Cachalote Mattos é o ganhador do prêmio CEBTIJ –Centro Brasileiro de Teatro para Infância e Juventude

Fernanda Dias e Cachalote Mattos
Fernanda Dias e Cachalote Mattos

Conhecido pela construção cenográfica das principais produções artísticas e, principalmente de espetáculos de temática antirracista, Cachalote Mattos teve seu trabalho mais uma vez reconhecido ao ganhar a 7ª edição de um dos principais prêmios de Teatro Infantil. O artista também foi indicado por melhor cenário na 33ª edição do Prêmio Shell.

“Sou cenógrafo há mais de 20 anos e estou muito feliz com o reconhecimento do meu trabalho pela indicação do prêmio Shell e por ganhar o prêmio CEBTIJ –Centro Brasileiro de Teatro para Infância e Juventude. Pensar teatro para crianças é a possibilidade de criar novas plateias. A minha felicidade maior foi ganhar o prêmio pelo espetáculo “O Pequeno Herói Preto”, um espetáculo com temática negra Afrofuturista”, comemora.

Cachalote acredita que contar história para crianças negras é a certeza de existência no futuro.

“ Representatividade é muito importante para que nossas crianças sonhem em ocupar lugares diversos no mercado de trabalho, que possam pensar em ser médicos, dentistas, cientistas, super-heróis e heroínas e, quem sabe, cenógrafos e cenógrafas. Eu, enquanto homem negro, sei que a minha presença nesse palco recebendo esse prêmio inspira e abre possibilidades para que crianças negras ocupem esse lugar no futuro”.

O cenógrafo fala ainda da importância de ter referências de mulheres pretas na sua trajetória e conquista dos seus objetivos profissional e pessoal.

“Não cheguei lá sozinho. Agradeço imensamente as mulheres negras, minha avó Ana de Paula Mattos que pagou parte dos meus estudos, minha mãe Ana Lúcia Mattos Dias, que foi Garí, varrendo rua não deixou faltar nada para os filhos. Profissionalmente, agradeço a Bárbara Santos que, ao longo da minha carreira, me fortaleceu profissionalmente, e a Atriz Fernanda Dias, minha companheira, crítica atenta dos meu croquis e devaneios criativos”.

Cachalote ressalta que é preciso ampliar o olhar e valorizar a cultura e toda a diversidade que ela oferece.

“Há pouco tempo uma grande produtora teatral me perguntou ‘A onde você estava?’ Depois de conhecer meu trabalho. Eu devolvi a pergunta ‘ Para onde você olhava?’ Agradeço aos jurados do prêmio pelo olhar atento e diverso para a produção teatral carioca”, conclui.

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