Aisha Jambo celebra 25 anos de carreira com monólogo musicado sobre a pioneira Mercedes Baptista

‘Quando Dança um Baobá’, conta com supervisão de Zezé Motta e mergulha na efervescência cultural do Brasil pré-64 e resgata a trajetória da mulher que revolucionou a dança afro-brasileira e o Carnaval.

por Redação
Aisha Jambo

RIO DE JANEIRO – Ao completar 25 anos de uma trajetória marcante no cinema, teatro e televisão, a atriz Aisha Jambo apresenta seu primeiro projeto solo teatral: ‘Quando Dança um Baobá’, um monólogo musicado que homenageia a vida e o legado de Mercedes Baptista (1921-2014). A montagem, acompanhada em cena por contrabaixo e percussão, propõe uma viagem sensorial ao Brasil do início dos anos 60, resgatando a história da artista que quebrou as barreiras do racismo estrutural para se tornar a primeira bailarina negra do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Quando Dança um Baobá, estreia no próximo dia 07 de maio, às 19h, no Teatro Correios Léa Garcia – Centro Cultural Correios e conta com supervisão de outra
mulher negra que é referência nas artes, a atriz e cantora Zezé Motta. A direção artística é de Cátia Costa. O projeto, contemplado no edital Fluxos Fluminenses, conta com o patrocínio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Ministério da Cultura e Governo Federal.

O espetáculo ganha um contorno especial pela formação de Aisha: além de sua consolidada carreira nas artes dramáticas, a atriz é Bacharel em Dança pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essa dualidade artística permite que ela transite com precisão técnica pela “Técnica Mercedes Baptista” — a primeira codificação de dança afro-brasileira do país, que uniu o rigor clássico à ancestralidade dos terreiros de candomblé.

A peça, inspirada na biografia escrita por Paulo Melgaço – “Mercedes Baptista, A Identidade Negra na Dança”, adota um recorte temporal preciso: o período de
efervescência social e política que antecedeu o golpe militar de 1964. A trilha original de Quando Dança um Baobá constroi uma poética entre memória e fabulação. Em sintonia, cenário, figurino e luz articulam uma estética que cruza tempos históricos criando camadas visuais e simbólicas. A encenação utiliza o palco como instrumento de transformação social, bebendo de fontes como o Teatro Experimental do Negro (TEN),
de Abdias Nascimento, e a Casa Poema, de Elisa Lucinda.

‘’Esse projeto é uma reverência a Mercedes Baptista, uma mulher livre e visionária que traçou um paralelo entre o clássico e a ancestralidade para criar a Dança Afro-Brasileira. Fui provocada a dar vida a ela durante um debate e, desde então, mergulhei em uma pesquisa profunda para encontrar a pessoa por trás do mito. Meu desejo é enaltecer essa potência feminina e o protagonismo negro que ela pavimentou”, afirma Aisha

Jambo.“Mercedes Baptista é minha conterrânea e foi a precursora da dança afro-brasileira. É uma honra poder trazer meu olhar para este projeto, sobretudo, através da Mercedes Baptista, uma mulher negra, que revolucionou a cultura e arte no nosso país”, completa Zezé Motta.

“Quando Dança um Baobá” parte da imagem da árvore ancestral como corpo vivo que dança e semeia memória. Inspirado no baobá, símbolo de vida e resistência, o espetáculo evoca uma mulher que espalha a dança afro-brasileira pelo mundo, entrelaçando arte e existência. Mais do que lembrar, a obra afirma permanência: o baobá vive nos corpos que dançam hoje, reinventando o legado da dança negra no Brasil”, provoca Cátia Costa.

Aisha Jambo

Com uma carreira de 25 anos iniciada nos palcos e consolidada sob os refletores da TV e do cinema, Aisha Jambo tornou-se um rosto conhecido e querido em todo o país desde os anos 2000, quando estreou em Malhação, até os dias atuais. Durante três anos consecutivos, ela deu vida à personagem Naomi, papel que a projetou nacionalmente e deu início a uma sucessão de trabalhos de destaque.

Na TV Globo, brilhou em produções como Cabocla (2004) — pela qual foi indicada ao Troféu Raça Negra —, Mad Maria (2005) e Alma Gêmea (2006). Em 2011, fez história ao protagonizar a série Natália (TV Brasil), o primeiro papel-título de uma mulher negra em uma série pública brasileira. No currículo, somam-se ainda sucessos como Os Dez Mandamentos (Record), o longa-metragem Alemão e o premiado curta Neguinho, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Agora, ao unir sua graduação em dança com o amadurecimento dramático, Aisha celebra seu jubileu de prata em um projeto que é, simultaneamente, um resgate histórico e uma afirmação estética. Recentemente atuou em “A Divisão” (2025), série de sucesso na Globoplay.

Serviço
Quando Dança um Baobá
Local: Teatro Correios Léa Garcia – Centro Cultural Correios
Endereço: R. Visc. de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
Data: estreia 7 de maio – de quinta a sábado – até 30 de maio
Horário: às 19h
Tempo de duração: 60 minutos
Classificação indicativa: livre
Formato: Monólogo musicado (Contrabaixo e Percussão)
Temática: Biografia de Mercedes Baptista / Protagonismo Negro / Dança Afro
Ingressos: R$ 30,00 inteira R$ 15,00 meia na bilheteria do teatro, em dias de espetáculo, a partir de 17h30.

FICHA TÉCNICA
Idealização e Elenco: Aisha Jambo
Realização: Jambo Produções
Direção Artística: Cátia Costa
Supervisão: Zezé Motta
Dramaturgia: Aisha Jambo, Nando Rodrigues e Cátia CostaCoordenação de Produção: Aisha Jambo
Produção Executiva e Elaboração de Projeto: Paulo Mileno e Aisha Jambo
Produção: Nelson Neto
Direção Musical: Azulllllll
Cenografia e Visagismo: Alex Palmeira
Assistente de cenografia: Wadson Ferrer
Iluminação: Jessica Catharine
Colaboração cênica: Nando Rodrigues
Figurino: Humberto Correia
Composição contrabaixo e músico: Damu Telek
Composição percussão e musicista: Geiza Carvalho
Costureiro: Wenderson Corrêa
Consultoria de movimento: Charles Nelson
Preparação Corporal: Junior Andrade
Professor de balé: Julio Casares
Copy Desk: Sueli de Carvalho Silva
Pesquisa: Aisha Jambo, Paulo Mileno, Lucas Popeta e Gleyson Spadetti
Assessoria de Imprensa: First Press Comunicação
Assessoria digital: Staff Company
Agradecimento: Mestre Manoel Dionísio

Apoio:
Centro de Artes Calouste Gulbenkian
Espaço Cultural Municipal Baden Powell
Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro
Espaço Cultural Municipal Baden Powell

Patrocínio:
Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Governo do Estado do Rio de Janeiro,
Ministério da Cultura, Governo Federal.

 

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