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“Adeus, Ternura”, Novo espetáculo do Bando de Palhaços  no Teatro de Arena do SESC Copacabana, com direção de Rodrigo Portella e dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro

Peça se inspirou no gênero musical brega para contar uma história de solidão, paixão, amizade e resistência que se passa na última noite de um bar, prestes a fechar

por Redação
Adeus, Ternura - Bando de Palhaços

Com direção de Rodrigo Portella e dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro, o espetáculo “Adeus, Ternura”, do premiado grupo Bando de Palhaços, estreia em 13 de outubro no Teatro de Arena do SESC Copacabana para contar uma fábula que se passa na última noite de um bar que será fechado. O grupo se inspirou no gênero musical que ficou conhecido como brega nos anos 1970 e 1980, nas músicas de bar e no ambiente da boemia para contar, com humor, uma história que fala de solidão, paixão, amizade e resistência. Em cena, Ana Carolina Sauwen, Camila Nhary, Filipe Codeço, Matheus Lima e Pablo Aguilar vivem personagens que exalam uma humanidade tão peculiar, típica dos que habitam bares, botecos e biroscas de bairro.

Autor de “Adeus, Ternura”, Rafael Souza-Ribeiro escreveu o espetáculo para ser um grande plano sequência, encenado em tempo real, a partir da pesquisa realizada pelo Bando de Palhaços, tendo como uma das referências o livro “Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar”, de Paulo Cesar de Araújo. “A peça se passa numa única noite num bar que é ameaçado de fechar para dar lugar a mais uma farmácia”, explica o dramaturgo. “O Bar Ternura é um local de encontro, de sonho e de alegria. O espetáculo é uma homenagem a esses tipos brasileiros que vemos nos bares, nas praças e nas cidades e que ainda encontram forças para acreditar no amor, na paixão, na força transformadora da música e lutam diariamente contra uma realidade dura que nos empobrece não só materialmente”, conta.

Quinto espetáculo do Bando de Palhaços, “Adeus, Ternura” é a primeira peça adulta do grupo, que tem 12 anos de trajetória. Essa montagem representa uma nova fase do grupo, uma mudança na pesquisa artística, antes voltada para a família. “O ponto de partida dos espetáculos anteriores era o jogo e a improvisação. A dramaturgia era construída a partir da cena”, conta a atriz Camila Nhary. “Em ‘Adeus, Ternura’, nos desafiamos a mudar a ordem das coisas e, pela primeira vez, estamos construindo a peça a partir da dramaturgia e nos descolando da imagem do palhaço”, revela.

Apesar de não trazer elementos explícitos da palhaçaria, como o nariz vermelho, a figura do palhaço está presente em cena de uma maneira desconstruída, do avesso. O diretor Rodrigo Portella tem contribuído para esse trabalho de transformação, alcançando lugares mais extremos. “Sou um diretor que acredita que todo ator – e todo ser humano também, independente da profissão – deva passar pela palhaçaria. Associamos o palhaço ao cômico e ao riso. E tenho aprendido, com o Bando, que ele não está ali para fazer rir ou para entreter. A palhaçaria é um terreno que oferece autoconhecimento, uma oportunidade de nos olhar por uma nova perspectiva, de encontrar nosso ridículo, nossas mazelas, aquilo que é incompleto e imperfeito. Aí é que está a beleza. Quando nos damos conta disso, conseguimos nos relacionar melhor com o mundo, com o outro e com nós mesmos”, diz o diretor, que também assina a iluminação da peça.

Com 12 anos de estrada, o Bando de Palhaços tem um reconhecido trabalho de experimentação, atuação e pesquisa de teatro a partir da música. Em “Adeus, Ternura”, convidou o diretor musical Marcello H, que já trabalhou com a atriz Camila Nhary, com o diretor Rodrigo Portella e com o figurinista Bruno Perlatto no premiado espetáculo “Tom na Fazenda”. Para Rodrigo Portella, a música tem um papel diferente nessa montagem. “Geralmente a trilha pontua um espetáculo em determinados momentos. Em ‘Adeus, Ternura’, é ao contrário. A música permeia toda a peça e o que grifa são os momentos de silêncio”, adianta Rodrigo Portella. “O espetáculo se passa nos dias de hoje, mas os personagens pararam em algum lugar no tempo. O universo do brega permeia e traz esse anacronismo presente na trilha de Marcello H, no cenário de Elsa Romero e no figurino de Bruno Perlatto”, conclui.

O diretor musical Marcello H acredita que as diferentes camadas de interpretação tornam a dramaturgia mais instigante e que o mesmo acontece com a trilha sonora. “A ideia é abrir novas janelas através da música e da atmosfera sonora de maneira que elas ajudem na construção dessas camadas por meio dos sons”, explica. “Penso que a trilha desse espetáculo ocupa dois planos na construção da história. O primeiro eu chamo de ‘a voz’ do Bar Ternura, representada pelo universo da música brega, que alimenta a nossa memória. A outra, se desloca do bar e cerca a plateia, instigando as emoções”, adianta Marcello H.

