A luta de classes costuma acontecer longe dos palcos, mas, nesta história, fica claro como o esforço de muitos sustenta o poder de poucos. É desse ponto que nasce CÃO, a primeira parceria entre os premiados grupos nordestinos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE), que estreia dia 15 de janeiro de 2026 no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. A temporada seguirá até 15 de março, com sessões de quinta a sábado, às 19h; e domingo, às 18h. O espetáculo conta com o patrocínio do Banco do Brasil, com incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Em circulação, ainda cumprirá temporadas no CCBB Belo Horizonte e CCBB Salvador.
Com direção de Fernando Yamamoto e Luiz Fernando Marques (Lubi), CÃO foi criada a partir de cinco residências artísticas realizadas entre Natal, Recife e Rio de Janeiro. Embora inspirado na tragédia shakespeariana “Coriolano”, a peça não busca adaptá-la. O que se vê em cena é uma fábula contemporânea atravessada por elementos do realismo fantástico, comicidade e música, marcas que se entrelaçam nas linguagens do Clowns e do Magiluth.
A trama acompanha um grupo de trabalhadores de eventos: técnicos, cenógrafos, produtores, mestres de cerimônia e seguranças que, após dias preparando um teatro para a posse de um recém-eleito líder em uma jovem república, recebe uma notícia que desmonta toda a cerimônia e os coloca num vertiginoso jogo de pressões, ordens e urgências incompreensíveis: a morte do novo governante.
É nesse momento que CÃO revela a capacidade de transformar o caos em comicidade. A partir daí, abre-se um sem-fim de situações rocambolescas, desdobramentos absurdos e peripécias hilárias que incluem confusões políticas, protocolos impossíveis, desmandos surrealistas e a necessidade de reorganizar tudo em poucas horas.
“A gente parte de Shakespeare, mas usando só o que nos interessa: o conflito de classes, a insatisfação do povo, a manipulação política e o jogo de forças que recai sempre sobre quem trabalha. O processo da montagem foi muito natural. Fomos descobrindo, juntos, onde estavam as fraturas do presente, e daí nasceu CÃO. É uma obra que reflete profundamente a poética dos dois grupos, esse encontro tão desejado há tantos anos”, afirma Fernando Yamamoto, diretor e coautor da dramaturgia.
A comédia como ferramenta de reflexão
Para Yamamoto, o espetáculo cria um riso que, ao mesmo tempo em que diverte, faz refletir sobre temas urgentes e profundos, especialmente as relações de trabalho, tão em voga no Brasil contemporâneo. O humor, aqui, não alivia a crítica, mas a expõe. Cada atropelo, cada falha de comunicação, cada ordem descabida evidencia a precarização que realmente vem atravessando as relações de trabalho no Brasil.
“Quando partimos para investigar ‘Coriolano’, foi ficando claro que o que nos movia era o olhar para quem trabalha. Tanto no texto original quanto na realidade latino-americana, são sempre essas figuras que sustentam tudo, organizam tudo, reorganizam tudo, e são justamente as mais precarizadas”, comenta o diretor Luiz Fernando Marques (Lubi).
Lubi lembra ainda que a peça também questiona o fazer cultural: “A cultura é um campo em que a precarização aparece de maneira gritante. E é justamente nesse campo que seguimos criando, resistindo e nos reinventando”, completa.
Em cena, quem dá corpo a essa engrenagem é o elenco composto por Caju Dantas, Diogo Spinelli, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Olivia León e Paula Queiroz, sob dramaturgia assinada por Giordano Castro e Fernando Yamamoto, com cenário de Fernando Yamamoto, Luiz Fernando Marques e Rogério Ferraz, direção de produção de Talita Yohana, figurino de Maria Esther, iluminação de Ronaldo Costa e dramaturgia sonora de Ernani Maletta.
Entre tropeços, correrias, confusões e descobertas, CÃO celebra aquilo que o teatro tem de mais vivo: rir da própria tragédia e seguir em frente, mesmo quando o protagonista morre antes mesmo de entrar em cena. O espetáculo também revela ao público o movimento dos bastidores e as urgências de quem precisa fazer tudo acontecer e, ainda assim, inventar poesia em meio ao caos.
ACESSIBILIDADE: Haverá interpretação em Libras e audiodescrição em apresentações com datas a confirmar.
SINOPSE:
CÃO é uma colaboração entre os grupos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE), que nasceu de uma pesquisa sobre o Brasil contemporâneo, suas contradições, afetos e resistências, com foco na questão do trabalho precário em suas diversas facetas. Um grupo de trabalhadores de eventos — mestres de cerimônia, técnicos de som e luz, cenógrafos, produtores, seguranças e outros —, após trabalharem ininterruptamente por 48 horas para garantir que o teatro estivesse impecável para a posse do recém-eleito líder da jovem república do Lácio, recebe uma notícia que interrompe toda a programação e os coloca em uma situação de extremo estresse e submissão aos interesses de pessoas poderosas cujas motivações lhes são incompreensíveis. A partir dessa situação fabular, CÃO lança luz sobre o lugar do trabalhador no Brasil contemporâneo, na América Latina e no mundo.
FICHA TÉCNICA:
- Direção: Fernando Yamamoto e Lubi (Luiz Fernando Marques)
- Dramaturgia: Giordano Castro e Fernando Yamamoto
- Elenco: Caju Dantas, Diogo Spinelli, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Olivia León e Paula Queiroz
- Stand-in: José Medeiros
- Figurino: Maria Esther
- Cenário: Fernando Yamamoto, Luiz Fernando Marques e Rogério Ferraz
- Boneca: Carlos Alberto Nunes, Mona Magalhães e Raibolt
- Perna: Mona Magalhães e Raibolt
- Taxidermia sintética: Vitor Martinez
- Dramaturgia sonora: Ernani Maletta
- Colaboração em palhaçaria: Ésio Magalhães
- Projeto de iluminação: Ronaldo Costa
- Engenharia de som: Gabriel Gianni
- Coordenação geral e produção executiva: Renata Kaiser
- Direção de Produção: Talita Yohana
- Design gráfico: Bruno Parmera
- Fotos de divulgação: Rogério Alves
- Assessoria de imprensa: Prisma Colab
- Consultoria e desenho de projeto para lei: Ana Paula Medeiros
- Realização: Ministério da Cultura e Centro Cultural Banco do Brasil e Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro
- Patrocínio: Banco do Brasil
CCBB RIO DE JANEIRO:
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.
SERVIÇO:
CÃO
- Temporada: de 15 de janeiro a 15 de março de 2026
- Horário: quinta a sábado, às 19h; domingo, às 18h
- Duração: 90 minutos
- Classificação: 16 anos
- Ingressos: R$ 30 (inteira) | R$15 (meia)
- Estudantes, maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia entrada
- Ingressos adquiridos na bilheteria do CCBB ou antecipadamente pelo site https:/bb.com.br/cultura
- Local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
- Endereço: R. Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro
- Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 20h (fechado às terças)
- Contato: (21) 3808-2020 e [email protected]
Mais informações em bb.com.br/cultura
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