Exposição inédita no MAR reúne pinturas do povo Huni Kuin

O Museu de Arte do Rio abriga um dos mais importantes acervos institucionais de obras Huni Kuin do Brasil. Nova exposição celebra a força da arte indígena, da ancestralidade e da conexão com a floresta

por Redação
Huni Kuin - foto Thales Leite

O Museu de Arte do Rio (MAR) inaugura no sábado, dia 30 de maio, a exposição Cipó – Pinturas Huni Kuin na Coleção MAR, mostra inédita que apresenta ao público um conjunto de mais de 20 pinturas produzidas pelo povo Huni Kuin, um dos principais guardiões das tradições ancestrais da Amazônia brasileira. A exposição destaca a riqueza estética, simbólica e espiritual dessa produção artística, reafirmando o compromisso do museu com a preservação e difusão do patrimônio cultural dos povos originários. A curadoria é assinada pela equipe MAR. “Essas pinturas trazem um conhecimento ancestral, até mesmo na composição técnica, na paleta de cores. Tudo se apresenta como se fosse uma novidade para a arte brasileira, quando, na verdade, são conhecimentos muito mais anteriores às próprias compreensões de uma arte ocidental. Mas como produção artística, essa criação traz diretamente imagens que vem dos sonhos, que vem das mirações, que são, na verdade, modos de orientação da própria vida. Nas pinturas, vemos as crianças sendo educadas, o uso de remédios naturais que oriundos das plantas, dos venenos dos animais, o que nos faz cessar, a partir das pinturas, muitas lições de vida. São pinturas para a gente aprender a viver”, destaca Marcelo Campos, curador chefe do MAR.

Atualmente, o Museu de Arte do Rio abriga um dos mais importantes acervos institucionais de obras Huni Kuin no Brasil. Ao longo de seus 13 anos de trajetória, o museu vem consolidando uma coleção que promove o diálogo entre produções históricas e contemporâneas, ampliando as perspectivas sobre a arte brasileira e suas múltiplas narrativas. A abertura de Cipó representa mais um importante passo nesse processo, ao oferecer ao público a oportunidade de conhecer de perto uma produção visual profundamente conectada à natureza, à espiritualidade e à memória coletiva. “Reunir em uma instituição museológica pública do Rio de Janeiro, o maior conjunto de obras da etnia Huni Kuin representa um marco para a preservação, valorização e difusão das culturas originárias brasileiras. Essas obras fortalecem a memória ancestral, ampliam o reconhecimento da produção artística indígena contemporânea e promovem o diálogo entre diferentes saberes. A gestão desse acervo que compõe a Coleção MAR é a garantia de sua salvaguarda, respeitando seus significados simbólicos, espirituais e culturais. Além disso, aproxima o público que frequenta o Museu de Arte do Rio, da riqueza estética e da resistência histórica dos povos originários do Brasil”, destaca Andrea Santos, gerente de museologia do MAR.

As pinturas reunidas na mostra traduzem conhecimentos transmitidos entre gerações por meio de grafismos tradicionais, potência cromática e símbolos inspirados na floresta, nos sonhos e nos cantos sagrados. O nome da exposição é uma menção a ayahuasca. Conhecida como Nixi Pãe, expressão que pode ser traduzida como “cipó encantado” ou “cipó da força”, a bebida é associada a práticas ancestrais de cura e conexão espiritual. Os Huni Kuin entendem o uso como um ritual transmitido ao longo de gerações. O uso da bebida integra cerimônias, cantos tradicionais e conhecimentos espirituais. “Nós temos como característica na exposição, para além da produção Huni Kuin, uma instalação específica diretamente nas paredes do museu de um mural feito pelo coletivo MAHKU , que é o movimento de arte Huni Kuin, coordenado pelo Iban. Eles vão estabelecer nessas pinturas ideias que surgem através dos cantos. Os Huni Kuin são conhecedores e trabalham com o uso da ayahuasca e a partir desse uso, a partir do que eles veem, do que eles intuem, do que eles visualizam nas mirações eles vão então produzir as pinturas”, revela o curador.

