnóstico correto. Existe a depressão unipolar e a bipolar. Há ainda o episódio misto, em que o paciente fica deprimido e acelerado ao mesmo tempo. Outra situação comum é a depressão leve, mas constante, que pode durar mais de 50 anos, como em um caso presenciado pelo médico. O tratamento mínimo da depressão é de dois anos, mesmo que a pessoa esteja bem. Depressão melancólica, atípica, ansiosa, psicótica (com delírios e alucinações), gestacional, pós-parto, sazonal, mista e catatônica são outros tipos da doença.
Se a depressão dura mais de dois anos, ela é persistente. A maioria das pessoas melhoram nos três primeiros meses de tratamento. Mas, segundo a neurociência, o cérebro leva dois anos para se reprogramar. A probabilidade de ter recaída é muito grande se o tratamento termina antes desse período. Se o paciente apresentar nove critérios da depressão, ela é considerada grave.
Como diagnosticar? Os principais sintomas são: irritabilidade, angústia, desânimo, cansaço, falta de motivação, desejo de morrer, perda de interesse ou prazer e tristeza, por exemplo. Outros sinais são alteração do apetite, peso, sono, psicomotora, energia, fadiga, sentimento de inutilidade, desesperança, prejuízo cognitivo e pensamento recorrente de morte.

“A mensagem é: tratem. O tratamento tem alta efetividade”, finalizou o neuropsiquiatra.

A geriatra Márcia Umbelino deu a terceira palestra na qual falou que a sua especialidade trata pacientes depressivos acima dos 50 anos. Ela citou sintomas já falados pelo neurologista do ponto de vista da geriatria. A perda do apetite, por exemplo, é seletiva no idoso. Ele passa a ter vontade de comer apenas coisas saborosas. A médica também lembrou que a pandemia aumentou a incidência de depressão na terceira-idade. O isolamento levou a maus hábitos que geraram processos inflamatórios que aumentam o cortisol e a adrenalina, o que eleva a frequência cardíaca, que afeta o sono e gera processos hipertensivos.
“A gente está envelhecendo e a expectativa de vida está em 96 anos. A menopausa pode provocar sintomas depressivos. Mas a depressão tem tratamento e é eficaz. Temos antidepressivos para todos os tipos da doença. O parkinson, por exemplo, gera lentidão motora por deficiência de dopamina. Outra dúvida é: doutora, vou ficar dependente químico? Não, porque depois de uma certa idade é comum tomar algum tipo de medicação todo dia. É importante medicar, pois o paciente pode se tornar demenciado devido ao processo depressivo”, recomenda Márcia, acrescentando que o sono também é fundamental para prevenir a doença, por isso ela indica indutores do sono para fazer o paciente dormir direito.
Hoje há indutores do sono que fazem dormir em 10 minutos, o que é bom para as pessoas que pensam muito antes de dormir. Alcoolismo e compulsão alimentar que aumentaram na pandemia também são fatores para o aumento dos casos. De acordo com a médica, a ausência de prazer gera a ausência de desejo e de vontades. Perda de libido também é sintoma. A terapia é um divisor de águas como tratamento, assim como é importante o apoio familiar para uma rede de solidariedade. Se começar a prevenção o quanto antes é o ideal, finaliza Márcia.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Share via