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Festival “O Choro da Cidade” faz conexão instrumental entre Rio de Janeiro e Rotterdam

Evento gratuito reúne três atrações no Dolores Club, na Lapa

por Redação

O que poderia conectar duas cidades tão díspares quanto Rio de Janeiro e Rotterdam? A música, é claro! E nesse caso, o gênero que navega entre os portos de ambas é, quem diria, o choro! Vem aí o “Festival O Choro da Cidade!”, criado para apresentar um panorama da cena contemporânea do nosso sofisticado e brasileiríssimo som instrumental, fruto da mistura de danças européias com ritmos africanos, cultivado tanto cá quanto lá! Será no próximo dia 03 de dezembro, a partir das 19h, no Dolores Club, na Rua do Lavradio, na Lapa. E o melhor, inteiramente grátis.

A programação desta primeira edição reúne três atrações: a musicista holandesa Floor Polder, que também é anfitriã do evento, a super dupla Marcelo Caldi e Silvério Pontes, e o flautista e saxofonista Dudu Oliveira, que vem se destacando cada vez mais na nova cena da música instrumental carioca. No palco, todos homenagearão as duas cidades: Rio de Janeiro, onde o próprio choro foi concebido, e Rotterdam, na Holanda, onde o choro tem atualmente seu centro de estudos na filial da Escola Portátil de Música (EPM), e que vem ganhando uma notável importância na cena musical local.

“Realizar este festival é a concretização de um sonho: poder trazer cultura de forma gratuita para a população, com qualidade artística e estrutura de excelência. Isso ganha ainda mais força em se tratando do choro, um gênero tão rico musicalmente e, em sua origem, tão popular e urbano”, explica Douglas Oliveira, diretor da Caminhante Music, co-realizador do evento patrocinado pelo Consulado Geral dos Países Baixos no Brasil. A ideia, complementa, “é crescer em novos formatos nessas e em outras cidades”. É, portanto, só o início de uma história que nos fará chorar de alegria!

Floor Polder

Radicada no Brasil há quatro anos, Floor formou-se flautista no curso de Jazz e Música Latina da universidade de Codarts, em Rotterdam, e desde então começou a trabalhar com música brasileira e cabo-verdiana. Também foi professora de flauta da Escola Portátil de Música na Holanda, o que lhe rendeu parcerias e trabalhos com Banda Fulô, Trio Sodade e Savoy Room. Com esses grupos, se apresentou em teatros e festivais como o de Doelen, het Bimhuis, Jazz Festival Delft, Breda Jazz festival, Big Rivers, Summertime festival, Jazz in de gracht e o Grachtenfestival, em Amsterdam. 

“Este festival mostra mais do que nunca que a música vive e conecta. Conheci e me apaixonei pelo choro na Holanda, onde ele está fortemente enraizado como um estilo musical. Cheguei a dar aula na EPM-Rotterdam. Esta primeira edição do festival, realizada no mais musical dos bairros cariocas, mostra o caminho que o choro percorreu do Brasil à Holanda e vice-versa”, comemora a artista, que veio ao Brasil para fazer um mestrado na UFRJ e criou um método de improvisação na música brasileira com elementos do jazz, publicado no youtube.  

Silvério Pontes e Marcelo Caldi

Silvério Pontes tocou durante 30 anos com o parceiro e ídolo Zé da Velha, referência

obrigatória no trombone brasileiro. Ambos adoravam estar cercados de músicos jovens, e Marcelo Caldi era um deles. Seu jeito de tocar acordeom chamou a atenção do veterano trompetista pela versatilidade de estilos aliada do domínio dos fundamentos clássicos do instrumento. Já Marcelo se encantou com a vasta vivência do trompetista, um músico super eclético. “Ele tocou pop e reggae com o Cidade Negra, tocou na Banda Vitória Régia junto de Tim Maia, tocou muito choro e samba com Luiz Melodia, além da longa passagem pelas gafieiras…”, conta.

Daí surgiu o convite para o sanfoneiro fazer parte do último registro de Zé da Velha e Silvério Pontes, o CD “Ouro e prata” (Lua Nova), de 2015.  Com isso nasceu uma bela amizade, plena de trocas musicais: são mais de 50 composições em parceria! Dessas, selecionaram dez para entrar em estúdio, aqui apresentadas neste novo show do duo. “O Zé da Velha tocou com o Pixinguinha, o Silvério tocou com o Zé e hoje sou eu quem toco com o Silvério. Imagina o que isso representa pra mim? Me traz o conforto de estar no caminho que escolhi, da linhagem musical que quero e preciso seguir”, resume Caldi.

Dudu Oliveira

Multi-instrumentista, o carioca Dudu Oliveira atua em diversas áreas da cena musical, destacando-se na flauta, mas também nos saxofones, cavaco, bandolim, violões de seis e sete cordas e percussão. O músico já se apresentou em onze países, apresentando sua música com influências de todos os cantos, mas com aquela pitada brasileira que faz toda a diferença.

Alcione, Roberta Sá, Diogo Nogueira e Martinho da Vila são alguns dos grandes nomes com quem já trabalhou. Chamando atenção pelo virtuosismo de interpretações, Dudu Oliveira gravou “Jamming”, álbum no qual contou com as participações especiais de Gabriel Grossi, Eduardo Neves e Silvério Pontes.

Trechos das apresentações serão gravados e posteriormente divulgados nas redes sociais do projeto para que possam ser assistidos após o dia do evento de qualquer lugar do mundo. Entre as apresentações, será destacada também a importância do choro na cena de Rotterdam (Holanda), com um breve explicativo da Escola Portátil de Música – Holanda, lembrando-se que a EPM foi criada em tem a sua sede no próprio Rio de Janeiro.

Serviço: 

“Festival O Choro da Cidade” – com Floor Polder, Marcelo Caldi e Silvério Pontes, e Dudu Oliveira

Dia 03 de dezembro, sábado, a partir das 19h

Dolores Club

R. do Lavradio, 10 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20230-070

Entrada gratuita (espaço sujeito à lotação)

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