Cada obra carrega significados relacionados à identidade e à cosmologia Huni Kuin, revelando uma visão de mundo na qual arte e vida estão intimamente entrelaçadas. O percurso expositivo convida os visitantes a mergulharem em um universo em que a força da natureza se manifesta como elemento central. Mais do que expressões estéticas, as obras apresentadas em Cipó representam resistência cultural, preservação de saberes ancestrais e valorização da diversidade dos povos indígenas da Amazônia e do Brasil.

Ao trazer essa produção para o centro da cena artística contemporânea, o Museu de Arte do Rio reafirma o papel dos museus como espaços fundamentais de salvaguarda da memória, de promoção do diálogo intercultural e de reconhecimento da contribuição dos povos originários para a construção da cultura brasileira.

MUSEU DE ARTE DO RIO

O MAR é um equipamento da Prefeitura do Rio e a sua concepção é fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação Roberto Marinho. Em janeiro de 2021, o Museu de Arte do Rio passou a ser gerido pela Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) que, em cooperação com a Secretaria Municipal de Cultura, tem apoiado as programações expositivas e educativas do MAR por meio da realização de um conjunto amplo de atividades. A OEI é um organismo internacional de cooperação que tem na cultura, na educação e na ciência os seus mandatos institucionais.

”Para a OEI, o Museu de Arte do Rio (MAR) é um espaço fundamental que conecta a cultura carioca ao mundo, preservando e valorizando as expressões artísticas locais. Por meio de suas exposições e iniciativas educativas, o MAR não apenas promove o acesso à cultura, mas representa um convite ao diálogo e à pluralidade, algo de extrema importância para a coesão de nossa sociedade”, comenta Rodrigo Rossi, Diretor da OEI no Brasil. Em 2024, a OEI e o Instituto Arte Cidadania (IAC) celebraram a parceria com o intuito de fortalecer as ações desenvolvidas no museu, conjugando esforços e revigorando o impacto cultural e educativo do MAR, a partir de quando o IAC passa a auxiliar na correalização da programação.

O MAR conta com a Vale como mantenedora, com a Equinor como patrocinadora master e a Globo e o Itaú como patrocinadores e a Transpetro e Wilson Sons como apoiadores. Também são parceiros de mídia do MAR: a Globo e o Canal Curta.

A Escola do Olhar também conta com o patrocínio da Equinor. Além de ter o apoio do Núcleo da Ideia e é apresentada por Machado Meyer Advogados.

O MAR conta ainda com o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, do Ministério da Cultura e do Governo Federal do Brasil, também via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O MAR é realizado em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Ministério da Cultura e o Governo Federal do Brasil, contando também com os mecanismos da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Lei de Incentivo e Municipal.

Mais informações em www.museudeartedorio.org.br

SERVIÇO

Museu de Arte do Rio

  • Praça Mauá, 5 – Rio de Janeiro
  • Abertura: 30 de maio, 11h
  • Conversa de galeria com os curadores às 15h
  • Visitação, ter a dom, 11h – 18h (última entrada às 17h)
  • Fechado às quartas-feiras

Venda de ingressos

  • bilheteria e totens de autoatendimento (pilotis do MAR)
  • pagamento com cartões de crédito ou débito / também disponível online

ingressos

  • inteira: R$ 20,00
  • meia-entrada: R$ 10,00
  • terças-feiras: entrada gratuita

Entrada gratuita: alunos da rede pública de Ensino Fundamental e Médio / crianças de até 5 anos de idade / pessoas com idade a partir de 60 anos / professores da rede pública de ensino do município do Rio de Janeiro / funcionários de museus / vizinhos do MAR / guias de turismo *em todos os casos, é necessário apresentar documentação comprobatória.

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