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Margaret Atwood, de O conto da Aia, seleciona romance de autoria e protagonismo indígena para lançar no Brasil

por Redação
Margaret Atwood

Escritora canadense foi convidada pela TAG – Experiências Literárias para ser curadora e indicou obra do compatriota Thomas King.

“King usa o humor para fins sérios e subversivos”, defende Atwood.

Premiada e aclamada no mundo todo, Margaret Atwood, 82, é autora, entre outros livros, de The Handmaid’s Tale – O conto da aia, cuja popularidade foi alavancada pela adaptação televisiva homônima. O sucesso, contudo, conta apenas parte do que a escritora representa. Filha de um etimólogo florestal e feminista convicta, ela também é ativista de causas ambientais e humanitárias, temas que acabam permeando sua produção literária. O olhar crítico e a vontade de mudar o mundo dialogam diretamente com o livro que Atwood selecionou para a TAG Curadoria, modalidade de assinatura desenvolvida pelo clube de livros TAG – Experiências Literárias, que envia mensalmente aos assinantes uma série de preciosidades indicadas por grandes nomes da cultura nacional e internacional. Escolhida para ser a curadora de abril, a escritora canadense indicou uma obra nunca publicada no Brasil do compatriota Thomas King, 79.

O conto da Aia é uma distopia, e o sucesso da obra transformou Atwood em referência no gênero. Ao selecionar um livro que tem pouco a ver com o formato, portanto, a escritora escancara pontos cruciais para o subtexto de sua produção e realça as pautas que defende em âmbito pessoal. Uma delas é a divulgação de autores nativos – recentemente, por exemplo, o jornal britânico The Guardian noticiou que, graças ao incentivo da escritora, uma importante obra com registros orais quase extintos do povo indígena Haida ganharia edição na Inglaterra.

Thomas King

Thomas King

A obra escolhida por Atwood para a TAG Curadoria, cujo título ainda é guardado em segredo para preservar a surpresa dos assinantes, tem o adicional de ter sido escrita por um amigo de longa data. “Conheço Thomas King há milhares de anos — ou pelo menos desde os anos 1990, quando ele foi um dos primeiros a defender e, de fato, produzir a primeira onda de escritos indígenas norte-americanos. Eu revisei duas de suas brilhantes primeiras histórias em 1990 e, desde então, tenho acompanhado ele e seu trabalho”, relata a autora em entrevista exclusiva ao clube, presente na revista que acompanha o livro e o kit do mês. “O título que selecionei parece aquelas primeiras histórias que revisei — é engraçado, mas o humor é usado para fins sérios e subversivos. De certa forma, é uma longa anedota, uma missão que não leva a um Cálice Sagrado — e não é assim mesmo, como sugere a história, a maioria das missões? É verdade que a viagem é melhor do que a chegada? Nas histórias de King, sempre há curvas, mas o que está do outro lado nunca é o que se espera”, completa. O conto da Aia é uma distopia, e o sucesso da obra transformou Atwood em referência no gênero. Ao selecionar um livro que tem pouco a ver com o formato, portanto, a escritora escancara pontos cruciais para o subtexto de sua produção e realça as pautas que defende em âmbito pessoal. Uma delas é a divulgação de autores nativos – recentemente, por exemplo, o jornal britânico The Guardian noticiou que, graças ao incentivo da escritora, uma importante obra com registros orais quase extintos do povo indígena Haida ganharia edição na Inglaterra.

A obra escolhida por Atwood para a TAG Curadoria, cujo título ainda é guardado em segredo para preservar a surpresa dos assinantes, tem o adicional de ter sido escrita por um amigo de longa data. “Conheço Thomas King há milhares de anos — ou pelo menos desde os anos 1990, quando ele foi um dos primeiros a defender e, de fato, produzir a primeira onda de escritos indígenas norte-americanos. Eu revisei duas de suas brilhantes primeiras histórias em 1990 e, desde então, tenho acompanhado ele e seu trabalho”, relata a autora em entrevista exclusiva ao clube, presente na revista que acompanha o livro e o kit do mês. “O título que selecionei parece aquelas primeiras histórias que revisei — é engraçado, mas o humor é usado para fins sérios e subversivos. De certa forma, é uma longa anedota, uma missão que não leva a um Cálice Sagrado — e não é assim mesmo, como sugere a história, a maioria das missões? É verdade que a viagem é melhor do que a chegada? Nas histórias de King, sempre há curvas, mas o que está do outro lado nunca é o que se espera”, completa.

