O Instituto Yduqs e Instituto de Educação Médica (IDOMED) lançaram o curta-metragem “Corpo Preto”, um filme baseado em dores verdadeiras. A produção revela a dura realidade do racismo no contexto da assistência e serviços de saúde no Brasil. Com foco nas microagressões e discriminações sofridas por pessoas negras, a iniciativa questiona as diferenças no atendimento médico e os impasses raciais que afetam a qualidade de vida dessa significante parcela da população.
A obra pode ser assistida por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=SVfXMuAj2c0 e foi criada pela agência Artplan.
O insight do filme surgiu baseado nos estudos do projeto MEDIVERSIDADE, do Instituto Yduqs e IDOMED, que trabalha para incluir as diversas etnias e condições sociais nos cuidados de saúde. O curta destaca o alarmante fato de que apenas 3% dos médicos no Brasil são negros, segundo dados do Conselho Federal de Medicina de 2023. Dados reais, extraídos de diversos estudos e publicações, demonstram a desigualdade no atendimento: pacientes negros esperam, em média, 10 minutos a mais para serem avaliados. Além disso, consultas com pacientes negros duram, em média, 47% menos do que com pacientes brancos. Eles também têm menos chances de realizar exames de imagem ou raio-X, o que pode comprometer diagnósticos precoces e precisos. O tempo entre o diagnóstico e a cirurgia é, em média, 6,7 dias maior para pacientes negros, evidenciando um viés sistêmico que pode afetar diretamente a sobrevida e qualidade de vida dessa população.
“’Corpo Preto’ é um relato emocionante que traz visibilidade a um problema que pessoas negras enfrentam diariamente no Brasil: o tratamento desigual em serviços médicos. E me deixa extremamente feliz ver o Mediversidade trazendo essa reflexão à tona. Mais do que isso, estamos provocando um debate sobre o papel da educação na construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente. O Mediversidade é um programa que transforma nossas salas de aula, tornando-as mais diversas. Mas ele vai além: estamos modificando a prática médica, dando visibilidade a um problema estrutural da saúde e da sociedade. Estamos trabalhando para formar médicos mais preparados para enxergar e cuidar de todas as vidas, promovendo uma educação mais equitativa e, acima de tudo, humana”, revela Claudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do grupo educacional Yduqs.
“Com o programa Mediversidade, reafirmamos nosso compromisso com a inclusão e a diversidade em todas as 18 faculdades de medicina do grupo IDOMED. Acreditamos que um ambiente educacional diverso enriquece a experiência acadêmica e prepara melhor todos os nossos
futuros médicos e médicas para atenderem às necessidades reais da sociedade,” afirma Silvio Pessanha, CEO do IDOMED.

Silvio Pessanha, CEO do IDOMED
Com o intuito de provocar uma reflexão sobre as consequências do racismo estrutural na saúde, o curta acompanha a jornada de um homem negro enfrentando a indiferença e negligência de profissionais desta área. A equipe de criação optou pelo uso de câmera desfocada para simbolizar justamente essa ausência de atenção, evidenciando a invisibilidade do paciente. O curta destaca o distanciamento e a falta de cuidado, mostrando de forma contundente as barreiras que pessoas negras enfrentam até no momento mais crítico de suas vidas.
O curta foi lançado no dia 01/04, no Cinema Estação do Shopping da Gávea, localizado no Rio de Janeiro (RJ). Após a sua exibição, ocorreu uma mesa redonda com debate sobre o tema, com a presença de Amanda Machado, professora, médica e membro do Núcleo de Inclusão,
Diversidade e Humanização (NIDH) do IDOMED; e Nany Oliveira, diretora do curta. O papo foi intermediado por Annelise Passos, gerente de Projetos em Diversidade e Inclusão da Artplan.
Para ampliar a visibilidade do projeto, serão realizadas ações de comunicação focadas no letramento racial, incluindo exibições especiais do filme em cinemas nacionais, ativações com influenciadores digitais, palestras com especialistas e divulgação em mídias
Out of Home (OOH).
Paralelamente ao conteúdo audiovisual, foi desenvolvido um material inédito na medicina: o livro “Nigrum Corpus – Um estudo sobre racismo na medicina brasileira”. Baseado em depoimentos reais, o livro é um material educativo que evidencia os vieses dentro da
área da saúde, abordando a origem do problema já na formação dos profissionais de saúde. O objetivo é que o material seja distribuído para as principais faculdades de medicina do país, a fim de priorizar a formação de médicos mais conscientes, empáticos e
preparados para enfrentar o racismo institucional.