O Irã confirmou que não disputará a Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México. O ministro dos Esportes Ahmad Donyamali anunciou a decisão nesta quarta-feira (11) em entrevista à televisão estatal iraniana.
A seleção estava classificada, sorteada e com agenda fixada — Grupo G, três jogos entre junho e julho. Nada disso acontecerá. Mais de 1.300 civis mortos desde 28 de fevereiro e a morte do líder supremo Ali Khamenei durante bombardeios conjuntos dos EUA e de Israel tornaram o torneio uma abstração. O caso inaugura um precedente inédito para a FIFA moderna: nenhuma seleção já classificada havia abandonado a Copa do Mundo desde 1950. A entidade enfrenta agora o duplo desafio de respeitar o drama humanitário e preservar a integridade do maior torneio de futebol do planeta.
Destaques
- O fato: Ministro dos Esportes do Irã confirma que o país não participará da Copa 2026 em razão do conflito armado com EUA e Israel
- A surpresa: A FIFA ainda não recebeu comunicação oficial da federação iraniana — a venda de ingressos segue normalmente
- O cenário: O Irã perderia pelo menos US$ 10,5 milhões em premiação garantida e pode ser multado em até € 550 mil
- A divisão interna: O embaixador iraniano na Espanha contradisse o ministro publicamente: “Vamos à Copa. Temos o direito de estar lá”
De ameaça de boicote a retirada: a cronologia da crise
[Fórmula: Cronológico]
A ruptura não foi instantânea. Em junho de 2025, o governo Trump assinou decreto de proibição de viagens para cidadãos de 12 países, incluindo o Irã — com exceção prevista para atletas. Em novembro, a delegação iraniana recebeu apenas quatro vistos para o sorteio da Copa em Washington D.C., excluindo o próprio presidente da federação, Mehdi Taj. A crise foi contornada: os vistos foram liberados em dezembro e o Irã participou do sorteio, sendo alocado no [Grupo G da Copa 2026](LINK PENDENTE: categoria Esportes/Copa do Mundo 2026).
Em 28 de fevereiro de 2026, tudo mudou de escala. Os ataques aéreos conjuntos de EUA e Israel contra o território iraniano deflagraram a suspensão imediata da liga doméstica de futebol. No mesmo dia, Taj declarou à TV estatal: “Após este ataque, é irrealista esperar que abordemos a Copa do Mundo com otimismo”. A morte de Ali Khamenei — líder que governou o país por mais de três décadas — aprofundou a crise institucional.
A contradição chegou ao seu ápice em 10 de março. Infantino informou que Trump prometera receber os iranianos “sem obstáculos”. No dia seguinte, ao ser questionado diretamente, Trump declarou: “Não estou nem aí”. A distância entre a diplomacia esportiva e a política externa americana sintetizou a impossibilidade da participação.
US$ 10,5 milhões perdidos e multa de até € 550 mil
A retirada tem custo financeiro preciso. O artigo 6.2 do regulamento da Copa 2026 prevê multa mínima de € 275 mil para desistências com mais de 30 dias de antecedência e € 550 mil para o período final — valor equivalente, em termos comparativos, ao salário anual de aproximadamente 20 médicos especialistas no sistema público. Além da penalidade, o Irã abriria mão de US$ 9 milhões em premiação pela fase de grupos e de US$ 1,5 milhão em verba de preparação.
O artigo 6.7 confere à FIFA “critério exclusivo” para substituir ou não a seleção, sem obrigação de seguir ranking ou posição nas eliminatórias. Se o caso for enquadrado como força maior pelo conflito armado, a tendência é que a entidade evite sanções disciplinares adicionais, como exclusão da Copa de 2030.
O sinal mais eloquente da paralisia institucional é que, 24 horas após a declaração do ministro Donyamali, os ingressos dos jogos do Irã no Grupo G seguiam à venda. Para a FIFA, apenas a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) pode oficializar a retirada — e ela ainda não o fez.
Iraque, Emirados ou grupo com três: quem herda a vaga
O favorito a substituir o Irã é o Iraque. A seleção iraquiana disputa a repescagem intercontinental contra o vencedor de Bolívia × Suriname, com jogos marcados para 26 e 31 de março. Caso o Iraque avance por mérito próprio, seria alocado no Grupo I — com França, Senegal e Noruega —, abrindo caminho para outro candidato no Grupo G. Os Emirados Árabes Unidos emergem como segunda opção: são a seleção asiática mais bem posicionada no ranking da FIFA entre as não classificadas, na 58ª colocação.
Há ainda dois desfechos menos prováveis. O primeiro: a FIFA não substitui o Irã, e o Grupo G é disputado apenas por Bélgica, Egito e Nova Zelândia — três partidas a menos no calendário do torneio. O segundo: o artigo 6.7 permite convidar seleção de qualquer confederação, abrindo brecha teórica para um candidato fora da Ásia.
A última vez que uma seleção classificada abandonou a Copa foi em 1950, quando Escócia, Turquia, Índia e França desistiram por razões que iam do orgulho esportivo ao custo da viagem ao Brasil. O torneio foi disputado com 13 seleções em vez de 16. Setenta e seis anos depois, a FIFA enfrenta uma retirada motivada por guerra — e precisará, pela primeira vez em gerações, encontrar uma resposta à altura da gravidade do momento. A decisão precisa ser tomada até 15 de junho, data do primeiro jogo previsto do Irã, contra a Nova Zelândia em Los Angeles.
Serviço
- O feito: Irã confirma que não participará da Copa do Mundo 2026
- Status: Aguardando comunicação oficial da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI)
- Quando: Declaração em 11 de março de 2026
- Próximos passos: Repescagem intercontinental com Iraque (26 e 31 de março); prazo final da FIFA: 15 de junho
- Fontes: TV estatal iraniana; declarações do ministro Ahmad Donyamali; presidente da FIFA Gianni Infantino; embaixador do Irã na ONU Amir Saeid Iravani; regulamento oficial da Copa 2026 (art. 6.2 e 6.7)
FAQ
P: O Irã está oficialmente fora da Copa do Mundo 2026?
R: Ainda não formalmente. O ministro dos Esportes confirmou a intenção do governo, mas a FIFA aguarda comunicação oficial da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI). Enquanto isso, os ingressos dos jogos do Irã seguem à venda.
P: Quem pode substituir o Irã no Grupo G da Copa 2026?
R: O Iraque é o principal candidato e disputa repescagem intercontinental em março. Os Emirados Árabes Unidos são a segunda opção (58º no ranking FIFA). A FIFA também pode manter o grupo com apenas três seleções.
P: O Irã pode ser punido financeiramente por se retirar?
R: Sim. O regulamento prevê multa de até € 550 mil e perda de US$ 10,5 milhões em premiação e verba de preparação. Se a retirada for classificada como força maior, as sanções disciplinares adicionais — como exclusão de torneios futuros — tendem a ser amenizadas.