As pessoas não esperam ver nativos viajando ou exercendo profissões

Laureado com a Ordem do Canadá e vencedor de prêmios como o RBC Taylor Prize, Thomas King é autor de livros de ficção e não ficção em que aborda questões relativas aos povos nativos e indígenas. Premiado com a Stephen Leacock Memorial Medal for Humour, o livro de abril lança mão da ironia e do humor para trazer à tona reflexões profundas em que o íntimo e o político se encontram, abordando assuntos envolvendo discriminação, crise dos refugiados na Europa e saúde mental. Tudo isso em uma curiosa viagem à cidade de Praga, na República Tcheca, para onde o casal protagonista parte em busca de informações sobre o paradeiro de um parente desaparecido.

A história também desafia estereótipos comuns associados aos indígenas e se refere a algo que as pessoas não imaginam normalmente quando pensam sobre pessoas nativas. “Sim, o título desfaz o que a maioria das pessoas pensa dos indígenas. Eles não esperam ver nativos de classe média que viajam pela Europa como pessoas comuns. Eles não pensam nos nativos exercendo profissões. Esse é, claro, um estereótipo infeliz e o romance é, em parte, uma tentativa de destruir essa noção de uma vez por todas. Não penso que fiz isso, mas eu tentei”, explica Thomas King também em entrevista exclusiva para a revista da TAG

King parte de eventos traumáticos para compor sua ficção e discutir a repercussão que tanta violência e preconceito causam na mente dos povos originários

Com humor e irreverência, King aborda temas caros às suas origens cherokee e grega. Da violência oficial aos estereótipos associados aos povos originários, da fragilidade emocional à percepção identitária, são muitas as camadas desse romance. Entre entrevistas, contextualizações e análises críticas, a caixinha de abril da TAG mergulha na variedade de temas suscitados por sua leitura e se aprofunda no universo de King e de seus cativantes personagens.

Uma experiência completa

Na caixinha que os associados da TAG Curadoria recebem em abril está uma produção de conteúdos que enriquecem a leitura do livro em si. A edição em capa dura, com luva ilustrada, vem acompanhada de uma revista, com textos produzidos com exclusividade para a TAG, como uma entrevista com a curadora Margaret Atwood, em torno do seu atual momento literário e as razões da escolha do título, outra com o autor Thomas King, em torno da sua amizade com Margaret Atwood e da concepção do livro, além de textos contextualizando e aprofundando a situação das pessoas indígenas no Canadá, além de artigos e resenhas de grandes especialistas.

Um compilado de materiais multimídia completa a experiência, como uma playlist temática no Spotify, um mimo (brinde) surpresa, marcador de página e link para os conteúdos complementares do aplicativo exclusivo para associados da TAG.

TAG

A TAG é um clube de experiências literárias por assinatura fundado em 2014. Já são mais de 50 mil assinantes que acreditam que, dentro de cada caixinha, existe uma ideia: a de que as histórias tornam o mundo mais sensível e a vida mais bonita. Além dos livros enviados mensalmente, a TAG conta com materiais de apoio gratuitos para ajudar qualquer pessoa que deseja criar o hábito da leitura, mimos e aplicativo exclusivo para seus assinantes. Para saber mais, acesse o site da TAG.

Serviço
TAG Curadoria – Abril, 2022
Curadora: Margaret Atwood (Canadá).
Autor: Thomas King (autor indígena canadense)

Destaques:
Obra inédita no Brasil.
Autoria e protagonismo indígena canadense.
Assinatura TAG Curadoria
Plano mensal – R$ 72,90
Plano anual (15% off) – R$ 61,90

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