Egito revela sítio de arte rupestre com 10 mil anos de registros no Sul do Sinai

Abrigo rochoso de mais de 100 metros no Platô Umm Arak preserva centenas de pinturas, gravações e inscrições que vão do Neolítico ao início do período islâmico

por Redação

Arqueólogos egípcios identificaram um sítio pré-histórico até então desconhecido no Sul do Sinai que concentra aproximadamente dez milênios de expressão artística humana. O anúncio, feito na quinta-feira pelo Ministério do Turismo e Antiguidades, descreve centenas de pinturas em pigmentos vermelhos e cinzas, gravações e inscrições distribuídas por um abrigo de arenito no Platô Umm Arak.

Destaques

  • Imagens mais antigas, datadas entre 10.000 e 5.500 a.C., retratam caçadores-coletores perseguindo íbex com arcos e cães de caça
  • Ferramentas de pedra e cerâmicas encontradas no local remontam ao Reino Médio egípcio e ao período romano (século III d.C.)
  • O sítio fica a cinco quilômetros do Templo de Serabit El-Khadim, próximo a antigas minas de cobre e turquesa
  • Descoberta contou com orientação de Sheikh Rabie Barakat, residente beduíno da região

Um museu a céu aberto que atravessa milênios

O ministro Sherif Fathy classificou o achado como “uma grande contribuição ao mapa arqueológico do Egito”. Segundo ele, a descoberta fornece evidências inéditas de civilizações sucessivas nessa porção estratégica do território egípcio.

Hisham El-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, definiu o platô como “um museu natural a céu aberto”. O espaço documenta a evolução da expressão artística e simbólica desde os tempos pré-históricos até o período islâmico.

As representações mais recuadas no tempo exibem cenas de caça típicas de comunidades neolíticas. Gravações posteriores incorporam cavalos, camelos e figuras portando armas, além de inscrições nabateias e em árabe antigo. A diversidade indica que o abrigo permaneceu em uso contínuo por milênios.

De ferramentas de pedra a cerâmicas romanas: vestígios de ocupação ininterrupta

Trabalhos de prospecção no local revelaram ferramentas líticas e fragmentos cerâmicos. Parte do material remonta ao Reino Médio do Egito. Outra parcela é atribuída ao período romano, por volta do século III d.C. Restos de animais e estruturas habitacionais sugerem que o abrigo funcionou como ponto de reunião e refúgio para humanos e gado ao longo de gerações.

A posição geográfica reforça a relevância do sítio. O platô se localiza aproximadamente cinco quilômetros a nordeste do Templo de Serabit El-Khadim, nas imediações de antigos sítios de mineração de cobre e turquesa. Sua elevação, com vista para uma vasta extensão em direção ao Planalto de Tih, indica que o ponto serviu como posto de observação e parada de descanso em diferentes eras.

O papel beduíno na preservação do patrimônio do Sinai

A identificação do sítio contou com a participação direta de Sheikh Rabie Barakat, residente beduíno da área de Serabit El-Khadim. Mohamed Abdel-Badie, chefe do Setor de Antiguidades do Egito, ressaltou que o episódio evidencia “o importante papel desempenhado pelos moradores do Sinai no apoio à preservação do patrimônio cultural”.

Pesquisadores informaram que análises científicas complementares estão em curso. O objetivo é refinar a datação das peças, estudar técnicas artísticas empregadas e elaborar um plano de longo prazo para conservação e documentação do sítio.

Serviço

  • O quê: Descoberta de sítio de arte rupestre pré-histórica no Platô Umm Arak, Sul do Sinai
  • Onde: Aproximadamente 5 km a nordeste do Templo de Serabit El-Khadim, Egito
  • Período abrangido: Do Neolítico (~10.000 a.C.) ao início da era islâmica
  • Órgão responsável: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

FAQ

O que foi descoberto no Platô Umm Arak?
Um abrigo rochoso de arenito com mais de 100 metros de extensão contendo centenas de pinturas, gravações e inscrições que abrangem cerca de 10 mil anos de expressão artística humana, desde o período Neolítico até o início da era islâmica.

Quais são as imagens mais antigas do sítio?
As representações mais recuadas datam de entre 10.000 e 5.500 a.C. Elas retratam cenas de caçadores perseguindo íbex com arcos e o uso de cães de caça, documentando o estilo de vida de comunidades de caçadores-coletores.

Como os moradores locais contribuíram para a descoberta?
O sítio foi identificado com orientação de Sheikh Rabie Barakat, residente beduíno da área de Serabit El-Khadim. As autoridades egípcias destacaram o papel dos habitantes do Sinai na preservação do patrimônio cultural da região.

Você também pode gostar

Compartilhe
Send this to a friend