Apesar de o elenco de “Adeus, Ternura” não ter vivido o auge da música brega, o Bando de Palhaços pegou essa provocação para falar desse universo e de seus personagens únicos. “Acreditamos que a música brega mora muito no lugar do palhaço, no exagero, nas grandes tragédias, do amor, do ridículo, do amor extremo. Assim como o palhaço, a música brega trabalha o lugar dos seres excluídos e era fagulha perfeita para esse momento do grupo, onde queremos ir mais a fundo em nossa faceta subversiva. Onde estamos motivados em explorar essas tintas carregadas de formas menos agradáveis”, acredita a atriz Camila Nhary.

Para o ator Filipe Codeço, o brega não é apenas uma estética, mas sobretudo uma questão política. Ele lembra que os artistas que estavam no topo da parada musical da época, como Agnaldo Timóteo, Paulo Sérgio, a dupla Dom e Ravel e Odair José, foram varridos da história da MPB. “O repertório dito cafona se vinculava às camadas mais populares por trazer à tona o cotidiano do brasileiro comum. Em um momento de luta política em que os direitos estavam suspensos, a música brega registrou sonhos, dores, tragédias, protestos, amores, não da elite ou da classe média, mas de uma imensa parcela da população que vivia experiências bem distintas destes estratos sociais. Músicas como ‘Pare de tomar a pílula’, por exemplo, só adquiriam sentido de resistência política para quem vivia na pele a ingestão compulsória da pílula anticoncepcional”, completa o ator Filipe Codeço, que é pesquisador do tema e já teve uma banda voltada à essa estética.

E, para o ator, os personagens de ‘Adeus, Ternura’ habitam esse mesmo universo estético das canções de amor, solidão e paixão: “Eles são figuras solitárias que vivem um vazio extremo e vão ao ’Ternura’ esquecer de suas angústias cotidianas”, aponta. “O surgimento de uma farmácia faz sentido para essa sociedade em que vivemos. Ela vem justamente ocupar esse vazio, essa tristeza, mas de uma forma completamente distinta de um bar. A farmácia é um lugar asséptico que propõe uma resolução objetiva e solitária para nossas questões. Ao passo que um bar, com todas as suas complexidades, é um local de extrema poesia e de encontro. O que faz com que esses três personagens ainda estejam ali, os últimos clientes, é o amor. É o amor e a solidão que os conecta e os prende ao passado”, define.

O diretor Rodrigo Portella enxerga uma camada ainda mais profunda, que tem a ver com o título da peça. “O que é ternura? Ser terno é estar disposto a dar e receber afeto. Esse sistema que estamos enfiados há anos gera a necessidade de nos protegermos. Para nos qualificarmos nesse mundo de aparências, criamos um monte de cascas como se vivêssemos dentro de embalagens, um rótulo bonito, que precisa ser vendido. Ou criamos uma casca rígida, que nos proteja do que vem de fora. Isso vai nos impedindo de sermos ternos”, acredita. “Como o palhaço não tem medo do ridículo, não têm pudor ou vergonha, ele se descasca em cena e o mesmo acontece com o espectador, evidenciando a beleza do que é humano, real, vivo e cheio de imperfeições”, diz.

Bando de Palhaços

Fundado em 2010 e com sede no Rio de Janeiro, o grupo Bando de Palhaços é reconhecido por sua atuação e pesquisa continuada, unindo comicidade, teatro e música. Além da criação de espetáculos, é um dos principais grupos a realizar um trabalho de formação na linguagem da palhaçaria no Rio de Janeiro.

Tem atualmente em seu repertório os espetáculos JOGO! (Prêmios CBTIJ e Zilka Sallaberry); RIO DO SAMBA AO FUNK (Prêmio APCA para o diretor Fernando Escrich); e NA BORDA DO MUNDO (Indicado ao prêmio APTR).

FICHA TÉCNICA

  • Direção e iluminação: Rodrigo Portella
  • Dramaturgia: Rafael Souza-Ribeiro
  • Direção musical: Marcello H
  • Assistência de direção: Florencia Santángelo
  • Elenco: Bando de Palhaços (Ana Carolina Sauwen, Camila Nhary, Filipe Codeço, Matheus Lima e Pablo Aguilar)
  • Figurinos: Bruno Perlatto
  • Cenário: Elsa Romero
  • Visagismo: Mona Magalhães
  • Programação visual: Bruno Dante
  • Assessoria de imprensa: Catharina Rocha
  • Direção de Produção: Pagu Produções Culturais

Serviço:

“ADEUS, TERNURA”

  • Temporada: de 13 de outubro a 6 de novembro de 2022, às 20h
  • Apresentações:
  • Semana 1: de 13 a 16/10 (de quinta a domingo)
  • Semana 2: de 20 a 23/10 (de quinta a domingo)
  • Semana 3: de 26 a 29/10 (de quarta a sábado)
  • Semana 4: de 3 a 6/11 (de quinta a domingo)
  • Local: Teatro de Arena do Sesc Copacabana – Rua Domingos Ferreira 160. Tel.: (21) 2547-0156
  • Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira)
  • Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a sexta, das 9h às 20h. Sábados, domingos e das 13h às 20h.
  • Classificação indicativa: 16 anos.
  • Duração: 90 min.
  • Lotação: 242 lugares
  • Gênero: Comédia

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